questão de tempo

em 2012 eu descobri o maravilhoso mundo do Pinterest (hoje eu ando mantendo uma certa distância dele, pois acho as coisas andam meio pasteurizadas demais - vide toda estética do branco, dos tons pastel, das costelas de adão, dos vasinhos diy de concreto - e no fim fica dificil de saber de onde vem nossa inspiração de verdade, né?- enfim).

Nesse ano eu estava fazendo meu trabalho de conclusão de curso e fazia estágio na Parco, um dos lugares mais legais que já tive oportunidade de trabalhar. acredito que a rede social de “inspirações” teve um papel determinante nos meus caminhos naquela época.

De lá saíram várias pesquisas e ideias para experimentações que a gente fazia na Parco e também insights que levei para o meu tcc. 2012 também foi o ano em que eu comecei o Volver, e várias inspirações para as peças que fazíamos também saíram dali. com a árvore de natal não foi diferente.

no final de 2012 eu já queria fazer essa árvore que eu tinha visto. lá no pinterest, ela era de madeira balsa e eu tentei fazer de papel, no horário do estágio, para o estágio, gastando papel e spray dourado porque eu achava que ia dar certo. hahaha deu tudo errado e eu senti aquela frustração de criança quando eu tentava imitar as “experiências do dia” da Eliana e o que ela fazia era lindo e quando eu ia tentar ficava uma porcaria.

enfim. o natal chegou, eu engoli a ideia da árvore de natal e deixei pra lá. no fim do ano eu fico cheia de ideias. quero fazer embrulhos, presentes, biscoitos e no fim eu não consigo fazer nem metade. haha

eis que no final de 2014, ainda na ressaca de que o Volver tinha acabado e eu que estava desesperada pra ter meu próprio projeto e fazer coisas, resolvi que ia fazer as árvores, correndo, no final de novembro.

comprei madeira, fiz os desenhos, fiz meu namorado cortar algumas árvores, (enfiei ele nesse projeto também), tudo pq eu TINHA que fazer as árvores de natal, para o natal. em 2014 eu trabalhava full time numa agência e eu conseguia fazer pouca coisa do que eu imaginava e queria nas horas vagas (realmente tiro o chapéu pra quem trabalha 8 horas e ainda chega em casa e trabalha nos projetos paralelos. pessoalmente, acho bem complicado não querer chegar em casa e só fazer uma comidinha e dormir).

olhando pra tudo isso, para as árvores de 2014, para 2015 que veio como uma avalanche e que foi decisivo para que eu parasse e olhasse pra dentro, para que eu pudesse ter coragem de fazer as minhas coisas sozinha, percebo a importância do tempo. e eu sempre tive a tendência de apressar tudo. de viver correndo atrás das coisas, de me sentir insatisfeita, de achar que preciso aprender mais, que não tenho experiência suficiente.

uma coisa que aprendi foi isso, que experiência a gente cria e que o tempo é determinante, assim como a calma. e lidar com isso é um trabalho de formiguinha, feito todos os dias. e errar faz parte da experiência. olha o quanto de coisa que eu experimentei e errei na Parco, no Volver, no Nous (que era o projeto de 2014, obviamente finado). e sabe? é duro aceitar, mas a gente erra mesmo. e aquilo que eu fui no passado era o melhor que eu pude ser naquele momento, com todas as minhas limitações e qualidades e a mesma coisa acontece com o que eu produzi nesse meio tempo.

sempre dá pra olhar com um olhar menos duro para o que a gente fez. e foi isso que eu fiz com as árvores, que estavam todas cortadas e enfileiradas no fundo do meu armário. olhei pra elas, com todas as suas limitações e qualidades e tive uma ideia para reaproveitá-las. e espero que consiga colocar tudo em prática, mas dessa vez antes do natal.