domingo

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A vontade de escrever sobre o domingo veio quando este já estava batendo as botas, depois de comer uma pizza maravilhosa (um ritual nosso de domingo) no sofá, assistindo Friends. Já era tarde quando me levantei dali e deixei para escrever de manhã. Que engano! Teria que acordar uma hora mais cedo, coisa que nunca faço e bom, o tempo passou e agora já é quinta-feira. 

É raro ficarmos em casa ou não termos algum compromisso nos finais de semana e tirando as horas de sono, fico muito mais tempo fora do que dentro de casa, o que faz com que eu queira aproveitar cada segundo de sossego na minha casinha.

Curioso pensar em como a gente valoriza muito as coisas que não nos são fáceis, que nos custam algo. É aquele clichê de "só valoriza depois que perde" e nesse caso, não perdi nada, mas o tempo que eu tenho para curtir minha casa e fazer minhas coisas é bem escasso. 

Por isso tenho cultivado os pequenos rituais que me deixam feliz que vão desde o café demorado de manhã (o que eu tento repetir ao longo da semana, que é meu momento-domingo de todos os dias), até a pizza de fermentação natural no final da noite. 

Gosto em especial de prestar atenção nos detalhes e sensações que acabam me escapando na velocidade em que passa a semana: a fumacinha em espiral que sobe quando a água encontra o pó de café; o cheirinho da panqueca de banana; os brotinhos novos das plantas (quando estas vão bem); a luz da tarde que bate na sala de um jeito que eu nunca vejo pois não costumo estar em casa neste horário e que é bem diferente do jeito que irá bater no inverno. 

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Olho para a minha casa e fico feliz, quase não acredito que eu moro aqui. E penso que eu posso não passar tanto tempo nela quanto eu gostaria ou acho ideal, mas de modo geral, quando estou aqui, eu estou aqui, sabe? Não quero estar em nenhum outro lugar. Sei como é não estar de verdade onde se está, com a cabeça a mil, distraída e acho que é por isso que para mim, estar presente percebendo o que me faz feliz, já é maravilhoso.

deixando de lado o "eu deveria"

 minha mesa, enquanto escrevia esse post nos 20 minutos que me restam antes de estar atrasada para pegar o ônibus. 

minha mesa, enquanto escrevia esse post nos 20 minutos que me restam antes de estar atrasada para pegar o ônibus. 

Às vezes sinto como se o tempo estivesse escorrendo pelos meus dedos. Tem semanas que os dias passam como uma manada por cima de mim e quando eu me dou conta, já é sexta outra vez. Esta última semana por exemplo, eu mal consegui tocar na cesta que comecei no final de semana passado. Esse tipo de coisa me deixa muito frustrada. 

Se você assim como eu precisa sair de casa todos os dias, perde umas 2h de deslocamento e faz uns malabarismos para continuar se dedicando aos projetos paralelos, além de fazer as coisas de casa (e quem tem filho então?), pode ser pegar repetindo para si mesma o "eu deveria".

Eu deveria conseguir me organizar para levar uma marmita saudável todos os dias, eu deveria ter tempo de tomar um banho de banheira, limpar a casa e ainda fazer um pouco dos meus trabalhos manuais, escrever no meu blog e responder emails. Eu deveria ter tempo de durante a semana ir ao cinema, ver um amigo ou assistir à uma palestra, sem contar conseguir ver a família nos finais de semana. O "eu deveria" fica ali martelando incessantemente.

Parece uma tarefa impossível fazer tudo isso e às vezes é de fato. Por isso eu tento pensar em coisas que fazem eu me sentir melhor quando bate o combo cansaço/frustração/não estou fazendo tudo que gostaria:

1. Mentalizar ou escrever uma lista das coisas que eu já fiz durante a semana. Seja o dia da semana que for, pensar em tudo que eu já fiz no trabalho, em casa, na vida pessoal e nos meus projetos paralelos me dá uma perspectiva muito boa de mim mesma. Esse exercício faz com que o "eu deveria ____" dê lugar ao "esta semana eu já ____". E pode apostar, é só completar a frase com as coisas que você já fez nos últimos dias para sentir um orgulho/bem-estar instantâneo. (Vou fazer essa lista da minha semana agora inclusive, estou precisando!) 

2. Fazer uma coisa de cada vez. Eu já me vangloriei por conseguir fazer muitas coisas ao mesmo tempo mas quem se acha o "multitask" sabe que a sensação de estar fazendo tudo e nada direito é bastante incômoda. Então o melhor é se concentrar e tentar terminar o que se começou. No trabalho eu tenho mais dificuldade com isso pois é tanta coisa que às vezes eu pulo de uma coisa pra outra sem terminar nenhuma. O que eu tenho tentado implementar pra mim mesma é fazer uma tarefa, concluir e me dar uma "mini-gratificação", como levantar para ir tomar café ou pegar uma água por exemplo. Até que tem funcionado. 
*PS: enquanto estava escrevendo isso agora parei para me arrumar, ajudar o companheiro que estava fazendo tudo sozinho e colocando a roupa de cama para lavar e ainda sequei o cabelo! Nem sempre a teoria se aplica. :(

3. Estar presente. Tão simples e tão difícil de se colocar em prática. Ficar presente parece óbvio e é o que não falta são artigos e pessoas falando sobre isso. Mindfulness, meditação, respiração, o poder do agora. A gente fala, fala mas se estivéssemos todos aplicando de fato o que lemos e vemos não estaríamos ansiosos, não estaríamos nos cobrando, enfim, não teríamos problemas e eu não estaria aqui escrevendo sobre a frustração que eu sinto quando parece que as coisas não andam. 
Pra mim, estar presente é prática. E é treinando um pouco por vez que consegui sentir alguma melhoria em mim mesma. Hoje em dia consigo me sentir presente em diversos momentos, consigo me observar e sentir que está tudo bem quando nada está acontecendo, quando eu só costumava prestar atenção em mim mesma quando algo ia mal ou quando as coisas estavam me incomodando. E é treino. Lembrar de respirar de vez em quando e estar bem e presente quando se está fazendo café ou no ônibus. Isso me ajuda bastante a abandonar o "eu deveria". 

4. Anotar os pensamentos. Anotar ideias, pensamentos, insights, mesmo que não dêem em nada, me dão um alívio enorme. Pensamentos perdidos me dão agonia e me deixam ansiosa. Colocar no papel ajuda a gente a sentir um pouco de que estamos dando um passo em direção à "concretude" de uma coisa. Então, em vez de achar que eu penso um monte de coisas, que tenho várias ideias e não estou concretizando nada, melhor anotar e deixar as coisas "marinarem" um pouco. Uma hora sai. 

5. Imperfeito é melhor que não feito. Fazer alguma coisa, seja ela uma tarefa de casa ou uma cesta, seja lá como for, é melhor do que não fazer coisa alguma. Não me importa se estou fazendo menos de 1 cesta por semana ou se algo não saiu como eu queria ou pensava, fazer é sempre melhor que não fazer. Já perdi muito tempo achando que não era capaz das coisas, esperando o melhor curso aparecer para então enfim aprender e saber algo, mas esse "eu" é passado.

Concluindo, o melhor é fazer. Fazer uma coisa de cada vez, estando presente e mentalizando tudo de bom que já fiz e estando grata pela possibilidade de fazer e pensar tudo isso.

o desafio de se usar o que tem (stash less)

 meu estoque lá em 2016. olha quanto barbante eu ainda tinha! as linhas estão todas aqui ainda, mas várias dessas coisas já se foram ou ganharam um novo uso. bom, né?

meu estoque lá em 2016. olha quanto barbante eu ainda tinha! as linhas estão todas aqui ainda, mas várias dessas coisas já se foram ou ganharam um novo uso. bom, né?

Muita gente não sabe mas em novembro de 2016, me lancei o desafio #usaoquetem (clica no link, que eu explico de onde veio essa ideia), em que eu me desafiava a usar majoritariamente matérias que eu já tinha em casa para produzir minhas coisas. 

A produção da Simplee até aqui se baseou neste princípio, de evitar comprar matérias primas e usar o que já tinha disponível. Com o passar do tempo, deixei de divulgar esta característica do meu trabalho, mas nunca deixei de praticar, continuo usando o mesmo barbante, as lãs que estavam estocadas na casa da minha sogra por anos e anos, os tecidos aos poucos vão ganhando novos usos.

O desafio #usaoquetem foi uma maneira que encontrei de ser mais consciente na minha produção além de evitar o acúmulo e pensar mais nas minhas escolhas, principalmente no que diz respeito à compra de materiais. 

Quando fui visitar meus amigos em BH no Carnaval, a Erica me mostrou o desafio #stash_less, do blog The Craft Sessions, que me fez lembrar e muito do meu #usaoquetem. Até a foto lembrava bastante a que eu usei! 

Ao ler o blog vi como eu fui negligente quanto ao propósito do meu desafio e que tem muita gente levando a sério uma questão que eu, por achar que ninguém estava ligando, deixei de falar sobre. Bobagem né? Foi bom que eu fiquei com isso mais claro para mim e tive mais clareza de que eu deveria sim, falar mais sobre isso por aqui e nos meus posts do Instagram. 

Sigo comprando quase nada de material, atualmente só a corda de sisal, que uso como base das cestas, e os fechos e couro utilizados para fazer os acabamentos dos colares. Os barbantes seguem quase os mesmos de 1 ano e meio atrás, as lãs também, que são os materiais que tenho usado mais. 

As linhas de bordado estão aqui, aguardando a febre do bordado voltar e os tecidos vão sendo usados aos poucos. Espero usar até o algodão mais simples para fazer alguns paninhos de copa e capinhas para os cestos. Agora em janeiro usei um tecido listrado (que aparece ali embaixo da pilha de tecidos na foto e que eu tenho há mais de 6 anos!) em uma encomenda muito fofa que fiz para uma colega de trabalho. 

Uma boa meta para 2018: divulgar mais meus propósitos e objetivos e compartilhar mais aqui no blog e em outras redes como eu tenho desenvolvido meu trabalho usando o que tenho.

processos e começos

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Separei essas fotos que tirei entre o dia 31 de dezembro e 4 de janeiro para escrever sobre o processo de se fazer uma cesta. 

Normalmente este processo é bem tranquilo e gostoso, por isso faço cestas em horários de descanso, porque eu realmente sinto que é um descanso. 

Como o tempo normalmente é escasso, toda oportunidade e tempo livre que eu tenho, (e se cabe no momento, claro) estou fazendo cestas. Caso esteja fora de casa, como foi o caso no ano novo, eu coloco os materiais todos numa sacolinha e levo comigo. 

 Fazendo cesta na casa da  Iana  e do Dudu, onde passamos o ano novo. Chá, boas companhias e trabalhos manuais: melhor combinação não há. :)

Fazendo cesta na casa da Iana e do Dudu, onde passamos o ano novo. Chá, boas companhias e trabalhos manuais: melhor combinação não há. :)

Esta é uma coisa maravilhosa das cestas e se adapta muito à minha vida hoje: o fato de elas serem portáteis durante o processo (ou quase sempre portáteis). Além disso, eu dependo só das minhas mãos, da corda, do fio e da agulha. Essa liberdade e independência são qualidades que me ganharam nesse processo de aprender a fazer cestos. 

Já fiz cestos durante uma viagem de ônibus e às vezes eu faço cestos enquanto estou conversando com alguém, o que é mais raro, mas acontece. O mais comum é fazer enquanto meu namorado vê jogos de basquete ou quando estamos assistindo (eu no caso, quase só ouvindo) Masterchef.

E foi isso que eu fiz nos dias de descanso que seguiram a passagem do ano, descansei muito, conversei, gargalhei, comi bastante e terminei uma cesta. Acho que foi um dos melhores e mais tranquilos começos de ano que já tive. 

 a primeira cesta do ano! 

a primeira cesta do ano! 

E começar o ano bem é uma coisa muito boa, não é?

os trinta

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Agora eu tenho 30! E escrevi sobre essa data em meio a uma retrospectiva de final de ano no meu recém-inaugurado Medium. Fico sempre um pouco confusa sobre onde e o que postar as coisas. Confundo o Instagram pessoal com o da Simplee (que é o mais ativo) e aqui no blog é a mesma coisa. Acabo tendo vontade de escrever sobre coisas que não tem a ver com o trabalho que desenvolvo na Simplee.

Já tive um blog meu, o mimetismo defensivo, que passou por inúmeras fases, mas esse eu parei mesmo de usar (inclusive fui olhar ele agora e tem coisa boa lá. lembrei porque não deletei ele ainda), então resolvi escrever sobre os 30 e os aprendizados do ano ali no Medium mesmo.

Acho que escrever sempre esteve presente em mim, então continuarei escrevendo em vários ou em um só lugar sobre tudo que der vontade. 

arranjo de natal

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Algo que fazemos aqui em casa todo Natal é pensar a decoração da mesa no mesmo dia da ceia. Nunca temos nada planejado mas ainda assim, eu e a minha mãe sempre acabamos pensando em algo. 

Não me lembro de pensar nisso quando criança, mas acho que de uns 10 anos pra cá, eu comecei a me preocupar mais com isso. É uma preocupação do tipo boa, daquelas que gostamos de ter. 

E uma mesinha arrumada dá gosto de ver, né? Não precisa ser nada muito grandioso e no caso aqui de casa sempre foi tudo muito simples. Nem todo mundo repara, a maioria não dá bola, bagunça tudo em quinze minutos mas eu gosto mesmo assim. 

Teve ano que a gente comprou uns enfeites prontos e não muito duráveis, com pinhas douradas e castiçais feios, teve ano que eram só velinhas, depois veio o advento do Pinterest, onde eu olhava uns arranjinhos com vidros, aquela coisa toda bem pouco brasileira que eu adaptava com o que eu tinha em mãos. E tiveram variações: vidro com pedra, vidro com vela, vidro com mato e água, vidro com frutinhas e deve ter tido mais coisa que eu não lembro. 

De uns tempos pra cá peguei um bode gigante do Pinterest e ano passado a gente nem estava em casa e lembro de ter tentado improvisar algo com alguns galhos que achei em volta da casa onde estávamos. 

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Mas enfim, este ano fui atrás de presente de última hora e precisava comprar uma toalha ou um tecido que cobrisse a mesa grande que fica lá fora, onde recebemos sempre as pessoas nessas ocasiões.

Nenhuma loja de tecidos aberta e conhecendo a família que eu tenho, optei por levar essa toalha de material plástico bege com detalhes meio perolados e foi a melhor escolha. Caiu vinho, caiu refrigerante, cerveja, comida e ela continuou linda, perfeita para a maratona de festas, churrascos e encontros que se seguem a partir do Natal. 

Atordoada com o sol quente, fiquei perambulando meio sem rumo pelo Centro (aqui de São José dos Campos) e entrei no Mercado Municipal, onde comprei essa cestinha que há tempos namoro. Não sabia se usaria, mas resolvi levar mesmo assim. 

Chegando em casa minha mãe já tinha feito alguns arranjos de frutas e nozes em pratos e eu, ela e meu irmão saímos para pegar mais coisas pois segundo ela, "faltava um verdinho". Essa é uma coisa que a gente faz bastante, andamos pelo condomínio e ficamos catando as frutas da época nas árvores que tem por aqui.

Agora pelo visto é época de carambola. Acerola vejo em outras épocas e agora também tinha bastante. E o nosso arranjo foi esse: carambola, frutas e galhos de acerola, só. E eu gostei tanto dele!

Acho que os arranjos de mesa daqui de casa são como tudo o que a gente faz na vida. Quando a gente não quer ser ninguém além da gente mesmo, quando não temos a pretensão de parecer com nada nem com ninguém e só faz o possível com o que tem ao nosso alcance, não tem erro: o resultado não pode ser nada além de algo único e especial. 

(e eu não sei como escrevi tanto a partir de um arranjo de mesa haha mas só foi.)

feira do último sábado ou lidando com as expectativas que criamos sobre nós mesmos

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Se passaram oito meses desde que participei da última fêra féra. Fiz a conta agora nos dedos e mal acreditei quando terminei de contar, afinal oito meses é bastante coisa! É mais que meio ano, é tempo pra caramba! 

Bom, muita coisa aconteceu nesse meio tempo: comecei a trabalhar fixo, mudei de casa, continuei a fazer cestas, recebi amigos em casa, assumi de vez que parei de fazer os concretos e fui prometendo para mim mesma que no final do ano participaria de uma feira. 

Na minha cabeça era um ótimo plano, pois até o final do ano eu teria produzido bastante, teria colocado em prática várias ideias e teria um monte de novidades para mostrar. Nem preciso terminar o parágrafo para ficar claro que nem tudo correu como eu esperava, né? 

O que eu consegui produzir, eu documentei no instagram da Simplee e não foi muito mesmo. As cestas levam bastante tempo para serem feitas e as faço durante a noite. Subtraindo o tempo de comer (e eu gosto muito de valorizar esse sagrado momentinho), conversar, encontrar amigos, fazer alguma coisa da Piscina e dormir, não sobram mais do que algumas horinhas por semana. 

Até aí tudo bem, acho que cada um tem seu ritmo e eu estou (aparentemente) bem com isso. Gosto de levar as coisas desse modo, com a produção sendo parte da minha vida e não o centro absoluto dela. Acho que a questão está no que eu esperava ter feito ou realizado até o final do ano. 

As ideias costumam marinar um pouco na minha cabeça até que eu consiga de fato colocá-las em prática e mesmo que demore, acho super importante conseguir realizar pelo menos uma parte do que eu estava pensando. Dá uma sensação boa, sabe? Então por mais que tome tempo, acho gratificante chegar a esse lugar em que o pensamento toma forma e você pode ver o que funciona e o que só funcionava mesmo no plano da teoria. 

E bom, na teoria eu teria produzido muitas coisas novas, teria muitas peças e seria ótimo. Foi chegando o final do ano e eu vi que não ia rolar e eu já tinha me conformado em deixar isso pra lá. "Paciência, participo no ano que vem".

Até que a Renata, que faz pães deliciosos e sempre era uma pessoa agradável de encontrar nas feiras, me perguntou se eu queria dividir um espaço na próxima fêra féra. Assim economizaríamos na taxa de participação, eu teria um espaço proporcional à minha produção e participaria da feira, o que é ótimo, pois ficar sumida por muito tempo não faz bem nem para as mais bem-sucedidas das marcas, né?

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Fiz algumas cestas (quatro, para ser mais precisa) com esse foco de feira. Vendi uma das maiores neste interim e fui deixando para produzir os colares de lã que eu tinha pensado mais pra frente, tão pra frente que eles quase não saíram. Porque né? Sempre tem algum compromisso, ou alguém vem visitar ou é viagem que aparece e as coisas vão se arrastando.

Não comprei sacolinhas, nem mandei imprimir mais cartões. Fui com o que eu já tinha de meses atrás e produzi alguns colares alguns dias antes e na madrugada anterior à feira. Nesta mesma noite, separei tudo que eu tinha, inclusive as produções antigas para levar. 

E eu fiquei feliz, sabe? Olhei tudo, achei tudo ótimo. Adorei meus colares novos e deixei tudo pronto para o dia seguinte, ou quase tudo. De manhã tomei meu habitual café demorado de sábado e fui finalizar algumas tags e precificar as peças. Nisso, me atrasei, sai correndo e cheguei quase 1h depois do horário devido. 

Me senti amadora e arrumei minha mesa às pressas. Que despreparo. Senti quase como se estivesse bancando a displicente perante aquelas pessoas que estavam ali, como se eu não estivesse levando tudo a sério como deveria, afinal "eu não vivo disso" e estou aqui como um plus.

Esta sensação, de que eu praticamente não merecia estar ali me deixou insegura. As minhas coisas ali organizadas às pressas na bancada não me pareciam tão boas como na noite anterior, parecia um trabalho inacabado. Meus colares novos não eram tão bons assim como eu pensava, "as pessoas preferem os de concreto que não faço mais" eu me dizia. 

Será que eu falaria ou pensaria algo assim de alguém? Por que eu tenho que ser tão cretina comigo mesma? Eu não sei. Que loucura é se deixar levar por estes pensamentos. Precisei de alguns dias de distanciamento para poder ver como eu estava me torturando dentro da minha cabeça, como eu estava desmerecendo tudo o que eu fiz e faço só porque esse não é meu "ganha  pão", só porque eu não faço "só isso". 

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Mas essa insegurança, esse sentimento de desmerecer algo me fez pensar sobre mim mesma, sobre a Simplee e sobre o que ela é afinal. Me senti quase no mesmo lugar que eu estava há 1 ano, quando eu durante o ano novo estava buscando o sentido da Simplee, pensando em como fazer dar certo, ansiosa pela nova comunicação visual que estava por vir. Essa ânsia de fazer algo, de buscar sentido, de querer chegar a algum lugar e "dar certo", seja lá o que isso signifique. 

É bom repensar o que você faz, é bom identificar os sentimentos e os pensamentos e não só levar a vida e produzir a toque de caixa. E eu estou nesse momento, de rever o propósito, o que me move, o que eu valorizo e o que eu quero ser e o que eu quero que a Simplee seja. 

E sabe? às vezes me vem alguns vislumbres do que é esse lugar para onde estou indo. É engraçado pensar que talvez estes vislumbres do que eu quero e do que seria meu "propósito" sempre estiveram presentes, de maneira tímida, escondida, tentando se encaixar em coisas que eu achava que deveria ser ou fazer, mas que estão aqui desde sempre. E o mais legal é que meus caminhos, experiências e processos só acrescentam a tudo isso.

Bom, vou marinar estes pensamentos e espero logo poder conectar tudo com um fio que faça sentido e que depois eu possa desenrolar por aqui através de palavras. 

 

preciso falar sobre os concretos

Quem acompanha a Simplee no Instagram com certeza já percebeu que deixei de produzir objetos de concreto e aqui no site isso já está mais explícito mas faz tempo que gostaria de escrever sobre aqui no blog. 

 vasos cubos

vasos cubos

A Simplee começou dos objetos de concreto, que nasceram depois de uma longa gestação de quase 2 anos. Quando penso no tempo que demorei para de fato fazer o que eu queria, fico um pouco pasma. E os motivos da demora são sempre os mesmos: ainda não está bom, precisa aprimorar, não tenho materiais, não tenho espaço, precisa melhorar, não é a hora certa, etc.

Fora isso, teve ainda todas as motivações para se fazer que não foram lá as melhores. Em 2014, eu tinha acabado de encerrar uma sociedade de uma marca de acessórios em madeira (tinha muita dificuldade em falar sobre isso mas hoje em dia tenho orgulho de tudo que consegui construir naqueles anos e se alguém quiser ver, está aqui) e eu queria a todo custo, estar bem, fazer algo meu e ser reconhecida por isso.

Cada um sabe das suas motivações para se fazer algo e eu sei que as minhas não eram as melhores naquele 2014, 2015 (que anos!). Quando a Simplee nasceu, estava também em um momento bastante conturbado da minha vida mas era isso que eu tinha em mãos, eu tinha tempo, tinha possibilidades e vontade de mudar, de andar pra frente, de me conhecer e de crescer com as experiências.

E acho que isso muda bastante as coisas, esse foco estar mais em você e em querer melhorar como pessoa e não só nas coisas que você faz (li sobre isso esses dias e só agora fez mais sentido!). Relembrar essas circunstâncias, me faz pensar que o começo da Simplee foi muito feliz apesar de tudo que estava acontecendo. 

 estréia da simplee na fêra féra, 2016. sorrio por dentro ao olhar essa mesinha. 

estréia da simplee na fêra féra, 2016. sorrio por dentro ao olhar essa mesinha. 

De 2014, quando ainda morava em Florianópolis até sair de fato os concretos, no comecinho de 2016, obviamente já tinha 95789793 pessoas fazendo objetos de concreto e os objetos da Simplee, apesar de muito caprichados e bem acabados, não eram nenhuma novidade. Comecei a caprichar ainda mais, refiz os moldes, coloquei acabamento de couro nos vasos, adicionei cores, fiz acessórios lindos e os quais ainda adoro e as pessoas gostaram bastante também. 

 produção de acessórios simplee, 2017

produção de acessórios simplee, 2017

O lance é que quando eu sinto que algo se esgota, eu preciso de um tempo. Não me vem nenhuma ideia de como trabalhar com o concreto de maneira diferente e quando se trata de trabalhos manuais a ideia de repetir a mesma fórmula por muito tempo não me atrai, então acho que por enquanto posso dizer que não faço mais objetos de concreto.

Pode ser que eu volte a fazer alguma coisa de concreto num futuro próximo, mas no momento presente, estou muito feliz fazendo as minhas cestas e com a motivação de ser algo meu e que eu faço porque é gostoso de fazer. É devagar, é leve e é bom. Já pensei e penso em como transformar as cordas e lãs em acessórios e eu gosto disso, de estar fazendo algo que me faça pensar em possibilidades. 

 cestos de barbante simplee, novembro de 2017.

cestos de barbante simplee, novembro de 2017.

E é isso. Quando eu quis fazer uma nova identidade visual para a Simplee, no começo deste ano, eu queria abraçar justamente essa postura aberta diante das possibilidades, a experimentação e acho que a Simplee me ensinou essa condição. Mesmo trabalhando, mesmo com a Piscina, é aqui onde eu solto meu 'eu' artesão, experimental, e caseiro, meu eu mais presente.  E estou bem aqui. :)

pão, pizza e cesta

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O primeiro feriado de novembro passou voando. Recebemos amigos em casa, passeamos bastante, comemos um outro tanto e quando tinha um tempinho em casa, eu fiz cesta.

Nosso amigo trouxe de presente um levain, um fermento vivo que você tem que ir alimentando toda semana e que dá para ir usando infinitamente para fazer pães e pizzas. Eu não sou a padeira da casa, mas fiquei feliz com a empolgação dos meninos e mais ainda quando tinha esse pão maravilhoso, quentinho e cheiroso na mesa do café. Sério, poderia comer infinitamente. 

Uma das coisas boas de receber amigos é ter a desculpa perfeita para fazer todos aqueles passeios que você acha legal mas nunca vai ou mesmo para visitar novamente seu lugares favoritos. 

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De noite, já bem cansados em casa, enquanto colocava o papo em dia e esperava para comer alguma delícia, lá estava eu, enrolando a lã na corda de sisal.  É mesmo um vício.

Na última noite juntos, colocamos o levain para trabalhar em algumas pizzas e constatamos que embora as pizzas que fizemos até aqui sejam muito boas, uma pizza com massa de fermentação prolongada, é realmente muito melhor. 

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Por fim, no domingo fiz tudo que mais gosto: tomei um café da manhã longo, arrumei a casa e cuidei das plantas, assisti a um documentário bem legal e terminei minha cesta.

A semana começou com um sentimento de contentamento tranquilo e a manhã de segunda-feira foi bem produtiva e consegui inclusive tirar fotos da cesta nova antes de sair para o trabalho: 

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Fiquei feliz em ver em que 10m de corda podem se tornar. E já quero começar outra. :)

sim e não

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Estou há algum tempo sem escrever e compartilhar coisas aqui na Simplee, embora esteja sempre (ou quase sempre compartilhando o que tenho produzido ali no Instagram). Acho que é normal a gente não ter vontade de compartilhar nada de vez em quando e eu estava/estou em uma fase dessas. Se compartilha tanto sobre tudo hoje em dia que às vezes eu não vejo sentido em nada. 

Mas fases niilistas à parte, embora eu não esteja com a produção a todo vapor ou compartilhando muitas coisas aqui no blog, sinto que apesar do trabalho full time que me toma bastante energia e tempo (mas que no entanto tenho gostado bastante), esta tem sido a fase em que eu mais tenho "vivido" de fato. 

Tenho dado muito mais atenção às coisas enquanto elas estão acontecendo e parece que estou aplicando o que eu sempre disse ser a inspiração para tudo o que eu faço e fiz até aqui. Tenho curtido minha casa, cozinhado, regado as plantas e saído com razoável frequência. Tem sido corrido, confesso. Mas tem sido bom. 

E mesmo "correndo" e não tendo tempo de produzir como antes, tenho tido muito mais clareza do que eu quero nesse momento, dos rótulos que eu tentava me encaixar e que não me servem mais. Estou aprendendo a me escutar mais e a falar não para o que eu realmente quero dizer não. E nossa, isso traz uma paz incrível. 

Aprender a dizer não pode ser um grande sim pra você mesmo. E no meu caso, dizer 'não' para um monte de compromissos e cobranças que eu mesma me impunha, me fez dizer 'sim' para a vida, para mim mesma e para os momentos que eu estou vivendo agora. 

 

 

os momentos simples

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Acho que o café da manhã é minha refeição favorita, embora eu goste muito de todas. Adoro o cheiro de café sendo coado na hora e como ele se apossa da casa. Adoro panqueca de banana, crepioca, tapioca, pão na chapa, granola e um suquinho de laranja para completar. 

A Simplee nasceu tendo isso em mente, esses momentos que são de certa forma comuns e simples, mas únicos e valiosos. Eu queria que os objetos que eu criasse através da Simplee fizessem parte desse sentimento e que fossem como lembretes do que realmente importa. 

Hoje eu acho que a Simplee está muito além de produzir algum produto. Ela é para mim esse lembrete que eu queria que os objetos fossem na vida das pessoas. O lembrete de estar aqui e agora. 

centro de mesa (ou a mesa mais bonita do mundo)

O final de semana rendeu tanto! No sábado fiz ótimas compras num brechó, passeei no centro, compramos coisas pra casa que estavam faltando, limpamos, colocamos o master chef em dia, fiz uma pipoca perfeita e terminei essa cesta/centro de mesa. 

No domingo, entre o café da manhã e a ida a feira fiz essas fotos e já constatei que esse vai ser meu local favorito para tirar fotos. :) 

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Essa cesta eu comecei antes da mudança e fiz com um resto de corda que eu tinha bem contado e fiquei com receio de que não desse para fazer ela inteira do tamanho que eu queria, mas deu certinho a quantidade. Gostei de fazer um formato mais aberto, como a primeiríssima cesta que eu fiz. 

Enfim, fiquei bem contente com esta cesta. E devo dizer: ela ficou linda no tampo novo que mandamos fazer para a mesa. Eu realmente estou muito feliz de ter finalmente feito o que eu queria com a minha mesa de mais de 11 anos.

Esta mesa me acompanhou durante toda a faculdade, viu muito trabalho ser feito de madrugada, muito estilete cortando isopor, muitas jantas e cafés longuíssimos e pelo menos umas 6 mudanças. Mantive os pés brancos originais dela, super firmes e bons e mandei fazer esse tampo de teca. Era o que eu queria ter feito há mais de dois anos quando me mudei para São Paulo, mas só agora consegui realizar. Tem coisa que demora, mas quando a gente quer, uma hora ela vem. :)

Um dia coloco foto dela inteira por aqui, mas por enquanto, fica certo que este vai ser meu cenário de fotos daqui pra frente! 

um canto

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Há épocas na vida nas quais a gente só quer descansar. Descansar o coração, o corpo e a cabeça. Nos últimos dois anos eu não parei muito tempo em lugar algum, morei com meus pais, morei com amigos, passava um tempo aqui e ali, mas nunca mais que alguns meses em um mesmo local. 

Para  a Simplee, esse momento de confusão, de ir e vir, foi muito prolífico. A Simplee nasceu nesse momento da minha vida e acredito que só por causa desse momento. E foi bom, fiz bastante coisa mas às vezes, não ter um lugar para organizar as ideias, para produzir (sem atrapalhar as outras pessoas que moravam comigo) fazia bastante falta. 

Mas eis que agora além de ter um lugar querido onde pousar todos os dias, tenho também um canto da Simplee (e da Piscina), onde eu posso guardar todas as minhas quinquilharias, embalagens, materiais e ferramentas e é claro, produzir, ficar sozinha, pensar nos próximos passos da Simplee. 

Só de olhar essa foto, eu tenho vontade de sorrir e tem sido assim ao olhar cada canto da casa. :)

Seria bem mais fácil se não fosse assim, mas acredito que às vezes as pessoas precisam de um 'sacode', passar por uns apertos (e apertos bem de leve, no meu caso), para olhar e valorizar o que se tem, o que se construiu, o que se conquistou e agradecer. Todos os dias. 

pequenas ações

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são de pequenas ações e de pequenos passos que a Simplee tem vivido nesse ultimo mês. minha rotina mudou completamente e do inicio de maio pra cá pois como escrevi no post anterior, eu agora estou num trabalho full time, depois de quase dois anos só de freelas e outros trabalhos instáveis. 

eu gosto da rotina de trabalhar e estou gostando do meu trabalho, embora ele seja bem puxado e demande mais ou menos 12h do meu dia, entre horas trabalhadas e tempo de deslocamento. estive bem otimista ultimamente quanto a isso. penso que se demoro para me deslocar, por outro lado eu tenho tempo de ler, coisa que eu não conseguia integrar na minha rotina de freela ou de estar em casa, ou se por um lado o trabalho seja puxado, estou aprendendo muito e tenho bastante interesse no que estou fazendo. enfim, esse é o tipo de pensamento que eu tenho tido, o que é bom. 

porém, tudo isso acarreta muito menos tempo para pensar em novas coisas, novos rumos e experimentos. não tenho tido novas ideias e me pergunto: como as pessoas fazem? como várias meninas que eu conheço e que participam de feiras, produzem e tem um trabalho de mais de 8h ou freelas igualmente exaustivos dão conta de produzir tanto? como elas conseguem sacrificam o sono? que horas elas cozinham? como algumas delas tem filhos?hahaha 

e olha que eu reconheço todas as facilidades que eu tenho em casa. tenho alguém com quem posso contar, que me espera quase todo dia com comida pronta, que coloca comida pro gato e além de levar coisas no correio quando eu preciso faz mais um milhão de coisas. tenho consciência da vida confortável que eu levo. 

e mesmo assim, quando eu me comparo nem que seja o mínimo que for com essas meninas as quais eu admiro muito, me sinto completamente desleixada e mole. "não estou fazendo o bastante" e enquanto escrevo isso e sinto enquanto digito essas palavras percebo que aí é que reside todo o problema, nas comparações cruéis que fazemos entre nós mesmos e os outros. 

nos dias em que me sinto mais bem humorada e feliz comigo mesma, são os dias que eu estou despretensiosamente atravessando a rua, com um livro na mão e eu me sinto contente comigo mesma. nessas horas eu me lembro de como eu preciso me admirar mais, de como eu estou feliz com quem eu sou e por onde estou indo, de como eu sinto que os passos que eu dei até aqui fizeram sentido e que a minha caminhada é bonita. é tão necessário reconhecer isso!

a gente raramente tem pela gente o mesmo olhar benevolente e de admiração que temos pelos outros. raramente nos parabenizamos pelas nossas conquistas ou reconhecemos o quanto aprendemos e o quanto fazemos todos os dias. é preciso amplificar essa vozinha que fala dentro da nossa cabeça "você está indo bem, apenas continue" ou "como você está bonita hoje" ou ainda "você aprendeu tanto até aqui, deveria se orgulhar". 

apenas ouça tudo isso. e esteja feliz com quem você é.  

 

 

sábado, tricô e trabalho

Ontem foi um sábado produtivo. Fui na II Feira da Reforma Agrária, comprei várias coisinhas boas de comer de vários cantos do Brasil, voltei pra casa, almoçamos uma tapioca, fizemos um bolo com cenouras que compramos na feira, consegui descansar - dormir a tarde, que delícia -, terminei uma cesta que tinha começado no início da semana, comi pizza, e ainda de quebra, às quase 2h da manhã, comecei um tricô. 

O tricô é uma atividade que eu acho deliciosa e descompromissada e me faz lembrar da época do finalzinho da faculdade, em que eu aprendi a tricotar com amigas que me ensinavam os passos várias vezes porque eu sempre esquecia. Tinha esquecido ontem também, mas ainda bem que existe youtube nessa vida. haha

Outra coisa que esse sábado me fez pensar é sobre o fato de que talvez se eu tivesse tido todo tempo do mundo durante a semana, não teria tido tantos feitos. Mas acontece que essa semana comecei em um novo trabalho. Um trabalho full time e devo dizer que estou gostando bastante. Então tenho um longo caminho pela frente até me adaptar à nova rotina e conseguir encaixar os meus projetos - a Simplee, a Piscina e agora o Tempero M -  a ela.  

Sabe, a gente que está sempre vendo um monte de gente que faz coisas, que tem seus próprios negócios no Instagram, nas feiras e na vida, talvez ache difícil assumir essa faceta "não vivo disso" ou "esse não é meu full time job". Eu sou uma dessas pessoas, que se sente quase na obrigação de pedir desculpas por não "largar tudo e fazer o que ama."

Esse discurso me parece tão repetitivo e velho, que não tenho nem mais muita paciência de pensar sobre ele. Sabe, essa coisa de "fazer algo com as mãos" e ter um arzinho superior como se todo o resto do mundo que não faz ou trabalha em um escritório não é tão legal ou bom quanto você. Preguiça disso. E que coisa besta essa de achar que todo trabalho que não seja diferentão, sem chefe, sem horário é um trabalho chato! Todas as coisas do universo, TODAS, sem exceção tem qualidades e defeitos, coisas boas e ruins, inclusive trabalhos, seja ele um CLT ou um que você tenha inventado e que você seja seu próprio chefe. 

Eu amo fazer coisas manuais e eu faço elas na medida em que me fazem bem ou porque eu quero e posso fazê-las. Mas eu amo também me aventurar em mundos novos, conhecer pessoas e (por que não) trabalhar e ganhar dinheiro com outras coisas que não coloquem toda a carga da minha sobrevivência em cima do que eu tanto gosto de fazer. Esse não é meu objetivo, pelo menos por enquanto. 

É difícil "dar conta" de tudo? É. Mas, demorei para aprender que o peso das coisas na minha vida sou eu quem dou. Quero trabalhar para ter um respiro de alívio e conseguir ter uma casa e pagar meu aluguel e um pingo de estabilidade emocional? Sim. Quero levar a Simplee com leveza sem colocar nela todas as expectativas de me completar e sustentar? Sim. Estou feliz com isso? Sim. Então tá tudo bem. :) 

 

modos de produzir

Mais uma cestinha! E essa embora seja pequena, demorou muito mais tempo para ficar pronta. Confesso que depois de correr bastante, como foi o caso da semana da participação na feira, fico em um estado um pouco passivo, quase catatônico. Principalmente se os freelas momentaneamente dão uma folga, como foi o caso, eu fico um pouco perdida. Fui ver o mar, fiquei mais de 1 semana praticamente sem produzir nada e daí começa a inquietação.

Qual passo dar agora? O que fazer para impulsionar as coisas e seguir adiante? Essas são as típicas perguntas sem resposta que me deixam um pouco aflita. Percebi que eu sou péssima em me desligar das coisas e péssima em ter mais tempo livre para fazê-las. Eu preciso estar sempre em movimento, com foco em outras coisas para me motivar e fazer o que de fato gosto. E talvez isso não seja necessariamente um defeito, só que eu preciso aprender a me disciplinar um pouco para conseguir produzir de maneira mais constante.

Enfim, consegui terminar a cesta nesse feriado prolongado e fui fazendo ela daquele jeito bom, devagar e sempre, papeando com alguém ou vendo alguma série (que no caso agora é Cosmos). 

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E é uma delícia acordar no domingo ou sábado de manhã e tomar um café da manhã demorado, ficar na mesa conversando e encher a xícara de café mais algumas vezes e depois aproveitar a luz do dia e fotografar as coisas ali perto da janela. Hoje no caso, um dia cinza, maravilhoso para fazer isso que acabei de descrever. 

Gosto que o que eu produza faça parte e se confunda com a minha vida, gosto de tratar as coisas assim. Adoro fotografar o que eu faço sem demorar ou levar tanto a sério tudo e gosto do dinamismo desse processo. Parece que se eu demorar mais, arrumar mais e me preocupar mais, as coisas perdem um pouco da sinceridade inerente a elas e talvez eu não me sinta tão autêntica se fizer de outro jeito. Sei que poderia melhorar muito ainda nesse quesito de fotografar e tratar imagens, mas o lance é que hoje fico feliz de registrar as coisas desse modo.

E fico feliz em experimentar. Gostei muito do formato dessa cesta e preciso sem dúvida, começar a experimentar mais, seja com novas cores e padrões, seja com novos tamanhos e formatos. Quase que sem querer ainda estou seguindo, em boa parte do que eu tenho produzido, o desafio que me coloquei de usar coisas que tenho à mão, como é o caso dos barbantes coloridos. Mas até eles que pareciam infinitos, já estão dando sinais de que não durarão pra sempre, o que é ótimo. Então bora dar novos usos pra eles e para as lãs lindas que ainda tenho aqui. 

sorte

Como  o aniversário da Simplee se aproximava, fiz um sorteio no instagram para comemorar. Além da óbvia função de divulgar e agregar mais seguidores, acho que esse tipo de atividade serve principalmente para que a gente possa se conectar com outras pessoas através das coisas que fazemos.

Separei com carinho algumas peças que mantive guardadas, lá da primeira produção da Simplee, onde tudo começou. E só de tirar as peças de onde elas estavam, já passou um filme na minha cabeça de todos aqueles momentos de produção. Me vieram as sensações, o momento que eu estava vivendo, as músicas que eu ouvia enquanto fazia, os cheiros, enfim, lembranças de q eu estava ainda gestando o que viria a ser a Simplee. 

Na hora em que pensei em fazer esse sorteio eu pensei que queria contar um pouco disso tudo para quem ganhasse, assim as peças teriam alguma história, algo verdadeiro de mim mesma e foi isso que eu fiz.

Quem ganhou o sorteio foi a Rebeca de Moura e rapidamente antes determinar de embrulhar as peças e levá-las até o correio, me sentei para escrever essas coisas pra ela. Alguns dias depois , percebi que quem teve a sorte do sorteio fui eu. Recebi essas fotos lindas do Leandro e um post com uma mensagem linda da Rebeca. Tao linda que me deu ânimo e me fez voltar pra mim mesma justamente em um dia em que me sentia um pouco perdida.

Mais uma vez, eu que agradeço. <3

dia de fêra

Geralmente as semanas que antecedem uma participação em feira são bem intensas e corridas mas confesso que a semana que antecedeu a Fêra Féra X  foi uma das semanas em que me senti mais viva dos últimos tempos. 
E sincronicamente o freela que já vinha rolando desde janeiro, acabou na sexta anterior. Não é mágico isso? Eu tenho pra mim que é o universo me dizendo "vai!". Bom, eu fui. 

Dias antes terminei de produzir alguns itens, produzi outros novos, fiz aquele tour inesquecível na 25 de março (rolê esse que é praticamente inevitável e que sempre quando você tem que ir vem a memória de como foi a última vez, que te faz repensar todo o sentido da vida e você se pergunta por que raios você tem que ir de novo lá mas no fim você cria coragem e vale a pena pelos achados a preços módicos), montei colares, bordei e me organizei para ficar com tudo em ordem antes do prazo pra não rolar aquele desespero de última hora. 

Mas dessa vez teve um leve e maravilhoso agravante na história. E quando eu digo maravilhoso é maravilhoso mesmo, sem ironia: o Tempero M, empreitada que eu e meu irmão estamos há mais de ano querendo tirar do papel e voilà, conseguimos (com ajuda da Mama, claro)! O que implica um pouco mais de correria, daquele tipo bem doida mas que vale a pena no final. Aliás, visitem as páginas do tempero, espalhem para os amigos. Ele é maravilhoso!

Como ja falei uma vez aqui no blog, é muito gratificante participar da Fêra Féra. O clima é muito bom, os expositores são lindos e a gente se sente em casa. E eu tenho um carinho muito grande por ela, já que foi a primeira que me acolheu e acolheu a Simplee, um ano atrás. 

Participar da fêra em uma data tão simbólica pra mim, foi memorável. E eu fiquei muito orgulhosa de tudo que consegui evoluir até aqui. É um sentimento quase como de dever cumprido só que não porque tenho muito chão ainda pra caminhar. Mas né? Vamos valorizar cada passo, não é? 

*todas as fotos por Leonardo Sang.

novos passos

Exatamente um ano depois do primeiro passo, da primeira feira, a Simplee dá um novo passo. Uma nova linguagem visual, um novo site, um novo blog para começar um novo ano. :)

Eu e a Simplee crescemos muito durante este ano e uma mudança foi necessária e bem vinda. Estou muito contente de onde estou e como estou hoje. Olho pra trás e me dá uma alegria enorme de ver que tudo foi necessário, tudo foi bom e um aprendizado. 

Eu sinto que eu estou fazendo o que muitas vezes mal tive coragem de pensar em fazer. Mal sabia que seria capaz. Mudar é bom. E às vezes a mudança só vem com um empurrão ou uma chacoalhada meio bruta. Pelos empurrões e pelas chacoalhadas, sou muito grata. 

A nova identidade da Simplee foi desenvolvida pela talentosíssima Tina Merz. Agradeço muito a parceria. Estou muito feliz. <3

E ah, assim como o site, o blog aos poucos vai entrando nos eixos. Nem todos os posts estão aqui, mas em breve ele estará completo, contemplando todos os passos que já foram dados até aqui. 

o vício

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é viciante. e eu acho que sei porque. sou só eu e os materiais e lembro que foi isso que me fez começar a experimentar com linha pela primeira vez. tirando o meu tcc, fui buscar as linhas do bordado para conseguir liberar aquela energia de fazer algo. sem oficina, sem marcenaria, sem materiais, a linha e a agulha se tornaram meu escape. acho que a ideia é a mesma aqui. a independência no fazer das cestas me anima. não preciso de forno como no caso da cerâmica, não preciso de moldes e tempo de cura como no caso dos objetos de concreto e não preciso de serra e lixa como no caso da madeira. eu só faço. 

e é isso que tenho feito. mesmo durante uma semana corrida como foi essa que passou, consegui fazer um pouquinho da minha cesta de noite quando chegava em casa enquanto via chef’s table (ou masterchef ou abstract - são essas as únicas coisas que eu assisto hoje em dia haha).

e quase uma semana depois consegui. mais uma pronta. dessa vez aprendi algumas coisas. o barbante rosa que eu tenho aqui é de espessura diferente dos outros. é bem mais fino, o que de cara, percebi que tem um efeito um pouco ruim se comparada às outras.

o material que mais ‘cobre’ o sisal é a lã mesmo. fica mais bonito, mais elegante e diferente. mas gostei muito de como ficou o sisal com o barbante mais grossinho. esse mais fino deixa as superfícies trançadas da corda muito a mostra, o que me incomodou um pouco. 

outro detalhe que me incomodou é que essa corda de 15mm, que eu comprei porque era a única espessura que se encaixa perfeitamente ao acabamento de cobre, é muito grossa. dificulta muito na hora de começar a cesta, então a parte central não fica lá essas coisas. hoje irei testar começar com o tampão de cobre e ver como fica. e as próximas vezes, irei testar usar cordas mais finas para fazer cestas menores, que eu possa usar outro tipo de acabamento.

e uma coisa que eu ganhei foi um belo calo no dedo indicador. para o acabamento ficar de fato bom, é preciso puxar bem a lã ou o barbante para segurar uma corda na outra e cobrir bem a superfície de sisal. nisso, o dedo é quem sofre. não usei esparadrapo dessa fez e bom, agora meu dedo se adaptou, está com uma superfície dura e que não me machuca mais. 

só sei que o resultado foi esse. uma cesta com duas das minhas cores favoritas e que de quebra, ainda combinou com a minha caneca nova. :)