deixando de lado o "eu deveria"

 minha mesa, enquanto escrevia esse post nos 20 minutos que me restam antes de estar atrasada para pegar o ônibus. 

minha mesa, enquanto escrevia esse post nos 20 minutos que me restam antes de estar atrasada para pegar o ônibus. 

Às vezes sinto como se o tempo estivesse escorrendo pelos meus dedos. Tem semanas que os dias passam como uma manada por cima de mim e quando eu me dou conta, já é sexta outra vez. Esta última semana por exemplo, eu mal consegui tocar na cesta que comecei no final de semana passado. Esse tipo de coisa me deixa muito frustrada. 

Se você assim como eu precisa sair de casa todos os dias, perde umas 2h de deslocamento e faz uns malabarismos para continuar se dedicando aos projetos paralelos, além de fazer as coisas de casa (e quem tem filho então?), pode ser pegar repetindo para si mesma o "eu deveria".

Eu deveria conseguir me organizar para levar uma marmita saudável todos os dias, eu deveria ter tempo de tomar um banho de banheira, limpar a casa e ainda fazer um pouco dos meus trabalhos manuais, escrever no meu blog e responder emails. Eu deveria ter tempo de durante a semana ir ao cinema, ver um amigo ou assistir à uma palestra, sem contar conseguir ver a família nos finais de semana. O "eu deveria" fica ali martelando incessantemente.

Parece uma tarefa impossível fazer tudo isso e às vezes é de fato. Por isso eu tento pensar em coisas que fazem eu me sentir melhor quando bate o combo cansaço/frustração/não estou fazendo tudo que gostaria:

1. Mentalizar ou escrever uma lista das coisas que eu já fiz durante a semana. Seja o dia da semana que for, pensar em tudo que eu já fiz no trabalho, em casa, na vida pessoal e nos meus projetos paralelos me dá uma perspectiva muito boa de mim mesma. Esse exercício faz com que o "eu deveria ____" dê lugar ao "esta semana eu já ____". E pode apostar, é só completar a frase com as coisas que você já fez nos últimos dias para sentir um orgulho/bem-estar instantâneo. (Vou fazer essa lista da minha semana agora inclusive, estou precisando!) 

2. Fazer uma coisa de cada vez. Eu já me vangloriei por conseguir fazer muitas coisas ao mesmo tempo mas quem se acha o "multitask" sabe que a sensação de estar fazendo tudo e nada direito é bastante incômoda. Então o melhor é se concentrar e tentar terminar o que se começou. No trabalho eu tenho mais dificuldade com isso pois é tanta coisa que às vezes eu pulo de uma coisa pra outra sem terminar nenhuma. O que eu tenho tentado implementar pra mim mesma é fazer uma tarefa, concluir e me dar uma "mini-gratificação", como levantar para ir tomar café ou pegar uma água por exemplo. Até que tem funcionado. 
*PS: enquanto estava escrevendo isso agora parei para me arrumar, ajudar o companheiro que estava fazendo tudo sozinho e colocando a roupa de cama para lavar e ainda sequei o cabelo! Nem sempre a teoria se aplica. :(

3. Estar presente. Tão simples e tão difícil de se colocar em prática. Ficar presente parece óbvio e é o que não falta são artigos e pessoas falando sobre isso. Mindfulness, meditação, respiração, o poder do agora. A gente fala, fala mas se estivéssemos todos aplicando de fato o que lemos e vemos não estaríamos ansiosos, não estaríamos nos cobrando, enfim, não teríamos problemas e eu não estaria aqui escrevendo sobre a frustração que eu sinto quando parece que as coisas não andam. 
Pra mim, estar presente é prática. E é treinando um pouco por vez que consegui sentir alguma melhoria em mim mesma. Hoje em dia consigo me sentir presente em diversos momentos, consigo me observar e sentir que está tudo bem quando nada está acontecendo, quando eu só costumava prestar atenção em mim mesma quando algo ia mal ou quando as coisas estavam me incomodando. E é treino. Lembrar de respirar de vez em quando e estar bem e presente quando se está fazendo café ou no ônibus. Isso me ajuda bastante a abandonar o "eu deveria". 

4. Anotar os pensamentos. Anotar ideias, pensamentos, insights, mesmo que não dêem em nada, me dão um alívio enorme. Pensamentos perdidos me dão agonia e me deixam ansiosa. Colocar no papel ajuda a gente a sentir um pouco de que estamos dando um passo em direção à "concretude" de uma coisa. Então, em vez de achar que eu penso um monte de coisas, que tenho várias ideias e não estou concretizando nada, melhor anotar e deixar as coisas "marinarem" um pouco. Uma hora sai. 

5. Imperfeito é melhor que não feito. Fazer alguma coisa, seja ela uma tarefa de casa ou uma cesta, seja lá como for, é melhor do que não fazer coisa alguma. Não me importa se estou fazendo menos de 1 cesta por semana ou se algo não saiu como eu queria ou pensava, fazer é sempre melhor que não fazer. Já perdi muito tempo achando que não era capaz das coisas, esperando o melhor curso aparecer para então enfim aprender e saber algo, mas esse "eu" é passado.

Concluindo, o melhor é fazer. Fazer uma coisa de cada vez, estando presente e mentalizando tudo de bom que já fiz e estando grata pela possibilidade de fazer e pensar tudo isso.