pequenas ações

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são de pequenas ações e de pequenos passos que a Simplee tem vivido nesse ultimo mês. minha rotina mudou completamente e do inicio de maio pra cá pois como escrevi no post anterior, eu agora estou num trabalho full time, depois de quase dois anos só de freelas e outros trabalhos instáveis. 

eu gosto da rotina de trabalhar e estou gostando do meu trabalho, embora ele seja bem puxado e demande mais ou menos 12h do meu dia, entre horas trabalhadas e tempo de deslocamento. estive bem otimista ultimamente quanto a isso. penso que se demoro para me deslocar, por outro lado eu tenho tempo de ler, coisa que eu não conseguia integrar na minha rotina de freela ou de estar em casa, ou se por um lado o trabalho seja puxado, estou aprendendo muito e tenho bastante interesse no que estou fazendo. enfim, esse é o tipo de pensamento que eu tenho tido, o que é bom. 

porém, tudo isso acarreta muito menos tempo para pensar em novas coisas, novos rumos e experimentos. não tenho tido novas ideias e me pergunto: como as pessoas fazem? como várias meninas que eu conheço e que participam de feiras, produzem e tem um trabalho de mais de 8h ou freelas igualmente exaustivos dão conta de produzir tanto? como elas conseguem sacrificam o sono? que horas elas cozinham? como algumas delas tem filhos?hahaha 

e olha que eu reconheço todas as facilidades que eu tenho em casa. tenho alguém com quem posso contar, que me espera quase todo dia com comida pronta, que coloca comida pro gato e além de levar coisas no correio quando eu preciso faz mais um milhão de coisas. tenho consciência da vida confortável que eu levo. 

e mesmo assim, quando eu me comparo nem que seja o mínimo que for com essas meninas as quais eu admiro muito, me sinto completamente desleixada e mole. "não estou fazendo o bastante" e enquanto escrevo isso e sinto enquanto digito essas palavras percebo que aí é que reside todo o problema, nas comparações cruéis que fazemos entre nós mesmos e os outros. 

nos dias em que me sinto mais bem humorada e feliz comigo mesma, são os dias que eu estou despretensiosamente atravessando a rua, com um livro na mão e eu me sinto contente comigo mesma. nessas horas eu me lembro de como eu preciso me admirar mais, de como eu estou feliz com quem eu sou e por onde estou indo, de como eu sinto que os passos que eu dei até aqui fizeram sentido e que a minha caminhada é bonita. é tão necessário reconhecer isso!

a gente raramente tem pela gente o mesmo olhar benevolente e de admiração que temos pelos outros. raramente nos parabenizamos pelas nossas conquistas ou reconhecemos o quanto aprendemos e o quanto fazemos todos os dias. é preciso amplificar essa vozinha que fala dentro da nossa cabeça "você está indo bem, apenas continue" ou "como você está bonita hoje" ou ainda "você aprendeu tanto até aqui, deveria se orgulhar". 

apenas ouça tudo isso. e esteja feliz com quem você é.  

 

 

sábado, tricô e trabalho

Ontem foi um sábado produtivo. Fui na II Feira da Reforma Agrária, comprei várias coisinhas boas de comer de vários cantos do Brasil, voltei pra casa, almoçamos uma tapioca, fizemos um bolo com cenouras que compramos na feira, consegui descansar - dormir a tarde, que delícia -, terminei uma cesta que tinha começado no início da semana, comi pizza, e ainda de quebra, às quase 2h da manhã, comecei um tricô. 

O tricô é uma atividade que eu acho deliciosa e descompromissada e me faz lembrar da época do finalzinho da faculdade, em que eu aprendi a tricotar com amigas que me ensinavam os passos várias vezes porque eu sempre esquecia. Tinha esquecido ontem também, mas ainda bem que existe youtube nessa vida. haha

Outra coisa que esse sábado me fez pensar é sobre o fato de que talvez se eu tivesse tido todo tempo do mundo durante a semana, não teria tido tantos feitos. Mas acontece que essa semana comecei em um novo trabalho. Um trabalho full time e devo dizer que estou gostando bastante. Então tenho um longo caminho pela frente até me adaptar à nova rotina e conseguir encaixar os meus projetos - a Simplee, a Piscina e agora o Tempero M -  a ela.  

Sabe, a gente que está sempre vendo um monte de gente que faz coisas, que tem seus próprios negócios no Instagram, nas feiras e na vida, talvez ache difícil assumir essa faceta "não vivo disso" ou "esse não é meu full time job". Eu sou uma dessas pessoas, que se sente quase na obrigação de pedir desculpas por não "largar tudo e fazer o que ama."

Esse discurso me parece tão repetitivo e velho, que não tenho nem mais muita paciência de pensar sobre ele. Sabe, essa coisa de "fazer algo com as mãos" e ter um arzinho superior como se todo o resto do mundo que não faz ou trabalha em um escritório não é tão legal ou bom quanto você. Preguiça disso. E que coisa besta essa de achar que todo trabalho que não seja diferentão, sem chefe, sem horário é um trabalho chato! Todas as coisas do universo, TODAS, sem exceção tem qualidades e defeitos, coisas boas e ruins, inclusive trabalhos, seja ele um CLT ou um que você tenha inventado e que você seja seu próprio chefe. 

Eu amo fazer coisas manuais e eu faço elas na medida em que me fazem bem ou porque eu quero e posso fazê-las. Mas eu amo também me aventurar em mundos novos, conhecer pessoas e (por que não) trabalhar e ganhar dinheiro com outras coisas que não coloquem toda a carga da minha sobrevivência em cima do que eu tanto gosto de fazer. Esse não é meu objetivo, pelo menos por enquanto. 

É difícil "dar conta" de tudo? É. Mas, demorei para aprender que o peso das coisas na minha vida sou eu quem dou. Quero trabalhar para ter um respiro de alívio e conseguir ter uma casa e pagar meu aluguel e um pingo de estabilidade emocional? Sim. Quero levar a Simplee com leveza sem colocar nela todas as expectativas de me completar e sustentar? Sim. Estou feliz com isso? Sim. Então tá tudo bem. :) 

 

modos de produzir

Mais uma cestinha! E essa embora seja pequena, demorou muito mais tempo para ficar pronta. Confesso que depois de correr bastante, como foi o caso da semana da participação na feira, fico em um estado um pouco passivo, quase catatônico. Principalmente se os freelas momentaneamente dão uma folga, como foi o caso, eu fico um pouco perdida. Fui ver o mar, fiquei mais de 1 semana praticamente sem produzir nada e daí começa a inquietação.

Qual passo dar agora? O que fazer para impulsionar as coisas e seguir adiante? Essas são as típicas perguntas sem resposta que me deixam um pouco aflita. Percebi que eu sou péssima em me desligar das coisas e péssima em ter mais tempo livre para fazê-las. Eu preciso estar sempre em movimento, com foco em outras coisas para me motivar e fazer o que de fato gosto. E talvez isso não seja necessariamente um defeito, só que eu preciso aprender a me disciplinar um pouco para conseguir produzir de maneira mais constante.

Enfim, consegui terminar a cesta nesse feriado prolongado e fui fazendo ela daquele jeito bom, devagar e sempre, papeando com alguém ou vendo alguma série (que no caso agora é Cosmos). 

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E é uma delícia acordar no domingo ou sábado de manhã e tomar um café da manhã demorado, ficar na mesa conversando e encher a xícara de café mais algumas vezes e depois aproveitar a luz do dia e fotografar as coisas ali perto da janela. Hoje no caso, um dia cinza, maravilhoso para fazer isso que acabei de descrever. 

Gosto que o que eu produza faça parte e se confunda com a minha vida, gosto de tratar as coisas assim. Adoro fotografar o que eu faço sem demorar ou levar tanto a sério tudo e gosto do dinamismo desse processo. Parece que se eu demorar mais, arrumar mais e me preocupar mais, as coisas perdem um pouco da sinceridade inerente a elas e talvez eu não me sinta tão autêntica se fizer de outro jeito. Sei que poderia melhorar muito ainda nesse quesito de fotografar e tratar imagens, mas o lance é que hoje fico feliz de registrar as coisas desse modo.

E fico feliz em experimentar. Gostei muito do formato dessa cesta e preciso sem dúvida, começar a experimentar mais, seja com novas cores e padrões, seja com novos tamanhos e formatos. Quase que sem querer ainda estou seguindo, em boa parte do que eu tenho produzido, o desafio que me coloquei de usar coisas que tenho à mão, como é o caso dos barbantes coloridos. Mas até eles que pareciam infinitos, já estão dando sinais de que não durarão pra sempre, o que é ótimo. Então bora dar novos usos pra eles e para as lãs lindas que ainda tenho aqui. 

sorte

Como  o aniversário da Simplee se aproximava, fiz um sorteio no instagram para comemorar. Além da óbvia função de divulgar e agregar mais seguidores, acho que esse tipo de atividade serve principalmente para que a gente possa se conectar com outras pessoas através das coisas que fazemos.

Separei com carinho algumas peças que mantive guardadas, lá da primeira produção da Simplee, onde tudo começou. E só de tirar as peças de onde elas estavam, já passou um filme na minha cabeça de todos aqueles momentos de produção. Me vieram as sensações, o momento que eu estava vivendo, as músicas que eu ouvia enquanto fazia, os cheiros, enfim, lembranças de q eu estava ainda gestando o que viria a ser a Simplee. 

Na hora em que pensei em fazer esse sorteio eu pensei que queria contar um pouco disso tudo para quem ganhasse, assim as peças teriam alguma história, algo verdadeiro de mim mesma e foi isso que eu fiz.

Quem ganhou o sorteio foi a Rebeca de Moura e rapidamente antes determinar de embrulhar as peças e levá-las até o correio, me sentei para escrever essas coisas pra ela. Alguns dias depois , percebi que quem teve a sorte do sorteio fui eu. Recebi essas fotos lindas do Leandro e um post com uma mensagem linda da Rebeca. Tao linda que me deu ânimo e me fez voltar pra mim mesma justamente em um dia em que me sentia um pouco perdida.

Mais uma vez, eu que agradeço. <3

dia de fêra

Geralmente as semanas que antecedem uma participação em feira são bem intensas e corridas mas confesso que a semana que antecedeu a Fêra Féra X  foi uma das semanas em que me senti mais viva dos últimos tempos. 
E sincronicamente o freela que já vinha rolando desde janeiro, acabou na sexta anterior. Não é mágico isso? Eu tenho pra mim que é o universo me dizendo "vai!". Bom, eu fui. 

Dias antes terminei de produzir alguns itens, produzi outros novos, fiz aquele tour inesquecível na 25 de março (rolê esse que é praticamente inevitável e que sempre quando você tem que ir vem a memória de como foi a última vez, que te faz repensar todo o sentido da vida e você se pergunta por que raios você tem que ir de novo lá mas no fim você cria coragem e vale a pena pelos achados a preços módicos), montei colares, bordei e me organizei para ficar com tudo em ordem antes do prazo pra não rolar aquele desespero de última hora. 

Mas dessa vez teve um leve e maravilhoso agravante na história. E quando eu digo maravilhoso é maravilhoso mesmo, sem ironia: o Tempero M, empreitada que eu e meu irmão estamos há mais de ano querendo tirar do papel e voilà, conseguimos (com ajuda da Mama, claro)! O que implica um pouco mais de correria, daquele tipo bem doida mas que vale a pena no final. Aliás, visitem as páginas do tempero, espalhem para os amigos. Ele é maravilhoso!

Como ja falei uma vez aqui no blog, é muito gratificante participar da Fêra Féra. O clima é muito bom, os expositores são lindos e a gente se sente em casa. E eu tenho um carinho muito grande por ela, já que foi a primeira que me acolheu e acolheu a Simplee, um ano atrás. 

Participar da fêra em uma data tão simbólica pra mim, foi memorável. E eu fiquei muito orgulhosa de tudo que consegui evoluir até aqui. É um sentimento quase como de dever cumprido só que não porque tenho muito chão ainda pra caminhar. Mas né? Vamos valorizar cada passo, não é? 

*todas as fotos por Leonardo Sang.

novos passos

Exatamente um ano depois do primeiro passo, da primeira feira, a Simplee dá um novo passo. Uma nova linguagem visual, um novo site, um novo blog para começar um novo ano. :)

Eu e a Simplee crescemos muito durante este ano e uma mudança foi necessária e bem vinda. Estou muito contente de onde estou e como estou hoje. Olho pra trás e me dá uma alegria enorme de ver que tudo foi necessário, tudo foi bom e um aprendizado. 

Eu sinto que eu estou fazendo o que muitas vezes mal tive coragem de pensar em fazer. Mal sabia que seria capaz. Mudar é bom. E às vezes a mudança só vem com um empurrão ou uma chacoalhada meio bruta. Pelos empurrões e pelas chacoalhadas, sou muito grata. 

A nova identidade da Simplee foi desenvolvida pela talentosíssima Tina Merz. Agradeço muito a parceria. Estou muito feliz. <3

E ah, assim como o site, o blog aos poucos vai entrando nos eixos. Nem todos os posts estão aqui, mas em breve ele estará completo, contemplando todos os passos que já foram dados até aqui. 

o vício

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é viciante. e eu acho que sei porque. sou só eu e os materiais e lembro que foi isso que me fez começar a experimentar com linha pela primeira vez. tirando o meu tcc, fui buscar as linhas do bordado para conseguir liberar aquela energia de fazer algo. sem oficina, sem marcenaria, sem materiais, a linha e a agulha se tornaram meu escape. acho que a ideia é a mesma aqui. a independência no fazer das cestas me anima. não preciso de forno como no caso da cerâmica, não preciso de moldes e tempo de cura como no caso dos objetos de concreto e não preciso de serra e lixa como no caso da madeira. eu só faço. 

e é isso que tenho feito. mesmo durante uma semana corrida como foi essa que passou, consegui fazer um pouquinho da minha cesta de noite quando chegava em casa enquanto via chef’s table (ou masterchef ou abstract - são essas as únicas coisas que eu assisto hoje em dia haha).

e quase uma semana depois consegui. mais uma pronta. dessa vez aprendi algumas coisas. o barbante rosa que eu tenho aqui é de espessura diferente dos outros. é bem mais fino, o que de cara, percebi que tem um efeito um pouco ruim se comparada às outras.

o material que mais ‘cobre’ o sisal é a lã mesmo. fica mais bonito, mais elegante e diferente. mas gostei muito de como ficou o sisal com o barbante mais grossinho. esse mais fino deixa as superfícies trançadas da corda muito a mostra, o que me incomodou um pouco. 

outro detalhe que me incomodou é que essa corda de 15mm, que eu comprei porque era a única espessura que se encaixa perfeitamente ao acabamento de cobre, é muito grossa. dificulta muito na hora de começar a cesta, então a parte central não fica lá essas coisas. hoje irei testar começar com o tampão de cobre e ver como fica. e as próximas vezes, irei testar usar cordas mais finas para fazer cestas menores, que eu possa usar outro tipo de acabamento.

e uma coisa que eu ganhei foi um belo calo no dedo indicador. para o acabamento ficar de fato bom, é preciso puxar bem a lã ou o barbante para segurar uma corda na outra e cobrir bem a superfície de sisal. nisso, o dedo é quem sofre. não usei esparadrapo dessa fez e bom, agora meu dedo se adaptou, está com uma superfície dura e que não me machuca mais. 

só sei que o resultado foi esse. uma cesta com duas das minhas cores favoritas e que de quebra, ainda combinou com a minha caneca nova. :)

bloco do barbante

quem acompanha a Simplee pelo Instagram sabe que eu estou na fase das cestas. eu não consigo fazer outra coisa (quando não tenho um monte de pendências, como é o caso nesse exato momento). eu tenho várias coisas da Simplee que precisam andar mas as cestas me pegaram de jeito e quando eu começo é difícil parar. e foi assim que eu passei o feriado lindo e prolongado de carnaval: em meio a familiares e barbantes. 

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no feriado do carnaval eu sabia que iria para a casa dos meus pais então levei numa sacola minhas agulhas, um bordado que preciso terminar (e que não mexi devido às cestas haha) e dois rolos de barbante que tenho aqui pra usar em um pedaço de corda que tinha deixado lá uns meses atrás, que era resto da minha primeira cesta de sisal. 

a cesta de sisal ficou assim, firme e forte, literalmente. finalizei ela ainda durante um churrasco de família - sim, eu tava fazendo cesta durante o churrasco, eu disse que era viciante! - e depois de fazer um calo no meu dedo indicador direito, resolvi descansar um pouco. 

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e foi só na madrugada seguinte que fiz e terminei a mini cesta de cordão de algodão. que não fica firme e forte e que o acabamento fica ruim. como o cordão é mole, não dá pra puxar e apertar o fio para ficar bem assentadinho, como eu faço com o sisal, então o cestinho ficou essa coisa meio mole, meio boba, mas eu não estava nem aí, só queria terminar o cesto e testar a troca de cores entre uma linha e outra. 

já valeu pela prática! e no fim, até que ele é bonitinho. ótimo pra colocar chaves ou coisas miúdas, né?

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coisas chatas acontecem

é, elas acontecem. geralmente a gente quer cobrir, a gente quer fingir que elas não existiram, sentimos vergonha, sentimos dor, desespero, qualquer coisa, mas a gente quer evitar as coisas chatas que acontecem com a gente. 

e olha, elas vão acontecer se precisarem acontecer e não há nada que a gente possa fazer para evitá-las. resistir, fingir que não é com a gente e soterrar os sentimentos só vai fazer com que o sentimento, acontecimento, seja lá o que for, vire uma bola de neve e tome proporções ainda maiores. 

nos últimos anos, talvez até nos últimos 3 ou 4 anos andei tendo umas experiências bem chatas, pra não dizer ridiculamente chatas e insuportáveis. haha e nesse meio tempo, talvez mais no último ano, eu fui buscar leituras, vídeos, palestras, meditações guiadas e até hipnose online (sim, isso existe no youtube) e o que eu aprendi, além de ter a oportunidade de me conhecer como nunca, é: as experiências estão aí pra ensinar coisas que precisamos aprender e a gente precisa se responsabilizar pelas coisas que acontecem com a gente e parar de se colocar como vítima, enxergando o problema sempre fora e nunca dentro, contando histórias pra gente mesmo sobre como o mundo é terrivel e as pessoas piores ainda.

olha, vou te contar que a vida parece bem menos terrivel quando você percebe que erra, que tem escolha, enfim, que você é responsável. é bom se reconhecer nos erros, nas coisas ruins e poder andar pra frente com muito menos peso na mochila eterna que carregamos durante a vida.

outra coisa que percebi é que é um treinamento e um aprendizado diário se colocar na vida desse jeito, se colocar no agora, perceber as coisas e estar mais consciente. é no dia a dia que a gente consegue aplicar as coisas e é no dia a dia que a gente aprende, devagar e sempre. 

quando o vasinho novo rachou e quebrou, me fez pensar sobre isso. e me fez pensar no processo. quantas coisas deram errado no meu processo com a Simplee? quantas coisas deram errado na minha vida? muitas! e tudo bem! porque eu não estaria onde eu estou agora, não seria a pessoa que eu sou agora e não teria aprendido tanto. 

a rachadura no vaso é mais uma parte do processo. eu poderia fingir que isso não aconteceu e que eu só faço vasos lindos que dão sempre certo? poderia. posso até tentar juntar as partes, posso refazer o vaso, mas ele nunca mais vai ser o mesmo porque mesmo que eu faça tudo de novo, é um novo vaso, feito de uma nova perspectiva. e é isso, a gente ao longo da vida vai ganhando perspectiva. vamos aprendendo com os erros, vamos buscar melhorar e principalmente ser menos duros com a gente mesmo e com as nossas falhas e fracassos. está tudo bem, sério!

cesta pronta com lã e mais cobre

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mais uma cesta pronta! 

já fazia um tempo que queria testar se dava certo inserir luvas de cobre na confecção da cesta de sisal e lã e bom, parece que deu! 

dessa vez comprei uma corda mais grossa para encaixar certo a luva e o cap de cobre que já tinha comprado e foi dito e feito, ficaram bem justinhos!

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foi quase o novelo todo de lã e se não fosse o fato de as luvas terem quase acabado, talvez teria deixado o cesto ainda mais alto. estava em duvida se faria um cesto mais largo e mais baixo ou um mais alto e menorzinho e acabei optando pela segunda opção. gostei bastante da proporção e de como ficou o acabamento. 

o que eu gosto dos cestos é que eles são utilitários que podem se inserir em qualquer contexto, podem ser fruteiras, porta-lápis, organizadores, cachepots ou apenas itens decorativos (acho que raramente são somente decoração porque é praticamente impossível ter uma cesta e não ir colocando coisas dentro. falo por experiência própria de pessoa que se deixar vai espalhando coisas pela casa. então mais um ponto positivo pra eles).

hoje para fotografar coloquei um dos vasinhos aqui do quarto dentro dele. só pra contextualizar mesmo, mas achei que ficou uma graça, olha só: 

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próxima missão: cesto tamanho família! o processo eu conto nos próximos posts. :)

mais uma cesta vem aí

E é tão bom compartilhar o processo! Dessa vez fotografei o novelo de lã que estou usando porque, olha, essa lã é tão linda e especial que merece um post só pra ela.

Ganhei vários desses novelos da minha sogra, que há mais de dez anos dava aulas de tapeçaria e há mais de dez anos esses novelos estavam guardados no armário, sem uso.

Quando os ganhei (tive que escolher algumas cores preferidas e trazer na mala o que coube) eu não sabia o que ia fazer com eles. A vontade de fazer cestos veio depois e comecei eles usando barbante, como já falei por aqui.

Toda vez que vou usar um novelo novo sinto pena de rasgar esse papelzinho foto com as ovelhas, mas é por um bom motivo, afinal, uma cesta nova vem aí! 😊

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[mais uma] história de um vaso que deu certo

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Comecei 2017 com o objetivo de fazer dar certo algo que já tinha se provado ineficiente. 

No início de 2015, quando cheguei em São Paulo (ah, os começos de ano, sempre entusiasmados), uma das primeiras coisas que fiz em janeiro foi planejar a feitura de um molde de silicone para os vasos que eu havia imaginado. nos meus desenhos, eles eram cúbicos, poderiam servir também como porta-lápis e receberiam uma aplicação de madeira embaixo, mistura que os faria únicos e elegantes. 

A pior coisa de quem tem vontade de fazer coisas constantemente é a falta de ferramentas, lugar apropriado e meios para fazê-las. nisso, mandei fazer a matriz desse vaso cúbico, de um outro comprido e uma outra peça que nem quero falar sobre (a falta de noção até se fazer de fato é algo que pode atrapalhar bastante as coisas). A matriz, eu já devo ter falado aqui em algum lugar é o que recebe o silicone e dá origem ao molde, uma cópia em negativo da sua matriz. Enfim. 

As matrizes chegaram e eu fui testar (e olha que esse teste demorou pra acontecer. o silicone havia sido comprado quando eu ainda morava em Florianópolis - aliás, já estava passando do prazo de validade). Foi um desastre total. O silicone mal saiu da matriz e todos meus planos e imagens lindas de eu desenformando o meu lindo vaso com acabamento perfeito foram por água abaixo. 

Entre mudança, crises, notícias péssimas, instabilidade e a procura por um trabalho, já era quase setembro (acho) quando eu resolvi fazer alguma coisa e fui até o Lab74 pedir um help. Já devo ter dito isso, mas foi lá que eu fiz a matriz que deu origem aos moldes que uso até hoje. Os vasinhos quadradinhos com furo redondo eu fiz com madeira pinus colada e serra-copo. Depois passei massa corrida pra dar acabamento, lixei e só depois fiz o molde. 

Não me lembro muito bem de como as coisas fluíram a partir daí. Essa fase da minha vida é turva, como se uma névoa encobrisse minha visão, como se eu estivesse embriagada, andando como zumbi nas ruas vazias e sem nexo da minha vida. Sei que o ano terrível terminou e eu me agarrei no trabalho e só foi em 2016 que a Simplee nasceu, autoral e minha.

E a Simplee veio ao mundo com o vaso de furo redondinho, e olha, ele sempre deu conta, continuo achando ele um amor. Mas me irritava o fato de mesmo depois de pronto, ainda precisar lixar muito pra ele ficar com um acabamento satisfatório. E daí esse ano eu achei a tal da matriz perdida e pensei que não era possível não ter dado certo. 

Ainda em dezembro de 2016 comprei madeiras para fazer um molde mais reto e saí de férias. Na volta, meu pai se empolgou comigo e me ajudou a parafusar a caixinha do molde, a matriz na caixinha, enfim, fez várias coisas. Isso também demorou uns dias, até passar massa corrida na matriz, lixar, dar errado, lixar. Mas saiu. Joguei silicone, esperei curar, tirei e voilà! Eu tinha um molde que não tinha quebrado (ainda)! haha

E gente, tudo demora, né? Ainda mais se você faz outras coisas e o andar da carruagem só depende de você. Cara, as coisas se arrastam, sério. Como é difícil colocar as coisas em prática! Mas olha, se você também procrastina, enrola, pensa e repensa as coisas antes de fazer de fato, bem-vindo(a)! E calma, vai sair. Você só precisa persistir um pouco. 

O molde ficou pronto, tive um freela pra fazer em sp, voltei, concretei e vim pra sp de novo pra mais freela - minha vida é meio vai e volta, moro meio aqui, meio lá, mais aqui do que lá, as coisas ora ficam aqui, ora um pouco lá haha, o que também atrapalha na hora de manter um fluxo de trabalho. mas paciência! logo isso também se resolve. uma coisa de cada vez! (ufa) - trouxe os dois vasos que consegui concretar pra sp e só agora que eu lixei e dei acabamento. 

Demorou. Mas e daí? Tá pronto! Tá lindo! E antes do último raio de sol do último sábado resolvi plantar nos dois vasos que tinha feito e consegui tirar essas fotos. E eu olho pra elas e eu fico feliz, orgulhosa, afinal, eles saíram! 

lã, sisal e cobre

finalmente pude fotografar o cesto que fiz esses tempos usando lã e sisal basicamente. o cobre surgiu não sei bem como, mas achei uma opção viável e bonita de acabamento para o final do cesto. 

comprei alguns caps de cobre pela internet e eles chegaram essa semana pelo correio e ontem mesmo, um pouco apressada entre compromissos, abri o pacote e colei o cap no final do cesto até então inacabado. 

obviamente acho que ainda tem muita coisa pra melhorar nesse cesto mas já fiquei bem feliz com o resultado e a ideia é seguir experimentando novas cores de lã, talvez novas espessuras de corda e talvez tentar usar luvas de cobre durante a confecção dos cestos. acho que pode ficar bom. 

adorei como ficaram esses risquinhos de lã rosa sobre a lã cinza quando mudei de uma cor para outra - coisa que não foi intencional pois a cinza tinha acabado, mas que acabei gostando no final - e acho que dá para explorar bem isso nas próximas. 

é isso. mais um aprendizado e mais um experimento compartilhado. :) 

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inícios

inícios costumam ser animados e trazem um quê de otimismo e esperança. foi assim que comecei 2017. muito mais calma e tranquila (quanta diferença de um ano atrás!) e sem ansiedade.

cercada de amigos e longe dos afazeres cotidianos pude pensar e repensar bastante sobre a Simplee. ao conversar com algumas pessoas sobre o que tenho feito e o que construí em menos de um ano, pude ver que a coerência que eu procuro desenvolver com meu trabalho já está aqui.

passei boa parte do ano me questionando sobre os produtos que eu faço, sobre como eu deveria fazer uma coisa só, enfrentando a pressão que eu me impus de achar um foco, um amor único nos fazeres manuais.

o que ficou claro é: eu não tenho um único amor manual e foi difícil aceitar isso. eu gosto de experimentar e de fazer o que está ao meu alcance no momento. se eu não tenho argila, mexo com cimento, se não tenho cimento, mexo com linhas e se não tenho linhas eu invento.

se você não é novo por aqui deve estar achando esse papo bem repetitivo pois já disse aqui no blog que iria abraçar essa pluralidade do fazer mas nunca esteve tão claro para mim que isso não é um defeito e que eu posso sim ser coesa ao fazer muitas coisas pois mesmo muito diferentes entre si, os produtos tem algo em comum - eles são feitos por mim e carregam a minha bagagem. com isso claro, é mais fácil e leve seguir viagem. :)

a foto desse post ilustra bem isso. estou testando usar sisal na confecção de uma cesta. já fiz uma usando cordão e barbante azul postei há um tempo aqui e também já testei usar lã em uma cesta que fotografei mas infelizmente nunca tive a chance de postar aqui pois meu laptop está no conserto e essas fotos estão dentro dele. :| bom, fica para uma próxima, mas acho que o importante é testar e se tudo der certo, espero em breve ter uma linha nova de produtos feitos com essa técnica.

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#usaoquetem natal: mini pinhas

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Eu e a Iana pegamos uma quantidade enorme dessas mini pinhas em Ibiraquera (Imbituba-SC) no verão de 2014 em um dos passeios deliciosos que fazíamos aos finais de semana (ai, saudade). 

Acho que eu imaginava fazer com elas exatamente isso que estou fazendo aqui. E enquanto eu estava fazendo esse experimento de natal, pensei sobre isso. Sobre como já em 2014 eu sabia o que eu queria mas eu ficava me enganando. Enfim. Como agora, era verão, o natal se aproximava e eu queria fazer algo com elas. Guess what: não fiz. Até agora. 

As pinhas estavam na mesma prateleira do armário onde encontravam-se as árvores de madeira que consegui desenterrar este ano e achei que seria uma ótima oportunidade de continuar os experimentos do desafio #usaoquetem. E olha, é bom colocar as ideias em prática, mesmo as mais bobinhas e simples como esta. 

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O que eu usei: linha dourada e mini pinhas. Basicamente isso. A linha dourada eu herdei há uns bons 3 ou 4 anos da minha tia, que me deu um monte de tranqueiras de fazer bijuterias. Grande parte delas eu doei mas mantive comigo essa linha dourada e uma prateada, uns fios de nylon e coisas que não me lembro mais. Essa linha já serviu também para fazer embrulhos de vários presentes que dei ao longo dos anos. Gosto muito dela. :)

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Com um nó simples fui amarrando as pinhas lado a lado. Uma coisa importante é colocar um pinguinho de cola em cada nó para que ele não escape e depois de seca a cola nem aparece.

A ideia era fazer um enfeite para a mini árvore de natal que comprei semana passada mas quando terminei vi que o cordão dourado de pinhas daria também um ótimo enfeite de parede.

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Acho até que gostei mais desse uso do que o uso original que havia pensado para o cordão, mas tudo bem. Segui em frente e fui enrolando o cordão em volta da mini árvore. Quando terminei vi que não tinha feito o suficiente e daí lá fui eu fazer mais cordão com mini pinhas. 

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Pra mim, as mini pinhas por si só já são bem bonitas, têm uma singeleza delicada que gosto muito. Acho que é porque elas me fazem lembrar das coisas da natureza que são assim, inteiras e perfeitas em si mesmas. 

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Bom, é isso. Fiquei apaixonada pela minha mini árvore enfeitada com mini pinhas e fiquei feliz de tê-las usado como parte do desafio, mesmo que a árvore tenha sido comprada e o vaso eu tenha ganhado de presente (<3) acho que ainda está valendo, né? 

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little happy dance

Esses dias vi uma frase compartilhada pela Rafa Cappai no Instagram dela que era assim: “When you buy from a small business an actual person does a little happy dance” - ou “quando você compra de um pequeno negócio uma pessoa de verdade faz uma dancinha da felicidade”.

E gente, é verdade! Fiquei com essa frase na cabeça e uns dias depois eu tive minhas primeiras vendas na loja virtual e foi bem assim! Porque é maravilhoso vender para o seu primo ou para suas migues (aliás, obrigada gente querida!) mas a dancinha parece que vem mesmo quando você vende pra alguém que você nunca viu na vida e não sabe nada sobre você e está ali, clicando no “comprar”. 

Estava com saudades dessa sensação e devo dizer, é diferente de vender em feiras. Fiquei um pouco frustrada de não participar de feira alguma agora no final do ano. O gás que eu dei na Simplee veio um pouco tarde para poder participar de um evento e confesso que não sou muito ligada nessas coisas. Por isso colocar a loja online no ar foi uma vitória. Parece pouco, eu sei. Mas não é. Já tinha tido uma loja online (e acho inclusive que sou meio viciada nisso) mas a sensação é sempre nova e é uma correria! Uma correria boa, mas uma correria.  

Fiquei pensando que tenho a sorte de estar imersa em um universo (ou bolha) em que conheço várias pessoas que estão começando, que já começaram e vivem nessa função de vender seus serviços e produtos, o que me dá um certo alívio. Me faz sentir que não estou sozinha e que eu não estou louca. Haha 

E não sei se é efeito da lua cheia, mas estou amando cada minuto de estar em casa focada nisso. Óbvio que é ótimo trabalhar fora como eu fiz boa parte do ano, mas estou gostando muito desse meu momento presente, de ter esse tempo e essa calma para fazer as coisas, de estar tudo fluindo e conspirando para isso. 

Bom, essas foram algumas das coisas que eu pensei hoje enquanto estava embalando os pedidos e enquanto os levava até os correios. Os primeiros. Obrigada você, pessoa que comprou na loja da Simplee essa semana. Teve uma mini dancinha da felicidade quando eu vi seu pedido lá. Obrigada. :)

experimento novo: cesto

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Logo após me propor o desafio #usaoquetem e inspirada por vídeos de como fazer cestos no YouTube, olhei em volta e vi que tinha 3m de um cordão fino e muitas linhas de bordado. Comecei a tecer a tal da mini cesta, como registrei no Instagram da Simplee esses dias. 

Bom, logo ela tomou forma e foi ótima para “treinar”, mas antes mesmo de finalizá-la, eu, já meio ansiosa, resolvi partir para um tamanho um pouco maior, usando um rolo de cordão de algodão, que comprei inclusive pra fazer cestos e costurá-los na máquina de costura (o que não foi possível na minha e acabei deixando o experimento de lado) e barbante colorido, que ainda tenho muito por aqui. 

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pois bem, esse final de semana eu consegui finalizá-lo e já tenho algumas ressalvas quanto aos materiais e quanto as técnicas, que na verdade, foi uma bela salada mista de alguns vídeos que eu vi, uns inteiros, outros pela metade (pois eu não sou uma pessoa muito dada aos tutoriais. Acabo olhando rapidinho, testando e vendo qual é por mim mesma. É um caminho em que a gente bate a cabeça um pouco em algumas coisas, mas considero um tipo de aprendizado). 

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Bom, acho que embora eu ainda tenha muito aqui, o barbante não é meu material favorito para este trabalho por alguns motivos: 1. como ele vem torcido, conforme você vai passando a linha e enrolando em volta do cordão, ele vai “destorcendo” e em um dado momento você está trabalhando com vários fios “meio” juntos, o que não fica muito legal; 2. solta fiapinhos; 3. suja muito facilmente.

Quanto ao cordão de algodão, ele é prático, mas acho ainda muito mole, o que não dá muita sustentação para o trabalho e dependendo da força em que você puxa o barbante ao enrolar, o cordão acaba ficando com espessuras diferentes, mais apertado ou mais grosso, o que não me agrada muito, mas creio que não vai ter muito jeito quanto a isso. 

Quando acabar esse rolo de cordão, estou pensando em utilizar algum tipo de corda mais dura e resistente, ou mesmo uma espécie de mangueira que não deforme tanto quanto o cordão. Espero conseguir algum material de reuso, mas se não tiver, paciência. 

Já estou começando um outro cesto usando lã (um dia tiro foto e falo delas aqui - são lãs que ganhei e estavam guardadas sem uso na casa da minha sogra há mais de 10 anos!) - e já está ficando bem melhor. Espero logo ter um cesto novo pra mostrar! 

Por enquanto, fico contente de ter começado e concluído mais um experimento!

o natal chegou na simplee!

O ano passou voando, novembro já está quase no fim mas as árvores de Natal da Simplee ficaram prontas à tempo! Já escrevi aqui no blog sobre a saga de quase 4 anos para a concretização destas árvores e para mim é uma alegria muito grande concluir esse projeto. :)

Ideias de produtos e objetos surgem sempre, mas confesso que algumas se tornam quase que uma “questão de honra”, sabe?  As árvores são um pouco disso. Dessa inquietação de conseguir terminar uma coisa. E essa coisa pode mudar no meio do caminho, pode encontrar obstáculos e pode até morrer na praia, mas se eu realmente gosto da ideia, eu preciso tentar terminá-la de algum jeito. 

As árvores mudaram. Elas eram sem gracinha, sem nenhum diferencial. Elas eram só árvores de madeira, que na época cogitei pintar mas não estava no clima e então da primeira vez, elas saíram meio cruas, sequinhas e sem graça. 

A ideia de customizar com linha veio só esse ano, depois de me enturmar mais por este mundo. E foi aí que eu pensei que seria muito mais legal se cada pessoa que se interessasse em comprar, pudesse fazer a sua árvore, do jeito que bem quiser. E assim nasceu o kit de natal da Simplee, que contém 1 árvorezinha de madeira, amostras de linhas coloridas e uma agulha de bordado!

ai, eu não sei vocês, mas eu adoraria uma decoração de natal assim! haha e bom, agora eu tenho! 

a tiragem de árvores é limitadíssima e está disponível na loja online!

desafio #usaoquetem

Fui acumulando tanta coisa ao longo dos anos! 

São tecidos de quando eu fiz um curso de costura, ainda lá em Florianópolis, e comprei vários metros de tecidos que nem ia usar só porque estavam pela metade do preço; linhas que vinham em pacotes e para ter uma tinha que comprar o pacote com 8; metros de tecido ganhos de presente; linhas que comprei porque a cor era bonita mas já tinha várias iguais porque sempre gosto das mesmas cores; tintas de tecido pra fazer estampa (mais comprei tinta que fiz estampas de fato); barbantes para usar no tear (já que tear seria “a coisa que eu ia fazer pra sempre”- claro que não); sisal, papéis, cortiça, tecido de algodão, pedaços de madeira, enfim. Muita coisa. 

Muita coisa pra alguém que não fixou residência direito em quase 2 anos e muita coisa pra alguém que se acha legal por fazer seu próprio desodorante e ter poucos sapatos e poucas peças de roupa - tenho pouquíssimas sendo usadas de fato, mas tenho várias outras no enorme guarda-roupa que tem no meu quarto na casa dos meus pais - é, ainda tenho muito que caminhar. 

Desde o volver, lá em 2012, em que ressignificávamos refugos de madeira transformando-os em acessórios (lindos, por sinal) comprar matéria prima parecia meio fora de contexto, sabe? Parecia absurdo. Até a corrente era algo que me incomodava (e incomoda - não achei uma solução satisfatória pra isso ainda) e desde então, tenho mantido o olhar atento pra essas coisas e acho que é algo que gosto muito de fazer, isso de trazer um sentido novo pra algo que teoricamente não serve mais. 

E acho que no momento em que vivemos hoje, isso fica meio que inerente a qualquer processo criativo, dado o tanto de lixo que a gente produz e não pára de produzir e o fato de que passamos séculos explorando a natureza como se não houvesse amanhã e chegou uma hora em que fica impossível não pensar para onde vão e de onde vêm as coisas que produzimos e consumimos. 

Tudo isso ficou ainda mais claro depois de participar do Trama Afetiva - projeto da Fundação Hermann Hering que uniu profissionais, estudantes e designers (que eu conto um pouco mais aqui), e que além de ser uma experiência colaborativa de design em upcycling, com a ressignificação de resíduos, visa repensar toda a lógica de processo produtivo. Tem como trabalhar de maneira mais horizontal e colaborativa, tem como ser mais flexível, tem como produzir de maneira mais pessoal, significativa e sustentável. Tem como. E tem um monte de gente pensando nisso. É uma transformação em curso, é um processo. 

E o que eu tenho em mãos? Um monte de coisa e vontade de experimentar. Então faz um tempo que pensei em me lançar um desafio: produzir objetos, experimentos, seja lá o que for, usando só o que já tenho. E caso precise comprar algo, também irei documentar, claro. (Aliás, hoje já tive que comprar linha para um bordado-encomenda e já comprei uma tesourinha fofa e outras 2 linhas e um monte de agulhas, mas tá, agora que escrevi aqui, vou considerar estar valendo o desafio de verdade. :/)

Bom, queria ter um nome pra esse desafio e hoje mesmo vi que uma amiga estava pensando na mesma coisa e decidiu lançar um projeto de bordado só com que já tem em casa e comentei que seria legal se tivesse uma hashtag pelo menos para o instagram pra compartilhar coisas que as pessoas fazem com materiais que têm em casa, assim todo mundo participa, se ajuda e colabora. Pensei em #usaoquetem ou #desafiousaoquetem. Aceitando sugestões. 

Valendo!

trama afetiva

entre o final do mês de outubro e meados de novembro de 2016 tive o prazer/honra/sorte de participar da Trama Afetiva, uma experiência colaborativa de design em upcycling, iniciativa da Fundação Hermann Hering (representada aqui pela Amélia Malheiros), fundamentada pelo conceito de economia afetiva onde ressignificamos resíduos têxteis da própria Hering. Parafraseando aqui o Jackson Araújo, o foco do projeto era entender processos de ressignificação usando o design como ferramenta de transformação social, profissional e de produtos. 

Assim, a Trama uniu profissionais, estudantes e os designers Marcelo Rosenbaum, Alexandre Herchcovich e Patricia Centurion e ainda teve participação do Cardume de Mães, grupo de artesãs-costureiras que há dez anos já trabalha com reaproveitamento de materiais e busca repensar o modo de trabalhar, com uma economia aberta e com horários flexíveis.

Acho que a herança mais poderosa de tudo isso que aconteceu no tempo que estivemos trabalhando juntos, foi a possibilidade de conhecer e se conectar com pessoas tão diversas e tão maravilhosas. Sem dúvida eu amei todo o processo, mas acho que o dia em que nos apresentamos e contamos das nossas vidas e dos nossos trabalhos foi muito forte.

Foi tão maravilhoso ter essa possibilidade, de ter o luxo (sim, usar bem o tempo é um privilégio) de passar uma tarde ouvindo pessoas. Ouvindo. Sabendo mais sobre suas bagagens, sobre os momentos importantes de suas vidas e do que as movem. Senti naquele dia uma gratidão imensa e me senti conectada com cada um pois não teve uma pessoa com a qual eu não me sentisse identificada. E isso é tão lindo e sei que é raro. A gente raramente está atento para perceber o outro e as suas histórias e acho que esse foi um momento bem especial. 

Com base no que todos trouxeram como bagagem cultural e afetiva com seus trabalhos e histórias de vida, fizemos um mural bem lindo e a partir dali conseguimos criar um ponto de partida em comum para criarmos a nossa linha de objetos. 

Trabalhamos com o triângulo como base formal para as peças e em cima das palavras-chave cidade, casa e viagem, criamos a linha Casca, feita usando basicamente resíduos de diversos tipos de jeans. 

No final do processo, os produtos ficaram em exposição no galpão do Rosenbaum e foi a coisa mais linda ver eles ali todos arrumadinhos e contextualizados depois de um processo intenso - e igualmente único e bom. Sabe aquela canseira boa depois de trabalhar se sentindo presente o dia todo? Pois então, era isso. 

Tive o prazer de desenvolver o orquidário-dobra e o biombo-dobra com a ajuda imprescindível das meninas do Cardume. Tinha hora que a gente achava que não ia sair, que não ia dar tempo, mas deu. Fiquei até espantada de estar do lado de gente tão boa como as que estavam ali do meu lado. É pra ficar feliz mesmo. E grata. Esse é o tipo de encontro que a gente não vê assim todo dia. 

As pessoas queridas que participaram da Traminha: Adriano Catenzaro, Carolina Ecco, Eglair Quicolli, Eliane Marques, Francisca Laura, Herculânia Reis, Itiana Pasetti, Leandro Castro, Marcelo Badan Caparroz, Nadezhda Mendes da Rocha, Nina Coimbra, Paula Franchi, Patricia Sayuri, Rosinha Matos e Yae In Choi - ao lado dos diretores criativos Jackson Araújo e Luca Predabon e sob orientação dos designers Marcelo Rosenbaum, Alexandre Herchcovich e Patricia Centurion. <3