fazer descompromissado
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Em um dos meus recorrentes questionamentos sobre redes sociais e as reais motivações que nos levam a esse compartilhamento incessante e inquieto, me peguei pensando que de fato as redes me forçam de alguma forma a produzir.

Comecei o dia fotografando o último cesto que eu fiz, (este aí da foto) acompanhada de pensamentos ranzinzas sobre como estou cansada e com pouca vontade de compartilhar as coisas e quase desatei a escrever sobre. Mas o dia passou, veio o trabalho e os afazeres do dia e quando de noite retomei a escrita percebi que não quero falar disso por aqui. Aqui é a minha casa. É onde o meu fazer ganha sentido. É o que me puxa quando não estou ativa o bastante. E isso não é bom? Eu acho que é.

Se não fosse o Instagram, se não fosse o blog no site que custa umas centenas de reais por ano, eu continuaria produzindo? Não seria muito mais fácil desistir, já que não tem ninguém “olhando”?

Fiquei pensando muito sobre o fazer como um fim em si. E de como é bom sentar no meu sofá e fazer alguma coisa que eu não preciso vender, que é só uma coisa que eu gosto de produzir. Mas depois do fazer, vem sempre o registro, o mostrar pra alguém que eu nem sei bem quem é. E isso me impulsiona de alguma maneira a continuar.

E fiquei pensando: será que existe o fazer descompromissado? Sem o objetivo, mesmo que insconsciente, de mostrar para alguém? Confesso que não sei a resposta para esta pergunta.

Acho que é claro que precisamos rever toda a motivação por trás do compartilhamento. O esvaziamento de sentido me incomoda e frequentemente, fico desmotivada diante de uma lógica tão repetida de "ser” na internet. Mas ao mesmo tempo, me sinto otimista em pensar que tem sim como ser legal.

Gosto do formato do blog. Dele ficar aqui, nesse contexto, sem se isolar num post ilustrado por uma foto, parte de um "feed” cuidadosamente pensado. Gosto do fato de o que está escrito aqui não simplesmente aparece na tela de ninguém, tem que clicar e querer ler. Gosto de um texto mais longo, que se assemelha a uma conversa pausada, a um vínculo (mesmo que fictício) um pouco menos fugaz, onde se faz necessário pelo menos um pinguinho de presença.

Gosto da minha casa virtual. E ela é aqui.