matando a saudade

Há algumas semanas eu e minha família fomos até a Pedra da Macela, que fica entre Cunha-SP e Parati-RJ. A subida até lá é intensa mas a vista faz valer cada passo.

Durante a descida, bem mais fácil e leve que a subida (óbviamente), fui pegando amostras de plantas que eu via pelo caminho. Uma mais querida que a outra.

Chegando no carro, eu não sabia bem o que fazer com aquele “buquê” enorme de plantas desconexas, mas tentei protegê-las e as trouxe mesmo assim. Quem sabe elas virem estampas, quem sabe não virem coisa alguma, mas por enquanto estão aqui, enfeitando meu “painel”, que na verdade é uma tábua de madeira que deixo em cima da mesa.

No domingo à noite, aproveitando que não estava me sentindo muito bem (acabei ficando doente depois), comecei a fazer um bordadinho inspirado em uma das plantinhas. Foi bom matar a saudade das linhas!

Ainda tinha uma das telas que comprei justamente para fazer bordados e desenhei o ramo da planta escolhida. Como de costume, transferi o desenho para a tela com papel carbono, escolhi a cor de linha que eu queria e rapidinho estava pronto! :)

Os bordados entraram na minha vida meio por acaso e acabaram dando vida e sentido ao meu trabalho final de graduação em arquitetura, lá em 2012, 2013. De lá pra cá, eles foram tipo um afago para a acalmar a alma inquieta diante dos obstáculos.

Na falta de espaço e ferramentas para produzir as coisas que estavam na minha cabeça, os bordados surgiram como um jeito de fazer algo que não dependesse de ninguém além de mim mesma, sem muita pretensão ou preparo.

É bom poder fazer algo assim, sem se preocupar, deitada na cama, no sofá, esperando o ônibus ou dentro do carro. Pra mim, os bordados são isso, um lugar confortável pra onde eu posso fugir de vez em quando.