janeiro | sobre cestos, tear e produtividade

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Como mencionei no post anterior, comecei o ano com muita energia e vontade de colocar as coisas em prática. Talvez seja porque eu tenha lido livros que me instigaram a fazer coisas. Em um deles encontrei um exercício no qual eu deveria listar as coisas que quero fazer/ser. A partir daí, eu deveria desmembrar cada uma das coisas em pequenas ações e o livro desafiava a colocar pelo menos uma das ações em prática hoje, agora. E foi assim que eu tomei a atitude de comprar meu tear circular.

Em uma destas auto-analises motivadas ou não por livros, percebi que um dos meus objetivos de vida é me manter em movimento, aprendendo coisas novas. Gosto de saber como uma coisa é feita e isso me traz um senso de consciência muito maior das coisas que me cercam, como já falei mais de uma vez por aqui.

A nossa relação com as roupas muda quando aptendemos como se faz uma roupa. A relação com acessórios, objetos, utilitários, etc, muda quando vemos o trabalho que dá. E comigo foi assim, fiquei um tempo buscando encontrar o que chamam de ‘paixão’, aquela coisa que eu amaria e faria para sempre. Mas com o tempo eu vi que para mim isso não ia rolar e descobri que dentre as muitas coisas que eu gosto, aprender e compartilhar as coisas me alegra e me motiva.

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Voltando à temática inicial do post, o ano começou com uma técnica nova, e minha segunda experiência com tear circular foi bem melhor que a primeira. Escolhi um ponto pra seguir até o final e fiz mais dois cachepôs, um deles é esse aí da foto.

Graças a esta experiência, vasinhos feios de plástico que estavam em casa ficaram bem mais bonitos. Meus olhos agradecem. Haha

Adorei fazer o tricô no tear mas daí eu fiquei com saudades dos meus cestos e aquele restinho de corda estava me olhando já tinha um tempo, daí voltei para os cestos de corda e lã.

Em 2018 eu fiz um cesto que era uma espécie de bandeja e durante as minhas férias comecei um cesto gordinho, um formato que já queria fazer há um tempo. Usei as mesmas cores, para formar um conjunto.

Na semana passada decidi que o meu conjunto seria um trio, e então dei início à terceira peça. Nesse meio tempo fui para a praia e o trânsito da volta rendeu bastante. Finalizei o cesto há uns dois dias e agora falta uma foto do trio.

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Uma coisa surpreendente deste mês pra mim foi conseguir tocar diferentes projetos nas horas vagas. Precisei me colocar alguns limites, estipular horários e ter um pouco de persistência mas deu para aprender que não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo, mas dá para fazer uma coisa de cada vez.

experimento e algumas reflexões pessoais | tear circular

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Comecei o ano cheia de iniciativa e vontade de colocar coisas em prática. Talvez uma fuga, uma defesa das notícias terríveis sobre medidas do governo que mal começou e já causa tanto desânimo e desespero (bleh).

Pois bem, encomendei meu kit de tear circular decidida a tentar uma nova maneira de usar toda a lã que tenho além de fazer o que eu mais gosto, que é aprender algo novo. O kit chegou muito rápido! E na mesma hora já comecei a seguir um tutorial no youtube.

Mesmo parecendo fácil, fiz e desfiz o trabalho pelo menos umas 3 vezes, até que resolvi ir até o final pra ver no que dava. No tutorial que eu vi, os pontos eram intercalados, o que demandava um foco bem grande da minha parte, ou seja, nada de ficar pensando na vida enquanto fazia.

Acostumada a fazer coisas manuais quase como lazer, conversando, vendo filme, Master Chef ou ouvindo podcasts, manter a atenção e o foco não foi fácil. Eu me perdia nos pontos e em vez de intercalar, acabei fazendo o mesmo ponto nos mesmos pinos, o que resultou em algo completamente diferente do esperado e o do qual não gostei muito.

Outra coisa: percebi que a lã que eu tenho (e que não é pouca e que me propus a usar em sua totalidade em vez de comprar) é mais fina do que a do tutorial e os pinos do tear, um pouco mais afastados. O que não vai me impedir de continuar, é claro.

a primeira foto foi com o vaso da planta com folhas comidas pelos gatos. a segunda com um vaso do mesmo tamanho de um cacto, que de longe ficou muito feia, mas que no detalhe ficou boa. :)

a primeira foto foi com o vaso da planta com folhas comidas pelos gatos. a segunda com um vaso do mesmo tamanho de um cacto, que de longe ficou muito feia, mas que no detalhe ficou boa. :)

Mas o que mais me intrigou é que a medida que ia trabalhando, fui ficando ansiosa. E confrontei uma parte de mim a qual eu não gostaria muito que fosse verdade: a Paula sem paciência. Eu penso muito. Conjecturo muito e planejo muito até (ou principalmente) nas coisas que eu faço aqui na Simplee e que poderiam ser muito mais leves, como eu gosto de acreditar que são.

Sinto que em vez de curtir a coisa toda, do aprendizado, do momento, eu fico apegada ao que deveria ser e no que eu gostaria que fosse o resultado final. Quando me deparo com a mediocridade do primeiro trabalho, já considero um fracasso total e quero partir pra outra. Não dou tempo para a técnica e nem para eu mesma dominá-la. O que talvez explique a quantidade de coisas que já aprendi, que já fiz cursos, que comecei e não continuei, pelo simples fato de eu, de cara, não dominar a técnica e ser a melhor.

Diante de auto análises e reflexões como essas (mesmo que um pouco desconfortáveis), o quanto é prolífico fazer um trabalho manual e como qualquer coisa pode se tornar uma ferramenta de autoconhecimento. As lições que eu levo da experiência de ontem (e que tentarei aplicar daqui pra frente) são: não ser tão dura comigo mesma, não levar as coisas tão a sério, não criar expectativas, ter paciência e continuar fazendo, enquanto me trouxer alegria, é claro.

simplee receita | abóbora picante vegana | #usaoquetem

abóbora picante acompanhada de quinoa e bolinhos de arroz

abóbora picante acompanhada de quinoa e bolinhos de arroz

Comida é tudo (ou quase) para mim. E assim como muita gente, planejo minha rotina em torno das refeições. Seja para comemorar alguma coisa, reunir amigos ou dar um passeio, pode apostar que eu estou pensando em comida no meio de tudo isso.

Este ano resolvi assumir esse protagonismo que as refeições têm na minha rotina e incluir as comidas no conjunto de coisas que eu faço. Pois mesmo quando a vida está corrida e eu não estou produzindo cestos ou acessórios, eu não deixo de comer ou pensar em comida. E já que aqui na Simplee eu compartilho várias partes da minha vida e do que eu sou, nada mais natural do que falar (mais) explicitamente sobre comida também.

meu pratinho momentos antes de ser devorado

meu pratinho momentos antes de ser devorado

Como estou em recesso de final/início de ano, estou tendo o prazer de ficar mais tempo em casa e além de colocar leituras e pendências em dia, estou cozinhando (ou observando o meu companheiro, que cozinha mais do que eu, cozinhar).

Hoje, por exemplo, preparei o almoço no melhor estilo #usaoquetem. Olhei a geladeira e com umas inspirações vistas recentemente no instagram, fui pegando o que tinha e montando o cardápio na minha cabeça. O arroz integral que sobrou de ontem e queimou um pouco virou bolinho de arroz com cenoura e a abóbora cabotiá virou a minha abóbora picante, que vou compartilhar a receita aqui. Além disso, fiz um pouco de quinoa para acompanhar.

Mas vamos ao que interessa: a abóbora.

Ingredientes:

  • 1/4 de abóbora cabotiá descascada, sem sementes e cortada em cubos.

  • um pedacinho de gengibre ralado

  • 1/2 cebola picadinha

  • 1 dente de alho pequeno picado

  • 1 colher de sopa de azeite (aproximadamente) para dourar a cebola e o alho

  • 1 colher de sopa de páprica picante

  • 100g de extrato de tomate (aproximadamente)

  • 1/4 de uma garrafinha de leite de coco

  • sal a gosto

  • pimenta do reino a gosto

  • molho de pimenta a gosto (usei um a base de tomate e pimenta dedo de moça que a minha mãe faz)

  • cebolinha a gosto para finalizar

Modo de preparo:

Comece picando a abóbora e reservando-as em um pote. Cobrir os pedaços de abóbora com água e reserve. Em uma panela de ferro já aquecida, juntei o azeite, a cebola e o alho até dourar. Manter o fogo baixo e adicionar então o gengibre, o sal, a pimenta do reino (eu uso um moedor daqueles de madeira, então não sei especificar exatamente o quanto vai) e por último, a páprica picante. Mexer bem com uma colher de pau e depois adicionar o extrato de tomate.

lembrei de tirar foto somente nesta etapa, logo após acrescentar o leite de coco.

lembrei de tirar foto somente nesta etapa, logo após acrescentar o leite de coco.

Mexer até todos os ingredientes ficarem misturados. Junte a abóbora e pouco mais que a metade da água que estava no recipiente. Acrescente o molho de pimenta (opcional) e mexa para que a abóbora se misture com os demais ingredientes e depois acrescente o leite de coco. Mexa mais um pouco e tampe a panela mantendo o fogo baixo por cerca de 15 a 20 minutos ou até que a abóbora esteja macia. Cuide para que ela não passe do ponto e venha a desmanchar. Acrescente a cebolinha, tampe novamente e apague o forgo até a hora de servir.

sempre que compro cebolinha e/ou salsinha, eu lavo, corto tudo, coloco em um pote e congelo. Assim, vou usando os temperos aos poucos.

sempre que compro cebolinha e/ou salsinha, eu lavo, corto tudo, coloco em um pote e congelo. Assim, vou usando os temperos aos poucos.

Gosto de receitas e fotos assim: rápidas. Gosto de registrar mas sem que isso tome muito meu tempo e faça eu perder o momento ou o meu prato esfriar. E hoje eu fiquei tão feliz com o resultado tanto da comida como do registro, que logo passei as fotos para o computador e comecei a escrever.

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É bom que a gente atente para as coisas que nos colocam em movimento desta forma. É o que a comida e o compartilhar as coisas sempre fazem comigo. Espero que a simples ação de fazer o almoço hoje possa colocar outras pessoas em algum tipo de movimento também.

ano novo

Comemoro meu aniversário praticamente junto com o Ano Novo. A maratona de festas parece não ter fim: tem a véspera e o dia de Natal, esse ano teve uma reunião de família em um sítio no dia 27; tem meu aniversário no dia 30 e no dia 31 tem o sempre esperado Ano Novo!

Mesmo meio cansada sempre surge aquela força interior para comemorar mais uma volta ao sol. Geralmente, passo meus aniversários na casa dos meus pais ou em trânsito para algum lugar (nos últimos anos, indo pra Floripa ver amigos), mas dessa vez fiz uma comemoraçãozinha aqui em casa.

A exemplo da decoração de Natal, que falei esses dias no Instagram, eu sempre acabo me empolgando e antes que eu me dê conta, já comecei a preparar algum tipo de celebração.

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Logo que o recesso de fim de ano começou, resolvi desenterrar projetos antigos de costura. Consegui terminar dois. Um deles consistia em dar uso a esse pedaço de tecido de bolinhas comprado há mais de 5 anos e transforma-lo em uma toalha de mesa. Check.

O outro era finalizar essas bandeirinhas. No final de 2014 cortei esses triângulos de tecidos que tinha acumulado em casa. Estava de mudança de Florianópolis para São Paulo e queria comemorar meu aniversário/despedida no melhor estilo pinterest (aqui cairia bem um emoji de olhinhos virados pra cima). Lembro de não consegui costurar as bandeirinhas a tempo e pendurei os triângulos de tecido no improviso com uma linha.

Chamei todos os amigos que não tinham viajado para ir até um parque para um piquenique. Só que estava muito quente e as pessoas apareceram só na hora da chuva. Ficamos todos ensopados e fomos pra minha casa cheia de caixas de mudança se secar até a hora de sairmos para a “balada”. Haha

Tudo isso para dizer que foi significativo costurar finalmente essas bandeirinhas. Pra mim, tem algo bastante simbólico em finalizar um projeto inacabado. É bom colocar um ponto final nas coisas e nas histórias, pra gente poder seguir em frente.

No dia 29, costurei as bandeirinhas não do jeito que eu tinha planejado, com um viés, todo bonito (que até cheguei a comprar mas que molhou e estragou em uma chuva fortíssima na véspera de natal haha), mas sim com uma fita preta, dessas de presente, que estava parada desde 2012 nas minhas coisas.

Pensamos em um cardápio fácil e prático para receber alguns familiares e amigos, comprei o último bolo da loja de bolos, que por sorte era de um sabor que eu amo, de abacaxi com coco, e de noite fizemos as compras.

Deixamos algumas coisas encaminhadas na noite anterior mas acordamos às 9h para deixar tudo pronto até às 11h. Assim que terminamos e nos arrumamos, preparei duas taças de mimosa, aquele drink de espumante com suco de laranja.

Os convidados começaram a aparecer depois do meio dia e a festa seguiu até depois das 20h. Dos preparativos ao parabéns, foi um dia bom e agradável. Sem correria, sem stress, com presença, muitos abraços e risadas, que é como eu desejo passar meus 31 e os anos que virão a seguir.

simplee receita | panqueca de banana ❤

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É só olhar o instagram da Simplee para perceber o quanto eu gosto de tomar café da manhã. Acho a refeição mais gostosa do dia, a luz é linda e agradável e o cheiro de café é a melhor coisa do mundo. Então, mais do que um ritual, tomar café da manhã virou uma grande prioridade e na minha rotina. Acordo pelo menos 1h30 mais cedo, só para tomar um café bem demorado e gostoso (e quando não acordo 1h30 mais cedo eu atraso tudo mas não apresso meu café haha).

Na maioria das fotos que eu tiro dos cafés da manhã a panqueca aparece como protagonista. De tão prática e rápida, teve uma época que eu comia panqueca todo dia, mas atualmente eu resolvi guardar ela para os finais de semana e para as ocasiões especiais, mas dependendo, se estiver com muita vontade ou com muitas bananas maduras passando do ponto, faço durante a semana também.

Sempre que eu menciono que como panqueca regularmente, as pessoas me perguntam a receita. Mas nunca consegui passar pois a verdade é que eu sempre fiz de olho e vou variando a receita conforme o que eu tenho disponível em casa. E de tanto perguntarem, resolvi escrever uma receita-base:

Panqueca de banana [versão "gorda" - rende duas panquecas médias ou uma grande]

Ingredientes:

  • 1 banana

  • 1 ovo

  • 1 copo americano de farinha

  • 2 col. de sopa de açucar (se a banana está madura, costumo nem colocar)

  • 1 col. de sobremesa de fermento em pó

  • 2 col. de chá de canela em pó

  • + ou - 1/3 de copo americano de água

  • óleo de coco para fritar

Modo de preparo:

  1. Em uma tigela, amassar a banana com um garfo.

  2. Acrescentar o ovo e mexer

  3. Acrescentar o açucar, a canela e a farinha. Mexer.

  4. Vá acrescentando água aos poucos até que a massa adquira textura.

  5. Acrescente o fermento e mexa o suficiente até que ele seja todo incorporado à massa.

  6. Untar uma frigideira antiaderente com óleo de coco, colocar em fogo baixo e despejar metade da massa na frigideira. Tampe e deixe por alguns minutos até que a massa esteja firme o bastante para virar (+ ou - 2 min).

  7. Vire a panqueca com a ajuda de uma espátula, tampar e deixar por mais 1 min. Se preferir, pode desligar o fogo assim que colocar a massa e deixar a massa cozinhar com o calor da frigideira enquanto você faz outra coisa ou coloca a mesa.

  8. Caso não vá servir imediatamente, ao retirar do fogo, coloque a panqueca em uma grade de confeiteiro (eu uso o descanso de panela de metal que eu tenho aqui) para ela não "suar” no prato.

E pronto! Eu gosto de comer com mel, com doce de leite, com morango, ou pura mesmo, porque ela é uma delícia. Como eu disse, essa é a versão para quem não está de dieta/não tem restrições alimentares. Eu costumo substituir a farinha branca por farinha de aveia ou farinha integral. Dá para usar aveia em flocos finos, dá para fazer sem ovo (misturando bem a banana com a aveia e untando bem a frigideira), dá para acrescentar cacau, chia, nozes, enfim, o que você quiser. Como toda receita, dá para testar e inventar muita coisa. A gente já fez até uma variação com maçã ralada, que fica muito muito boa. E também já usamos beterraba, que fica com uma cor linda.

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Espero que quem leia esse post se anime a fazer a panqueca e que essa delícia possa também fazer parte do seu ritual da manhã.

ver, sentir e agradecer

Hoje passei o dia entre as lãs, as cordas e meus afazeres manuais. Fazia tempo que não fazia isso e fazia tempo que não passava o dia completamente sozinha e pensei bastante. Foi bom pausar.

Pensei no quanto incorporamos das pessoas que passam pelas nossas vidas no que fazemos e somos e no quanto elas agregam às nossas vidas de maneiras tão sutis quanto poderosas. Minha sogra foi uma dessas pessoas. Hoje, enquanto eu dava continuidade a um trabalho que há muito estava parado, fui pensando em todo o impacto que a Kátia teve no meu trabalho aqui na Simplee e na minha vida.

Revisitando agora alguns posts, fica ainda mais evidente o quão grande foi a influência dela aqui. Tem um post muito gostoso em que eu conto sobre os aprendizados que eu tive durante um final de semana que estive na casa dela em 2016. Ali, eu estava querendo que a Simplee fosse esse espaço de experimentação e aprendizado e foi um momento crucial para que eu entendesse o que me movia e importava para mim de verdade.

Mas acho que o maior turning point para mim e para a Simplee foi quando comecei a usar as lãs que ela me deu. Foi a partir deste material, que ora foi a matéria-prima dos trabalhos de tapeçaria que ela fazia, que a Simplee começou a ter uma unidade e a ser realmente única.

Eu me sinto extremamente grata quando eu penso no valor e na carga que está embutida nesse material, que por sorte, veio parar nas minhas mãos. A partir dele e com ele, eu evoluí minhas práticas, tive novas ideias e criei coisas completamente novas. Era tudo que eu precisava e queria.

Por razões óbvias, estou falando aqui apenas sobre a Simplee e como uma pessoa mudou todo o rumo do que eu estava fazendo, mas é só olhar em volta e perceber o quanto dela está presente no meu dia a dia, na minha casa, nos utensílios que usamos diariamente, nas plantas que ela reviveu com o seu “dedo-verde” e é claro, no meu companheiro, com o qual eu escolhi dividir a vida.

É doído (e doido) pensar que as coisas mais essenciais ficam gritantes e evidentes somente quando passamos por uma perda. Não precisava ser assim. É doído que o essencial escape da gente, que a gente se perca tanto e não consiga ver, sentir e agradecer o tempo todo.
Por isso e por tudo, obrigada.

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cestos na decoração

Quando comecei a fazer cestos, me apaixonei pela facilidade, pela autonomia e pela liberdade de produzir como e quando eu quisesse. Fiquei viciada e fui fazendo e descobrindo por mim mesma os melhores jeitos de produzir.

Mas como sempre, em um dado momento, me questionei sobre a utilidade dos cestos e do porquê colocar mais um objeto no mundo. E bom, sobre o porquê de produzir, é porque eu gosto e tenho tentado fazer isso reutilizando materiais, me propondo a comprar o mínimo possível e produzindo no meu próprio tempo.

Ao me questionar se os cestos seriam realmente úteis na vida das pessoas, eu tentei pensar que sim, mas embora eu tivesse alguns cestos na minha casa, não via eles como objetos utilitários de fato, mas mais como algo que você em algum momento ganha ou compra e aquilo vai se tornando um receptáculo de coisinhas que ninguém sabe onde colocar. Mudei de ideia quando fomos visitar nossos amigos em Florianópolis, uma viagem que já quase virou uma tradição de final de ano.

A casa da Iana e o Dudu é uma das mais queridas e aconchegantes que conheço e é incrível como eles conseguiram criar um espaço que reflete tão bem quem eles são. A casa é de uma simplicidade acolhedora e ao mesmo tempo cheia de detalhes e toques pessoais. Parece que nada ali é gratuito ou sem propósito e é desta maneira que os cestos são incorporados à decoração da casa.

Embora já familiarizada com o espaço, nunca tinha realmente prestado muita atenção nos cestos que provavelmente, sempre estiveram ali. Mas depois de começar a produzi-los, meu olhar irremediavelmente se voltou para eles e aqui estão alguns dos exemplares que fotografei pensando justamente em escrever esse post aqui no blog (mais de 8 meses depois!).

experimento: cestas com sacolas plásticas

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Logo quando comecei a procurar vídeos sobre cestaria no Youtube, me deparei com alguns tutoriais que ensinavam a fazer cestas usando sacolas plásticas. E embora estivesse procurando soluções viáveis para começar a produzir levando em conta materiais que tivessem alguma contrapartida de interesse ambiental ou sustentável, não me senti muito atraída por este material e optei por começar o aprendizado através das cordas, primeiro de algodão e depois de sisal. 

Mas fiquei com vontade de dar uma chance para as sacolinhas, principalmente depois daquela semana em que aquela capa da National Geographic sobre plástico estava em todo lugar. Também pudera, né? São imagens bem terríveis como esta que fazem a gente levar um chacoalhão e repensar muitos dos nossos padrões de consumo, que já damos como certos, de tão enraizados que estão à nossa rotina. 

As sacolinhas de plástico são um belo exemplo desse tipo de coisa, que faz parte da nossa vida e a gente nem questiona o porquê. Eu mesma tenho muitas aqui em casa, de quando vou fazer compras e esqueço de levar ecobags. E por isso, resolvi testar o uso desse material na confecção de cestos.

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E deu certo! É claro que este foi um teste e que pude notar várias coisas que faria diferente em uma segunda oportunidade, mas acho que foi um teste bem-sucedido. Optei pela lã pois acho que o barbante é um material que não se comportaria tão bem com o plástico, que percebi depois ser mais escorregadio do que parece para trabalhar.

Uma questão que eu deveria pesquisar nos vídeos de tutorial disponíveis é a emenda de uma sacolinha na outra, pois mesmo quando se dobra a cesta igualmente, algumas partes têm menos volume de plástico que outras, o que resulta em uma diferença de espessura ao longo do "rolinho" que dá forma à cesta. Então o melhor a se fazer é emendar a parte com menos volume da sacola com a parte de maior volume, para tentar manter o "rolinho"uniforme. 

Outro aspecto que faz com que as espessuras ao longo da cesta variem é a força que se coloca ao apertar a lã em volta do "rolinho" de plástico. Ao contrário da corda de sisal, que é dura e se sustenta por si só, o plástico é bem maleável, o que resulta em uma variação grande de espessura caso você aperte demais ou de menos. 

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Questões à parte, tenho mais um experimento para compor a coleção de objetos-experimentos que vão ficando pela casa e gosto de como cada um deles me lembra uma fase da minha vida ou da Simplee. 

domingo

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A vontade de escrever sobre o domingo veio quando este já estava batendo as botas, depois de comer uma pizza maravilhosa (um ritual nosso de domingo) no sofá, assistindo Friends. Já era tarde quando me levantei dali e deixei para escrever de manhã. Que engano! Teria que acordar uma hora mais cedo, coisa que nunca faço e bom, o tempo passou e agora já é quinta-feira. 

É raro ficarmos em casa ou não termos algum compromisso nos finais de semana e tirando as horas de sono, fico muito mais tempo fora do que dentro de casa, o que faz com que eu queira aproveitar cada segundo de sossego na minha casinha.

Curioso pensar em como a gente valoriza muito as coisas que não nos são fáceis, que nos custam algo. É aquele clichê de "só valoriza depois que perde" e nesse caso, não perdi nada, mas o tempo que eu tenho para curtir minha casa e fazer minhas coisas é bem escasso. 

Por isso tenho cultivado os pequenos rituais que me deixam feliz que vão desde o café demorado de manhã (o que eu tento repetir ao longo da semana, que é meu momento-domingo de todos os dias), até a pizza de fermentação natural no final da noite. 

Gosto em especial de prestar atenção nos detalhes e sensações que acabam me escapando na velocidade em que passa a semana: a fumacinha em espiral que sobe quando a água encontra o pó de café; o cheirinho da panqueca de banana; os brotinhos novos das plantas (quando estas vão bem); a luz da tarde que bate na sala de um jeito que eu nunca vejo pois não costumo estar em casa neste horário e que é bem diferente do jeito que irá bater no inverno. 

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Olho para a minha casa e fico feliz, quase não acredito que eu moro aqui. E penso que eu posso não passar tanto tempo nela quanto eu gostaria ou acho ideal, mas de modo geral, quando estou aqui, eu estou aqui, sabe? Não quero estar em nenhum outro lugar. Sei como é não estar de verdade onde se está, com a cabeça a mil, distraída e acho que é por isso que para mim, estar presente percebendo o que me faz feliz, já é maravilhoso.

deixando de lado o "eu deveria"

minha mesa, enquanto escrevia esse post nos 20 minutos que me restam antes de estar atrasada para pegar o ônibus.

minha mesa, enquanto escrevia esse post nos 20 minutos que me restam antes de estar atrasada para pegar o ônibus.

Às vezes sinto como se o tempo estivesse escorrendo pelos meus dedos. Tem semanas que os dias passam como uma manada por cima de mim e quando eu me dou conta, já é sexta outra vez. Esta última semana por exemplo, eu mal consegui tocar na cesta que comecei no final de semana passado. Esse tipo de coisa me deixa muito frustrada. 

Se você assim como eu precisa sair de casa todos os dias, perde umas 2h de deslocamento e faz uns malabarismos para continuar se dedicando aos projetos paralelos, além de fazer as coisas de casa (e quem tem filho então?), pode ser pegar repetindo para si mesma o "eu deveria".

Eu deveria conseguir me organizar para levar uma marmita saudável todos os dias, eu deveria ter tempo de tomar um banho de banheira, limpar a casa e ainda fazer um pouco dos meus trabalhos manuais, escrever no meu blog e responder emails. Eu deveria ter tempo de durante a semana ir ao cinema, ver um amigo ou assistir à uma palestra, sem contar conseguir ver a família nos finais de semana. O "eu deveria" fica ali martelando incessantemente.

Parece uma tarefa impossível fazer tudo isso e às vezes é de fato. Por isso eu tento pensar em coisas que fazem eu me sentir melhor quando bate o combo cansaço/frustração/não estou fazendo tudo que gostaria:

1. Mentalizar ou escrever uma lista das coisas que eu já fiz durante a semana. Seja o dia da semana que for, pensar em tudo que eu já fiz no trabalho, em casa, na vida pessoal e nos meus projetos paralelos me dá uma perspectiva muito boa de mim mesma. Esse exercício faz com que o "eu deveria ____" dê lugar ao "esta semana eu já ____". E pode apostar, é só completar a frase com as coisas que você já fez nos últimos dias para sentir um orgulho/bem-estar instantâneo. (Vou fazer essa lista da minha semana agora inclusive, estou precisando!) 

2. Fazer uma coisa de cada vez. Eu já me vangloriei por conseguir fazer muitas coisas ao mesmo tempo mas quem se acha o "multitask" sabe que a sensação de estar fazendo tudo e nada direito é bastante incômoda. Então o melhor é se concentrar e tentar terminar o que se começou. No trabalho eu tenho mais dificuldade com isso pois é tanta coisa que às vezes eu pulo de uma coisa pra outra sem terminar nenhuma. O que eu tenho tentado implementar pra mim mesma é fazer uma tarefa, concluir e me dar uma "mini-gratificação", como levantar para ir tomar café ou pegar uma água por exemplo. Até que tem funcionado. 
*PS: enquanto estava escrevendo isso agora parei para me arrumar, ajudar o companheiro que estava fazendo tudo sozinho e colocando a roupa de cama para lavar e ainda sequei o cabelo! Nem sempre a teoria se aplica. :(

3. Estar presente. Tão simples e tão difícil de se colocar em prática. Ficar presente parece óbvio e é o que não falta são artigos e pessoas falando sobre isso. Mindfulness, meditação, respiração, o poder do agora. A gente fala, fala mas se estivéssemos todos aplicando de fato o que lemos e vemos não estaríamos ansiosos, não estaríamos nos cobrando, enfim, não teríamos problemas e eu não estaria aqui escrevendo sobre a frustração que eu sinto quando parece que as coisas não andam. 
Pra mim, estar presente é prática. E é treinando um pouco por vez que consegui sentir alguma melhoria em mim mesma. Hoje em dia consigo me sentir presente em diversos momentos, consigo me observar e sentir que está tudo bem quando nada está acontecendo, quando eu só costumava prestar atenção em mim mesma quando algo ia mal ou quando as coisas estavam me incomodando. E é treino. Lembrar de respirar de vez em quando e estar bem e presente quando se está fazendo café ou no ônibus. Isso me ajuda bastante a abandonar o "eu deveria". 

4. Anotar os pensamentos. Anotar ideias, pensamentos, insights, mesmo que não dêem em nada, me dão um alívio enorme. Pensamentos perdidos me dão agonia e me deixam ansiosa. Colocar no papel ajuda a gente a sentir um pouco de que estamos dando um passo em direção à "concretude" de uma coisa. Então, em vez de achar que eu penso um monte de coisas, que tenho várias ideias e não estou concretizando nada, melhor anotar e deixar as coisas "marinarem" um pouco. Uma hora sai. 

5. Imperfeito é melhor que não feito. Fazer alguma coisa, seja ela uma tarefa de casa ou uma cesta, seja lá como for, é melhor do que não fazer coisa alguma. Não me importa se estou fazendo menos de 1 cesta por semana ou se algo não saiu como eu queria ou pensava, fazer é sempre melhor que não fazer. Já perdi muito tempo achando que não era capaz das coisas, esperando o melhor curso aparecer para então enfim aprender e saber algo, mas esse "eu" é passado.

Concluindo, o melhor é fazer. Fazer uma coisa de cada vez, estando presente e mentalizando tudo de bom que já fiz e estando grata pela possibilidade de fazer e pensar tudo isso.

o desafio de se usar o que tem (stash less)

meu estoque lá em 2016. olha quanto barbante eu ainda tinha! as linhas estão todas aqui ainda, mas várias dessas coisas já se foram ou ganharam um novo uso. bom, né?

meu estoque lá em 2016. olha quanto barbante eu ainda tinha! as linhas estão todas aqui ainda, mas várias dessas coisas já se foram ou ganharam um novo uso. bom, né?

Muita gente não sabe mas em novembro de 2016, me lancei o desafio #usaoquetem (clica no link, que eu explico de onde veio essa ideia), em que eu me desafiava a usar majoritariamente matérias que eu já tinha em casa para produzir minhas coisas. 

A produção da Simplee até aqui se baseou neste princípio, de evitar comprar matérias primas e usar o que já tinha disponível. Com o passar do tempo, deixei de divulgar esta característica do meu trabalho, mas nunca deixei de praticar, continuo usando o mesmo barbante, as lãs que estavam estocadas na casa da minha sogra por anos e anos, os tecidos aos poucos vão ganhando novos usos.

O desafio #usaoquetem foi uma maneira que encontrei de ser mais consciente na minha produção além de evitar o acúmulo e pensar mais nas minhas escolhas, principalmente no que diz respeito à compra de materiais. 

Quando fui visitar meus amigos em BH no Carnaval, a Erica me mostrou o desafio #stash_less, do blog The Craft Sessions, que me fez lembrar e muito do meu #usaoquetem. Até a foto lembrava bastante a que eu usei! 

Ao ler o blog vi como eu fui negligente quanto ao propósito do meu desafio e que tem muita gente levando a sério uma questão que eu, por achar que ninguém estava ligando, deixei de falar sobre. Bobagem né? Foi bom que eu fiquei com isso mais claro para mim e tive mais clareza de que eu deveria sim, falar mais sobre isso por aqui e nos meus posts do Instagram. 

Sigo comprando quase nada de material, atualmente só a corda de sisal, que uso como base das cestas, e os fechos e couro utilizados para fazer os acabamentos dos colares. Os barbantes seguem quase os mesmos de 1 ano e meio atrás, as lãs também, que são os materiais que tenho usado mais. 

As linhas de bordado estão aqui, aguardando a febre do bordado voltar e os tecidos vão sendo usados aos poucos. Espero usar até o algodão mais simples para fazer alguns paninhos de copa e capinhas para os cestos. Agora em janeiro usei um tecido listrado (que aparece ali embaixo da pilha de tecidos na foto e que eu tenho há mais de 6 anos!) em uma encomenda muito fofa que fiz para uma colega de trabalho. 

Uma boa meta para 2018: divulgar mais meus propósitos e objetivos e compartilhar mais aqui no blog e em outras redes como eu tenho desenvolvido meu trabalho usando o que tenho.

processos e começos

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Separei essas fotos que tirei entre o dia 31 de dezembro e 4 de janeiro para escrever sobre o processo de se fazer uma cesta. 

Normalmente este processo é bem tranquilo e gostoso, por isso faço cestas em horários de descanso, porque eu realmente sinto que é um descanso. 

Como o tempo normalmente é escasso, toda oportunidade e tempo livre que eu tenho, (e se cabe no momento, claro) estou fazendo cestas. Caso esteja fora de casa, como foi o caso no ano novo, eu coloco os materiais todos numa sacolinha e levo comigo. 

Fazendo cesta na casa da  Iana  e do Dudu, onde passamos o ano novo. Chá, boas companhias e trabalhos manuais: melhor combinação não há. :)

Fazendo cesta na casa da Iana e do Dudu, onde passamos o ano novo. Chá, boas companhias e trabalhos manuais: melhor combinação não há. :)

Esta é uma coisa maravilhosa das cestas e se adapta muito à minha vida hoje: o fato de elas serem portáteis durante o processo (ou quase sempre portáteis). Além disso, eu dependo só das minhas mãos, da corda, do fio e da agulha. Essa liberdade e independência são qualidades que me ganharam nesse processo de aprender a fazer cestos. 

Já fiz cestos durante uma viagem de ônibus e às vezes eu faço cestos enquanto estou conversando com alguém, o que é mais raro, mas acontece. O mais comum é fazer enquanto meu namorado vê jogos de basquete ou quando estamos assistindo (eu no caso, quase só ouvindo) Masterchef.

E foi isso que eu fiz nos dias de descanso que seguiram a passagem do ano, descansei muito, conversei, gargalhei, comi bastante e terminei uma cesta. Acho que foi um dos melhores e mais tranquilos começos de ano que já tive. 

a primeira cesta do ano!

a primeira cesta do ano!

E começar o ano bem é uma coisa muito boa, não é?

os trinta

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Agora eu tenho 30! E escrevi sobre essa data em meio a uma retrospectiva de final de ano no meu recém-inaugurado Medium. Fico sempre um pouco confusa sobre onde e o que postar as coisas. Confundo o Instagram pessoal com o da Simplee (que é o mais ativo) e aqui no blog é a mesma coisa. Acabo tendo vontade de escrever sobre coisas que não tem a ver com o trabalho que desenvolvo na Simplee.

Já tive um blog meu, o mimetismo defensivo, que passou por inúmeras fases, mas esse eu parei mesmo de usar (inclusive fui olhar ele agora e tem coisa boa lá. lembrei porque não deletei ele ainda), então resolvi escrever sobre os 30 e os aprendizados do ano ali no Medium mesmo.

Acho que escrever sempre esteve presente em mim, então continuarei escrevendo em vários ou em um só lugar sobre tudo que der vontade. 

arranjo de natal

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Algo que fazemos aqui em casa todo Natal é pensar a decoração da mesa no mesmo dia da ceia. Nunca temos nada planejado mas ainda assim, eu e a minha mãe sempre acabamos pensando em algo. 

Não me lembro de pensar nisso quando criança, mas acho que de uns 10 anos pra cá, eu comecei a me preocupar mais com isso. É uma preocupação do tipo boa, daquelas que gostamos de ter. 

E uma mesinha arrumada dá gosto de ver, né? Não precisa ser nada muito grandioso e no caso aqui de casa sempre foi tudo muito simples. Nem todo mundo repara, a maioria não dá bola, bagunça tudo em quinze minutos mas eu gosto mesmo assim. 

Teve ano que a gente comprou uns enfeites prontos e não muito duráveis, com pinhas douradas e castiçais feios, teve ano que eram só velinhas, depois veio o advento do Pinterest, onde eu olhava uns arranjinhos com vidros, aquela coisa toda bem pouco brasileira que eu adaptava com o que eu tinha em mãos. E tiveram variações: vidro com pedra, vidro com vela, vidro com mato e água, vidro com frutinhas e deve ter tido mais coisa que eu não lembro. 

De uns tempos pra cá peguei um bode gigante do Pinterest e ano passado a gente nem estava em casa e lembro de ter tentado improvisar algo com alguns galhos que achei em volta da casa onde estávamos. 

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Mas enfim, este ano fui atrás de presente de última hora e precisava comprar uma toalha ou um tecido que cobrisse a mesa grande que fica lá fora, onde recebemos sempre as pessoas nessas ocasiões.

Nenhuma loja de tecidos aberta e conhecendo a família que eu tenho, optei por levar essa toalha de material plástico bege com detalhes meio perolados e foi a melhor escolha. Caiu vinho, caiu refrigerante, cerveja, comida e ela continuou linda, perfeita para a maratona de festas, churrascos e encontros que se seguem a partir do Natal. 

Atordoada com o sol quente, fiquei perambulando meio sem rumo pelo Centro (aqui de São José dos Campos) e entrei no Mercado Municipal, onde comprei essa cestinha que há tempos namoro. Não sabia se usaria, mas resolvi levar mesmo assim. 

Chegando em casa minha mãe já tinha feito alguns arranjos de frutas e nozes em pratos e eu, ela e meu irmão saímos para pegar mais coisas pois segundo ela, "faltava um verdinho". Essa é uma coisa que a gente faz bastante, andamos pelo condomínio e ficamos catando as frutas da época nas árvores que tem por aqui.

Agora pelo visto é época de carambola. Acerola vejo em outras épocas e agora também tinha bastante. E o nosso arranjo foi esse: carambola, frutas e galhos de acerola, só. E eu gostei tanto dele!

Acho que os arranjos de mesa daqui de casa são como tudo o que a gente faz na vida. Quando a gente não quer ser ninguém além da gente mesmo, quando não temos a pretensão de parecer com nada nem com ninguém e só faz o possível com o que tem ao nosso alcance, não tem erro: o resultado não pode ser nada além de algo único e especial. 

(e eu não sei como escrevi tanto a partir de um arranjo de mesa haha mas só foi.)

feira do último sábado ou lidando com as expectativas que criamos sobre nós mesmos

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Se passaram oito meses desde que participei da última fêra féra. Fiz a conta agora nos dedos e mal acreditei quando terminei de contar, afinal oito meses é bastante coisa! É mais que meio ano, é tempo pra caramba! 

Bom, muita coisa aconteceu nesse meio tempo: comecei a trabalhar fixo, mudei de casa, continuei a fazer cestas, recebi amigos em casa, assumi de vez que parei de fazer os concretos e fui prometendo para mim mesma que no final do ano participaria de uma feira. 

Na minha cabeça era um ótimo plano, pois até o final do ano eu teria produzido bastante, teria colocado em prática várias ideias e teria um monte de novidades para mostrar. Nem preciso terminar o parágrafo para ficar claro que nem tudo correu como eu esperava, né? 

O que eu consegui produzir, eu documentei no instagram da Simplee e não foi muito mesmo. As cestas levam bastante tempo para serem feitas e as faço durante a noite. Subtraindo o tempo de comer (e eu gosto muito de valorizar esse sagrado momentinho), conversar, encontrar amigos, fazer alguma coisa da Piscina e dormir, não sobram mais do que algumas horinhas por semana. 

Até aí tudo bem, acho que cada um tem seu ritmo e eu estou (aparentemente) bem com isso. Gosto de levar as coisas desse modo, com a produção sendo parte da minha vida e não o centro absoluto dela. Acho que a questão está no que eu esperava ter feito ou realizado até o final do ano. 

As ideias costumam marinar um pouco na minha cabeça até que eu consiga de fato colocá-las em prática e mesmo que demore, acho super importante conseguir realizar pelo menos uma parte do que eu estava pensando. Dá uma sensação boa, sabe? Então por mais que tome tempo, acho gratificante chegar a esse lugar em que o pensamento toma forma e você pode ver o que funciona e o que só funcionava mesmo no plano da teoria. 

E bom, na teoria eu teria produzido muitas coisas novas, teria muitas peças e seria ótimo. Foi chegando o final do ano e eu vi que não ia rolar e eu já tinha me conformado em deixar isso pra lá. "Paciência, participo no ano que vem".

Até que a Renata, que faz pães deliciosos e sempre era uma pessoa agradável de encontrar nas feiras, me perguntou se eu queria dividir um espaço na próxima fêra féra. Assim economizaríamos na taxa de participação, eu teria um espaço proporcional à minha produção e participaria da feira, o que é ótimo, pois ficar sumida por muito tempo não faz bem nem para as mais bem-sucedidas das marcas, né?

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Fiz algumas cestas (quatro, para ser mais precisa) com esse foco de feira. Vendi uma das maiores neste interim e fui deixando para produzir os colares de lã que eu tinha pensado mais pra frente, tão pra frente que eles quase não saíram. Porque né? Sempre tem algum compromisso, ou alguém vem visitar ou é viagem que aparece e as coisas vão se arrastando.

Não comprei sacolinhas, nem mandei imprimir mais cartões. Fui com o que eu já tinha de meses atrás e produzi alguns colares alguns dias antes e na madrugada anterior à feira. Nesta mesma noite, separei tudo que eu tinha, inclusive as produções antigas para levar. 

E eu fiquei feliz, sabe? Olhei tudo, achei tudo ótimo. Adorei meus colares novos e deixei tudo pronto para o dia seguinte, ou quase tudo. De manhã tomei meu habitual café demorado de sábado e fui finalizar algumas tags e precificar as peças. Nisso, me atrasei, sai correndo e cheguei quase 1h depois do horário devido. 

Me senti amadora e arrumei minha mesa às pressas. Que despreparo. Senti quase como se estivesse bancando a displicente perante aquelas pessoas que estavam ali, como se eu não estivesse levando tudo a sério como deveria, afinal "eu não vivo disso" e estou aqui como um plus.

Esta sensação, de que eu praticamente não merecia estar ali me deixou insegura. As minhas coisas ali organizadas às pressas na bancada não me pareciam tão boas como na noite anterior, parecia um trabalho inacabado. Meus colares novos não eram tão bons assim como eu pensava, "as pessoas preferem os de concreto que não faço mais" eu me dizia. 

Será que eu falaria ou pensaria algo assim de alguém? Por que eu tenho que ser tão cretina comigo mesma? Eu não sei. Que loucura é se deixar levar por estes pensamentos. Precisei de alguns dias de distanciamento para poder ver como eu estava me torturando dentro da minha cabeça, como eu estava desmerecendo tudo o que eu fiz e faço só porque esse não é meu "ganha  pão", só porque eu não faço "só isso". 

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Mas essa insegurança, esse sentimento de desmerecer algo me fez pensar sobre mim mesma, sobre a Simplee e sobre o que ela é afinal. Me senti quase no mesmo lugar que eu estava há 1 ano, quando eu durante o ano novo estava buscando o sentido da Simplee, pensando em como fazer dar certo, ansiosa pela nova comunicação visual que estava por vir. Essa ânsia de fazer algo, de buscar sentido, de querer chegar a algum lugar e "dar certo", seja lá o que isso signifique. 

É bom repensar o que você faz, é bom identificar os sentimentos e os pensamentos e não só levar a vida e produzir a toque de caixa. E eu estou nesse momento, de rever o propósito, o que me move, o que eu valorizo e o que eu quero ser e o que eu quero que a Simplee seja. 

E sabe? às vezes me vem alguns vislumbres do que é esse lugar para onde estou indo. É engraçado pensar que talvez estes vislumbres do que eu quero e do que seria meu "propósito" sempre estiveram presentes, de maneira tímida, escondida, tentando se encaixar em coisas que eu achava que deveria ser ou fazer, mas que estão aqui desde sempre. E o mais legal é que meus caminhos, experiências e processos só acrescentam a tudo isso.

Bom, vou marinar estes pensamentos e espero logo poder conectar tudo com um fio que faça sentido e que depois eu possa desenrolar por aqui através de palavras. 

 

preciso falar sobre os concretos

Quem acompanha a Simplee no Instagram com certeza já percebeu que deixei de produzir objetos de concreto e aqui no site isso já está mais explícito mas faz tempo que gostaria de escrever sobre aqui no blog. 

vasos cubos

vasos cubos

A Simplee começou dos objetos de concreto, que nasceram depois de uma longa gestação de quase 2 anos. Quando penso no tempo que demorei para de fato fazer o que eu queria, fico um pouco pasma. E os motivos da demora são sempre os mesmos: ainda não está bom, precisa aprimorar, não tenho materiais, não tenho espaço, precisa melhorar, não é a hora certa, etc.

Fora isso, teve ainda todas as motivações para se fazer que não foram lá as melhores. Em 2014, eu tinha acabado de encerrar uma sociedade de uma marca de acessórios em madeira (tinha muita dificuldade em falar sobre isso mas hoje em dia tenho orgulho de tudo que consegui construir naqueles anos e se alguém quiser ver, está aqui) e eu queria a todo custo, estar bem, fazer algo meu e ser reconhecida por isso.

Cada um sabe das suas motivações para se fazer algo e eu sei que as minhas não eram as melhores naquele 2014, 2015 (que anos!). Quando a Simplee nasceu, estava também em um momento bastante conturbado da minha vida mas era isso que eu tinha em mãos, eu tinha tempo, tinha possibilidades e vontade de mudar, de andar pra frente, de me conhecer e de crescer com as experiências.

E acho que isso muda bastante as coisas, esse foco estar mais em você e em querer melhorar como pessoa e não só nas coisas que você faz (li sobre isso esses dias e só agora fez mais sentido!). Relembrar essas circunstâncias, me faz pensar que o começo da Simplee foi muito feliz apesar de tudo que estava acontecendo. 

estréia da simplee na fêra féra, 2016. sorrio por dentro ao olhar essa mesinha.

estréia da simplee na fêra féra, 2016. sorrio por dentro ao olhar essa mesinha.

De 2014, quando ainda morava em Florianópolis até sair de fato os concretos, no comecinho de 2016, obviamente já tinha 95789793 pessoas fazendo objetos de concreto e os objetos da Simplee, apesar de muito caprichados e bem acabados, não eram nenhuma novidade. Comecei a caprichar ainda mais, refiz os moldes, coloquei acabamento de couro nos vasos, adicionei cores, fiz acessórios lindos e os quais ainda adoro e as pessoas gostaram bastante também. 

produção de acessórios simplee, 2017

produção de acessórios simplee, 2017

O lance é que quando eu sinto que algo se esgota, eu preciso de um tempo. Não me vem nenhuma ideia de como trabalhar com o concreto de maneira diferente e quando se trata de trabalhos manuais a ideia de repetir a mesma fórmula por muito tempo não me atrai, então acho que por enquanto posso dizer que não faço mais objetos de concreto.

Pode ser que eu volte a fazer alguma coisa de concreto num futuro próximo, mas no momento presente, estou muito feliz fazendo as minhas cestas e com a motivação de ser algo meu e que eu faço porque é gostoso de fazer. É devagar, é leve e é bom. Já pensei e penso em como transformar as cordas e lãs em acessórios e eu gosto disso, de estar fazendo algo que me faça pensar em possibilidades. 

cestos de barbante simplee, novembro de 2017.

cestos de barbante simplee, novembro de 2017.

E é isso. Quando eu quis fazer uma nova identidade visual para a Simplee, no começo deste ano, eu queria abraçar justamente essa postura aberta diante das possibilidades, a experimentação e acho que a Simplee me ensinou essa condição. Mesmo trabalhando, mesmo com a Piscina, é aqui onde eu solto meu 'eu' artesão, experimental, e caseiro, meu eu mais presente.  E estou bem aqui. :)

pão, pizza e cesta

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O primeiro feriado de novembro passou voando. Recebemos amigos em casa, passeamos bastante, comemos um outro tanto e quando tinha um tempinho em casa, eu fiz cesta.

Nosso amigo trouxe de presente um levain, um fermento vivo que você tem que ir alimentando toda semana e que dá para ir usando infinitamente para fazer pães e pizzas. Eu não sou a padeira da casa, mas fiquei feliz com a empolgação dos meninos e mais ainda quando tinha esse pão maravilhoso, quentinho e cheiroso na mesa do café. Sério, poderia comer infinitamente. 

Uma das coisas boas de receber amigos é ter a desculpa perfeita para fazer todos aqueles passeios que você acha legal mas nunca vai ou mesmo para visitar novamente seu lugares favoritos. 

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De noite, já bem cansados em casa, enquanto colocava o papo em dia e esperava para comer alguma delícia, lá estava eu, enrolando a lã na corda de sisal.  É mesmo um vício.

Na última noite juntos, colocamos o levain para trabalhar em algumas pizzas e constatamos que embora as pizzas que fizemos até aqui sejam muito boas, uma pizza com massa de fermentação prolongada, é realmente muito melhor. 

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Por fim, no domingo fiz tudo que mais gosto: tomei um café da manhã longo, arrumei a casa e cuidei das plantas, assisti a um documentário bem legal e terminei minha cesta.

A semana começou com um sentimento de contentamento tranquilo e a manhã de segunda-feira foi bem produtiva e consegui inclusive tirar fotos da cesta nova antes de sair para o trabalho: 

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Fiquei feliz em ver em que 10m de corda podem se tornar. E já quero começar outra. :)

sim e não

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Estou há algum tempo sem escrever e compartilhar coisas aqui na Simplee, embora esteja sempre (ou quase sempre compartilhando o que tenho produzido ali no Instagram). Acho que é normal a gente não ter vontade de compartilhar nada de vez em quando e eu estava/estou em uma fase dessas. Se compartilha tanto sobre tudo hoje em dia que às vezes eu não vejo sentido em nada. 

Mas fases niilistas à parte, embora eu não esteja com a produção a todo vapor ou compartilhando muitas coisas aqui no blog, sinto que apesar do trabalho full time que me toma bastante energia e tempo (mas que no entanto tenho gostado bastante), esta tem sido a fase em que eu mais tenho "vivido" de fato. 

Tenho dado muito mais atenção às coisas enquanto elas estão acontecendo e parece que estou aplicando o que eu sempre disse ser a inspiração para tudo o que eu faço e fiz até aqui. Tenho curtido minha casa, cozinhado, regado as plantas e saído com razoável frequência. Tem sido corrido, confesso. Mas tem sido bom. 

E mesmo "correndo" e não tendo tempo de produzir como antes, tenho tido muito mais clareza do que eu quero nesse momento, dos rótulos que eu tentava me encaixar e que não me servem mais. Estou aprendendo a me escutar mais e a falar não para o que eu realmente quero dizer não. E nossa, isso traz uma paz incrível. 

Aprender a dizer não pode ser um grande sim pra você mesmo. E no meu caso, dizer 'não' para um monte de compromissos e cobranças que eu mesma me impunha, me fez dizer 'sim' para a vida, para mim mesma e para os momentos que eu estou vivendo agora. 

 

 

os momentos simples

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Acho que o café da manhã é minha refeição favorita, embora eu goste muito de todas. Adoro o cheiro de café sendo coado na hora e como ele se apossa da casa. Adoro panqueca de banana, crepioca, tapioca, pão na chapa, granola e um suquinho de laranja para completar. 

A Simplee nasceu tendo isso em mente, esses momentos que são de certa forma comuns e simples, mas únicos e valiosos. Eu queria que os objetos que eu criasse através da Simplee fizessem parte desse sentimento e que fossem como lembretes do que realmente importa. 

Hoje eu acho que a Simplee está muito além de produzir algum produto. Ela é para mim esse lembrete que eu queria que os objetos fossem na vida das pessoas. O lembrete de estar aqui e agora. 

centro de mesa (ou a mesa mais bonita do mundo)

O final de semana rendeu tanto! No sábado fiz ótimas compras num brechó, passeei no centro, compramos coisas pra casa que estavam faltando, limpamos, colocamos o master chef em dia, fiz uma pipoca perfeita e terminei essa cesta/centro de mesa. 

No domingo, entre o café da manhã e a ida a feira fiz essas fotos e já constatei que esse vai ser meu local favorito para tirar fotos. :) 

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Essa cesta eu comecei antes da mudança e fiz com um resto de corda que eu tinha bem contado e fiquei com receio de que não desse para fazer ela inteira do tamanho que eu queria, mas deu certinho a quantidade. Gostei de fazer um formato mais aberto, como a primeiríssima cesta que eu fiz. 

Enfim, fiquei bem contente com esta cesta. E devo dizer: ela ficou linda no tampo novo que mandamos fazer para a mesa. Eu realmente estou muito feliz de ter finalmente feito o que eu queria com a minha mesa de mais de 11 anos.

Esta mesa me acompanhou durante toda a faculdade, viu muito trabalho ser feito de madrugada, muito estilete cortando isopor, muitas jantas e cafés longuíssimos e pelo menos umas 6 mudanças. Mantive os pés brancos originais dela, super firmes e bons e mandei fazer esse tampo de teca. Era o que eu queria ter feito há mais de dois anos quando me mudei para São Paulo, mas só agora consegui realizar. Tem coisa que demora, mas quando a gente quer, uma hora ela vem. :)

Um dia coloco foto dela inteira por aqui, mas por enquanto, fica certo que este vai ser meu cenário de fotos daqui pra frente!