sábado, tricô e trabalho

Ontem foi um sábado produtivo. Fui na II Feira da Reforma Agrária, comprei várias coisinhas boas de comer de vários cantos do Brasil, voltei pra casa, almoçamos uma tapioca, fizemos um bolo com cenouras que compramos na feira, consegui descansar - dormir a tarde, que delícia -, terminei uma cesta que tinha começado no início da semana, comi pizza, e ainda de quebra, às quase 2h da manhã, comecei um tricô. 

O tricô é uma atividade que eu acho deliciosa e descompromissada e me faz lembrar da época do finalzinho da faculdade, em que eu aprendi a tricotar com amigas que me ensinavam os passos várias vezes porque eu sempre esquecia. Tinha esquecido ontem também, mas ainda bem que existe youtube nessa vida. haha

Outra coisa que esse sábado me fez pensar é sobre o fato de que talvez se eu tivesse tido todo tempo do mundo durante a semana, não teria tido tantos feitos. Mas acontece que essa semana comecei em um novo trabalho. Um trabalho full time e devo dizer que estou gostando bastante. Então tenho um longo caminho pela frente até me adaptar à nova rotina e conseguir encaixar os meus projetos - a Simplee, a Piscina e agora o Tempero M -  a ela.  

Sabe, a gente que está sempre vendo um monte de gente que faz coisas, que tem seus próprios negócios no Instagram, nas feiras e na vida, talvez ache difícil assumir essa faceta "não vivo disso" ou "esse não é meu full time job". Eu sou uma dessas pessoas, que se sente quase na obrigação de pedir desculpas por não "largar tudo e fazer o que ama."

Esse discurso me parece tão repetitivo e velho, que não tenho nem mais muita paciência de pensar sobre ele. Sabe, essa coisa de "fazer algo com as mãos" e ter um arzinho superior como se todo o resto do mundo que não faz ou trabalha em um escritório não é tão legal ou bom quanto você. Preguiça disso. E que coisa besta essa de achar que todo trabalho que não seja diferentão, sem chefe, sem horário é um trabalho chato! Todas as coisas do universo, TODAS, sem exceção tem qualidades e defeitos, coisas boas e ruins, inclusive trabalhos, seja ele um CLT ou um que você tenha inventado e que você seja seu próprio chefe. 

Eu amo fazer coisas manuais e eu faço elas na medida em que me fazem bem ou porque eu quero e posso fazê-las. Mas eu amo também me aventurar em mundos novos, conhecer pessoas e (por que não) trabalhar e ganhar dinheiro com outras coisas que não coloquem toda a carga da minha sobrevivência em cima do que eu tanto gosto de fazer. Esse não é meu objetivo, pelo menos por enquanto. 

É difícil "dar conta" de tudo? É. Mas, demorei para aprender que o peso das coisas na minha vida sou eu quem dou. Quero trabalhar para ter um respiro de alívio e conseguir ter uma casa e pagar meu aluguel e um pingo de estabilidade emocional? Sim. Quero levar a Simplee com leveza sem colocar nela todas as expectativas de me completar e sustentar? Sim. Estou feliz com isso? Sim. Então tá tudo bem. :)