trama afetiva

entre o final do mês de outubro e meados de novembro de 2016 tive o prazer/honra/sorte de participar da Trama Afetiva, uma experiência colaborativa de design em upcycling, iniciativa da Fundação Hermann Hering (representada aqui pela Amélia Malheiros), fundamentada pelo conceito de economia afetiva onde ressignificamos resíduos têxteis da própria Hering. Parafraseando aqui o Jackson Araújo, o foco do projeto era entender processos de ressignificação usando o design como ferramenta de transformação social, profissional e de produtos. 

Assim, a Trama uniu profissionais, estudantes e os designers Marcelo Rosenbaum, Alexandre Herchcovich e Patricia Centurion e ainda teve participação do Cardume de Mães, grupo de artesãs-costureiras que há dez anos já trabalha com reaproveitamento de materiais e busca repensar o modo de trabalhar, com uma economia aberta e com horários flexíveis.

Acho que a herança mais poderosa de tudo isso que aconteceu no tempo que estivemos trabalhando juntos, foi a possibilidade de conhecer e se conectar com pessoas tão diversas e tão maravilhosas. Sem dúvida eu amei todo o processo, mas acho que o dia em que nos apresentamos e contamos das nossas vidas e dos nossos trabalhos foi muito forte.

Foi tão maravilhoso ter essa possibilidade, de ter o luxo (sim, usar bem o tempo é um privilégio) de passar uma tarde ouvindo pessoas. Ouvindo. Sabendo mais sobre suas bagagens, sobre os momentos importantes de suas vidas e do que as movem. Senti naquele dia uma gratidão imensa e me senti conectada com cada um pois não teve uma pessoa com a qual eu não me sentisse identificada. E isso é tão lindo e sei que é raro. A gente raramente está atento para perceber o outro e as suas histórias e acho que esse foi um momento bem especial. 

Com base no que todos trouxeram como bagagem cultural e afetiva com seus trabalhos e histórias de vida, fizemos um mural bem lindo e a partir dali conseguimos criar um ponto de partida em comum para criarmos a nossa linha de objetos. 

Trabalhamos com o triângulo como base formal para as peças e em cima das palavras-chave cidade, casa e viagem, criamos a linha Casca, feita usando basicamente resíduos de diversos tipos de jeans. 

No final do processo, os produtos ficaram em exposição no galpão do Rosenbaum e foi a coisa mais linda ver eles ali todos arrumadinhos e contextualizados depois de um processo intenso - e igualmente único e bom. Sabe aquela canseira boa depois de trabalhar se sentindo presente o dia todo? Pois então, era isso. 

Tive o prazer de desenvolver o orquidário-dobra e o biombo-dobra com a ajuda imprescindível das meninas do Cardume. Tinha hora que a gente achava que não ia sair, que não ia dar tempo, mas deu. Fiquei até espantada de estar do lado de gente tão boa como as que estavam ali do meu lado. É pra ficar feliz mesmo. E grata. Esse é o tipo de encontro que a gente não vê assim todo dia. 

As pessoas queridas que participaram da Traminha: Adriano Catenzaro, Carolina Ecco, Eglair Quicolli, Eliane Marques, Francisca Laura, Herculânia Reis, Itiana Pasetti, Leandro Castro, Marcelo Badan Caparroz, Nadezhda Mendes da Rocha, Nina Coimbra, Paula Franchi, Patricia Sayuri, Rosinha Matos e Yae In Choi - ao lado dos diretores criativos Jackson Araújo e Luca Predabon e sob orientação dos designers Marcelo Rosenbaum, Alexandre Herchcovich e Patricia Centurion. <3