ver, sentir e agradecer

Hoje passei o dia entre as lãs, as cordas e meus afazeres manuais. Fazia tempo que não fazia isso e fazia tempo que não passava o dia completamente sozinha e pensei bastante. Foi bom pausar.

Pensei no quanto incorporamos das pessoas que passam pelas nossas vidas no que fazemos e somos e no quanto elas agregam às nossas vidas de maneiras tão sutis quanto poderosas. Minha sogra foi uma dessas pessoas. Hoje, enquanto eu dava continuidade a um trabalho que há muito estava parado, fui pensando em todo o impacto que a Kátia teve no meu trabalho aqui na Simplee e na minha vida.

Revisitando agora alguns posts, fica ainda mais evidente o quão grande foi a influência dela aqui. Tem um post muito gostoso em que eu conto sobre os aprendizados que eu tive durante um final de semana que estive na casa dela em 2016. Ali, eu estava querendo que a Simplee fosse esse espaço de experimentação e aprendizado e foi um momento crucial para que eu entendesse o que me movia e importava para mim de verdade.

Mas acho que o maior turning point para mim e para a Simplee foi quando comecei a usar as lãs que ela me deu. Foi a partir deste material, que ora foi a matéria-prima dos trabalhos de tapeçaria que ela fazia, que a Simplee começou a ter uma unidade e a ser realmente única.

Eu me sinto extremamente grata quando eu penso no valor e na carga que está embutida nesse material, que por sorte, veio parar nas minhas mãos. A partir dele e com ele, eu evoluí minhas práticas, tive novas ideias e criei coisas completamente novas. Era tudo que eu precisava e queria.

Por razões óbvias, estou falando aqui apenas sobre a Simplee e como uma pessoa mudou todo o rumo do que eu estava fazendo, mas é só olhar em volta e perceber o quanto dela está presente no meu dia a dia, na minha casa, nos utensílios que usamos diariamente, nas plantas que ela reviveu com o seu “dedo-verde” e é claro, no meu companheiro, com o qual eu escolhi dividir a vida.

É doído (e doido) pensar que as coisas mais essenciais ficam gritantes e evidentes somente quando passamos por uma perda. Não precisava ser assim. É doído que o essencial escape da gente, que a gente se perca tanto e não consiga ver, sentir e agradecer o tempo todo.
Por isso e por tudo, obrigada.

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