ser e fazer, o resto vem

Hoje resolvi mudar o nome do perfil do Instagram da Simplee. Era simplee.loja virou simplee.casa. Isso não importa muito pra ninguém, mas me fez pensar bastante. Quer dizer, ando pensando muito nisso. 

Quando eu comecei a Simplee no final de março deste ano, quase 5 meses atrás, sabia que aqui seria o meu lugar de compartilhar um caminho, mas eu tinha em mente que logo teria uma lojinha virtual. Paguei uma, comecei, tirei fotos e deixei ali o “em breve” por um tempo. 

Eu achava que logo depois da Fêra eu conseguiria colocar a loja no ar e esse era meu objetivo. Mas bem, as coisas mudam. E eu estava aberta a esse tipo de mudança. Na incerteza em que se encontrava a minha vida, eu não sabia o que viria em seguida, portanto, nada mais natural que se manter aberta a tudo.

Bom, eu continuo sem saber o que vem em seguida. Estou longe de me sentir estável aqui em São Paulo e até gosto de nutrir a sensação que a qualquer momento, em semanas, meses ou em um ano, eu possa sair daqui pra onde eu quiser. Não sei se eu quero me estabelecer aqui agora, montar uma casa, ter um lar (aliás, essa é uma grande ironia, eu comecei um “negócio” de objetos pra casa justamente quando eu não tinha uma). 

Eu hoje tenho mais de uma casa e inclusive, tenho tentado reforçar que a maior casa pra mim sou eu mesma. Casa é onde eu me encontro, casa é onde eu me sinto bem e é isso que os meus objetos são. As coisas que eu faço são a minha morada e fazendo-as é onde eu me sinto em casa (e de repente as palavras que escrevi no meu tcc fazem mais sentido do que nunca).

As minhas coisas e a minha caminhada são a minha cura. Eu demorei a sarar da ferida do ex-negócio perdido, da perda da ideia, de ter criado algo que não me pertence mais e que continua sem mim. 

Sarou, melhorou, outros tombos vieram e a cada dia as coisas melhoram. Mas hoje eu vejo que talvez isso que tenha me impulsionado a fazer coisas, como que pra provar pra mim mesma que eu posso fazer algo bonito de novo. Que não podem apagar todo meu trabalho, por mais que tentem.

Meu trabalho continua vivo em mim, eu continuo produzindo o que dá e o que eu tenho vontade. Trabalhando em mim mesma para me livrar desse peso de ter que ser alguém, de ter que ser produtiva e lucrar imediatamente com isso. Eu quero muito viver fazendo e aprendendo coisas, conhecendo pessoas e trocando experiências e eu acho que esse vislumbre de vida é muito possível e pode ser meu sustento, mas por ora, eu me contento em compartilhar meu caminho, minhas criações, não importa quais elas sejam. É um passo. As coisas começam com um passo.

Eu não me importo em ter começado fazendo objetos de concreto e esteja agora fazendo experimentos com o que eu tenho em mãos, que são os fios. Adoro aprender coisas então por que uma coisa precisa excluir a outra? Por que os saberes não podem agregar uns aos outros, se misturar e se juntar?

Talvez se juntem, talvez somem à jornada, talvez eles se separem e eu faça uma coisa só. Eu que gosto tanto do simples, do fácil, e acabo criando uma dificuldade enorme em cima das coisas. Pra quê? 

É pra isso que eu estou aqui. Pra compartilhar e ser. Esse é meu caminho e eu estou compartilhando ele com você que está lendo, seja lá quem for. Não sei onde ele vai dar. Não sei o que vai ser, não sei onde fixarei residência ou qual o próximo passo a dar na vida. E alguém sabe? 

Eu só quero fazer meu trabalho, minhas descobertas, minhas coisas e ser feliz. O resto vem. E o passo para o vislumbre de vida boa eu dou todos os dias que eu me coloco no fazer e todos os dias que eu sinto vontade de falar sobre isso e de tornar isso mais consciente pra mim. O resto vem.