desafio #usaoquetem

Fui acumulando tanta coisa ao longo dos anos! 

São tecidos de quando eu fiz um curso de costura, ainda lá em Florianópolis, e comprei vários metros de tecidos que nem ia usar só porque estavam pela metade do preço; linhas que vinham em pacotes e para ter uma tinha que comprar o pacote com 8; metros de tecido ganhos de presente; linhas que comprei porque a cor era bonita mas já tinha várias iguais porque sempre gosto das mesmas cores; tintas de tecido pra fazer estampa (mais comprei tinta que fiz estampas de fato); barbantes para usar no tear (já que tear seria “a coisa que eu ia fazer pra sempre”- claro que não); sisal, papéis, cortiça, tecido de algodão, pedaços de madeira, enfim. Muita coisa. 

Muita coisa pra alguém que não fixou residência direito em quase 2 anos e muita coisa pra alguém que se acha legal por fazer seu próprio desodorante e ter poucos sapatos e poucas peças de roupa - tenho pouquíssimas sendo usadas de fato, mas tenho várias outras no enorme guarda-roupa que tem no meu quarto na casa dos meus pais - é, ainda tenho muito que caminhar. 

Desde o volver, lá em 2012, em que ressignificávamos refugos de madeira transformando-os em acessórios (lindos, por sinal) comprar matéria prima parecia meio fora de contexto, sabe? Parecia absurdo. Até a corrente era algo que me incomodava (e incomoda - não achei uma solução satisfatória pra isso ainda) e desde então, tenho mantido o olhar atento pra essas coisas e acho que é algo que gosto muito de fazer, isso de trazer um sentido novo pra algo que teoricamente não serve mais. 

E acho que no momento em que vivemos hoje, isso fica meio que inerente a qualquer processo criativo, dado o tanto de lixo que a gente produz e não pára de produzir e o fato de que passamos séculos explorando a natureza como se não houvesse amanhã e chegou uma hora em que fica impossível não pensar para onde vão e de onde vêm as coisas que produzimos e consumimos. 

Tudo isso ficou ainda mais claro depois de participar do Trama Afetiva - projeto da Fundação Hermann Hering que uniu profissionais, estudantes e designers (que eu conto um pouco mais aqui), e que além de ser uma experiência colaborativa de design em upcycling, com a ressignificação de resíduos, visa repensar toda a lógica de processo produtivo. Tem como trabalhar de maneira mais horizontal e colaborativa, tem como ser mais flexível, tem como produzir de maneira mais pessoal, significativa e sustentável. Tem como. E tem um monte de gente pensando nisso. É uma transformação em curso, é um processo. 

E o que eu tenho em mãos? Um monte de coisa e vontade de experimentar. Então faz um tempo que pensei em me lançar um desafio: produzir objetos, experimentos, seja lá o que for, usando só o que já tenho. E caso precise comprar algo, também irei documentar, claro. (Aliás, hoje já tive que comprar linha para um bordado-encomenda e já comprei uma tesourinha fofa e outras 2 linhas e um monte de agulhas, mas tá, agora que escrevi aqui, vou considerar estar valendo o desafio de verdade. :/)

Bom, queria ter um nome pra esse desafio e hoje mesmo vi que uma amiga estava pensando na mesma coisa e decidiu lançar um projeto de bordado só com que já tem em casa e comentei que seria legal se tivesse uma hashtag pelo menos para o instagram pra compartilhar coisas que as pessoas fazem com materiais que têm em casa, assim todo mundo participa, se ajuda e colabora. Pensei em #usaoquetem ou #desafiousaoquetem. Aceitando sugestões. 

Valendo!