aprendendo com os cestos

Para mim, é bem comum pensar na vida enquanto faço um trabalho manual. Embora eu goste de fazer cestos enquanto vejo séries ou ouço um Ted Talk, tem dias que faço um pouquinho antes do trabalho ou antes de dormir e nesse caso, sou só eu e o que estou fazendo.

Esses dias, quando estava terminando esta cesta, eu pensei nas coisas que ela tinha em comum com as experiências da vida. Como a vida, a cesta se desenvolve em espirais. Essa reflexão eu peguei de uma professora da faculdade, que dizia que o conhecimento se constrói em espirais. Damos voltas e passamos pelos mesmos lugares, mas nunca sob a mesma perspectiva, avistamos o ponto no qual estávamos há pouco tempo, mas de outro lugar. Avaliamos o que foi vivido e para então partimos para a próxima etapa com esse conhecimento agregado. Por isso, às vezes os cestos têm várias nuances. Seja a lã que muda um pouco de tom, sejam os pontos que ficam menos ou mais apertados. Eu avalio o que foi feito para aprimorar o trabalho na volta seguinte.

Desde que comecei a fazer cestos de lã em duas ou mais cores, eu queria achar um jeito de trocar de cor sem precisar deixar vestígios desta na fileira de baixo (aqui nesse link tem um bom exemplo de como os cestos de duas cores ficam). Como nunca tinha chegado a uma solução, passei a incorporar isso no trabalho.

Mesmo dando uma pausa na produção, a cabeça continuou a funcionar e sem querer fui pensando sobre como fazer essa transição de cores sem ter que deixar vestígios de outra cor de lã na fileira de baixo. Até que pensei em um jeito: na última fileira antes de trocar de cor, criar uma espécie de elo solto para que quando trocasse para o fio na nova cor, eu pudesse prendê-lo ali por dentro.

Simplee_Cesto_Bicolor_azul-e-verde_2.jpg

Na foto de cima dá para ver como os pontos desse “elo” foram mudando ao longo do cesto. Como nas nossas experiências de vida, quando a gente tenta fazer algo novo, não acertamos logo de primeira. Demorei para entender qual o melhor jeito de acertar o nó que fixaria uma corda na outra e percebi, somente à medida em que fui fazendo, algumas das coisas que teria que melhorar na próxima cesta.

Uma coisa interessante das cestas é que dificilmente é possível voltar atrás. Quando há um erro, ou você o identifica muito rapidamente a tempo de refazer, ou você percebe ele quando já está um pouco adiante e não há nada o que se possa fazer, a não ser aceitar. Muitas vezes me dou conta dos erros somente quando terminei a cesta.

E não é assim com as coisas que fazemos na vida? Às vezes demoramos muito para perceber onde erramos, mas já não podemos voltar atrás para consertar. Nos resta então começar de novo. E não há nada melhor que a energia dos recomeços, onde podemos aplicar tudo aquilo que aprendemos nas experiências anteriores.