cestaria

cestos na decoração

Quando comecei a fazer cestos, me apaixonei pela facilidade, pela autonomia e pela liberdade de produzir como e quando eu quisesse. Fiquei viciada e fui fazendo e descobrindo por mim mesma os melhores jeitos de produzir.

Mas como sempre, em um dado momento, me questionei sobre a utilidade dos cestos e do porquê colocar mais um objeto no mundo. E bom, sobre o porquê de produzir, é porque eu gosto e tenho tentado fazer isso reutilizando materiais, me propondo a comprar o mínimo possível e produzindo no meu próprio tempo.

Ao me questionar se os cestos seriam realmente úteis na vida das pessoas, eu tentei pensar que sim, mas embora eu tivesse alguns cestos na minha casa, não via eles como objetos utilitários de fato, mas mais como algo que você em algum momento ganha ou compra e aquilo vai se tornando um receptáculo de coisinhas que ninguém sabe onde colocar. Mudei de ideia quando fomos visitar nossos amigos em Florianópolis, uma viagem que já quase virou uma tradição de final de ano.

A casa da Iana e o Dudu é uma das mais queridas e aconchegantes que conheço e é incrível como eles conseguiram criar um espaço que reflete tão bem quem eles são. A casa é de uma simplicidade acolhedora e ao mesmo tempo cheia de detalhes e toques pessoais. Parece que nada ali é gratuito ou sem propósito e é desta maneira que os cestos são incorporados à decoração da casa.

Embora já familiarizada com o espaço, nunca tinha realmente prestado muita atenção nos cestos que provavelmente, sempre estiveram ali. Mas depois de começar a produzi-los, meu olhar irremediavelmente se voltou para eles e aqui estão alguns dos exemplares que fotografei pensando justamente em escrever esse post aqui no blog (mais de 8 meses depois!).

processos e começos

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Separei essas fotos que tirei entre o dia 31 de dezembro e 4 de janeiro para escrever sobre o processo de se fazer uma cesta. 

Normalmente este processo é bem tranquilo e gostoso, por isso faço cestas em horários de descanso, porque eu realmente sinto que é um descanso. 

Como o tempo normalmente é escasso, toda oportunidade e tempo livre que eu tenho, (e se cabe no momento, claro) estou fazendo cestas. Caso esteja fora de casa, como foi o caso no ano novo, eu coloco os materiais todos numa sacolinha e levo comigo. 

Fazendo cesta na casa da  Iana  e do Dudu, onde passamos o ano novo. Chá, boas companhias e trabalhos manuais: melhor combinação não há. :)

Fazendo cesta na casa da Iana e do Dudu, onde passamos o ano novo. Chá, boas companhias e trabalhos manuais: melhor combinação não há. :)

Esta é uma coisa maravilhosa das cestas e se adapta muito à minha vida hoje: o fato de elas serem portáteis durante o processo (ou quase sempre portáteis). Além disso, eu dependo só das minhas mãos, da corda, do fio e da agulha. Essa liberdade e independência são qualidades que me ganharam nesse processo de aprender a fazer cestos. 

Já fiz cestos durante uma viagem de ônibus e às vezes eu faço cestos enquanto estou conversando com alguém, o que é mais raro, mas acontece. O mais comum é fazer enquanto meu namorado vê jogos de basquete ou quando estamos assistindo (eu no caso, quase só ouvindo) Masterchef.

E foi isso que eu fiz nos dias de descanso que seguiram a passagem do ano, descansei muito, conversei, gargalhei, comi bastante e terminei uma cesta. Acho que foi um dos melhores e mais tranquilos começos de ano que já tive. 

a primeira cesta do ano!

a primeira cesta do ano!

E começar o ano bem é uma coisa muito boa, não é?

centro de mesa (ou a mesa mais bonita do mundo)

O final de semana rendeu tanto! No sábado fiz ótimas compras num brechó, passeei no centro, compramos coisas pra casa que estavam faltando, limpamos, colocamos o master chef em dia, fiz uma pipoca perfeita e terminei essa cesta/centro de mesa. 

No domingo, entre o café da manhã e a ida a feira fiz essas fotos e já constatei que esse vai ser meu local favorito para tirar fotos. :) 

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Essa cesta eu comecei antes da mudança e fiz com um resto de corda que eu tinha bem contado e fiquei com receio de que não desse para fazer ela inteira do tamanho que eu queria, mas deu certinho a quantidade. Gostei de fazer um formato mais aberto, como a primeiríssima cesta que eu fiz. 

Enfim, fiquei bem contente com esta cesta. E devo dizer: ela ficou linda no tampo novo que mandamos fazer para a mesa. Eu realmente estou muito feliz de ter finalmente feito o que eu queria com a minha mesa de mais de 11 anos.

Esta mesa me acompanhou durante toda a faculdade, viu muito trabalho ser feito de madrugada, muito estilete cortando isopor, muitas jantas e cafés longuíssimos e pelo menos umas 6 mudanças. Mantive os pés brancos originais dela, super firmes e bons e mandei fazer esse tampo de teca. Era o que eu queria ter feito há mais de dois anos quando me mudei para São Paulo, mas só agora consegui realizar. Tem coisa que demora, mas quando a gente quer, uma hora ela vem. :)

Um dia coloco foto dela inteira por aqui, mas por enquanto, fica certo que este vai ser meu cenário de fotos daqui pra frente! 

modos de produzir

Mais uma cestinha! E essa embora seja pequena, demorou muito mais tempo para ficar pronta. Confesso que depois de correr bastante, como foi o caso da semana da participação na feira, fico em um estado um pouco passivo, quase catatônico. Principalmente se os freelas momentaneamente dão uma folga, como foi o caso, eu fico um pouco perdida. Fui ver o mar, fiquei mais de 1 semana praticamente sem produzir nada e daí começa a inquietação.

Qual passo dar agora? O que fazer para impulsionar as coisas e seguir adiante? Essas são as típicas perguntas sem resposta que me deixam um pouco aflita. Percebi que eu sou péssima em me desligar das coisas e péssima em ter mais tempo livre para fazê-las. Eu preciso estar sempre em movimento, com foco em outras coisas para me motivar e fazer o que de fato gosto. E talvez isso não seja necessariamente um defeito, só que eu preciso aprender a me disciplinar um pouco para conseguir produzir de maneira mais constante.

Enfim, consegui terminar a cesta nesse feriado prolongado e fui fazendo ela daquele jeito bom, devagar e sempre, papeando com alguém ou vendo alguma série (que no caso agora é Cosmos). 

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E é uma delícia acordar no domingo ou sábado de manhã e tomar um café da manhã demorado, ficar na mesa conversando e encher a xícara de café mais algumas vezes e depois aproveitar a luz do dia e fotografar as coisas ali perto da janela. Hoje no caso, um dia cinza, maravilhoso para fazer isso que acabei de descrever. 

Gosto que o que eu produza faça parte e se confunda com a minha vida, gosto de tratar as coisas assim. Adoro fotografar o que eu faço sem demorar ou levar tanto a sério tudo e gosto do dinamismo desse processo. Parece que se eu demorar mais, arrumar mais e me preocupar mais, as coisas perdem um pouco da sinceridade inerente a elas e talvez eu não me sinta tão autêntica se fizer de outro jeito. Sei que poderia melhorar muito ainda nesse quesito de fotografar e tratar imagens, mas o lance é que hoje fico feliz de registrar as coisas desse modo.

E fico feliz em experimentar. Gostei muito do formato dessa cesta e preciso sem dúvida, começar a experimentar mais, seja com novas cores e padrões, seja com novos tamanhos e formatos. Quase que sem querer ainda estou seguindo, em boa parte do que eu tenho produzido, o desafio que me coloquei de usar coisas que tenho à mão, como é o caso dos barbantes coloridos. Mas até eles que pareciam infinitos, já estão dando sinais de que não durarão pra sempre, o que é ótimo. Então bora dar novos usos pra eles e para as lãs lindas que ainda tenho aqui. 

o vício

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é viciante. e eu acho que sei porque. sou só eu e os materiais e lembro que foi isso que me fez começar a experimentar com linha pela primeira vez. tirando o meu tcc, fui buscar as linhas do bordado para conseguir liberar aquela energia de fazer algo. sem oficina, sem marcenaria, sem materiais, a linha e a agulha se tornaram meu escape. acho que a ideia é a mesma aqui. a independência no fazer das cestas me anima. não preciso de forno como no caso da cerâmica, não preciso de moldes e tempo de cura como no caso dos objetos de concreto e não preciso de serra e lixa como no caso da madeira. eu só faço. 

e é isso que tenho feito. mesmo durante uma semana corrida como foi essa que passou, consegui fazer um pouquinho da minha cesta de noite quando chegava em casa enquanto via chef’s table (ou masterchef ou abstract - são essas as únicas coisas que eu assisto hoje em dia haha).

e quase uma semana depois consegui. mais uma pronta. dessa vez aprendi algumas coisas. o barbante rosa que eu tenho aqui é de espessura diferente dos outros. é bem mais fino, o que de cara, percebi que tem um efeito um pouco ruim se comparada às outras.

o material que mais ‘cobre’ o sisal é a lã mesmo. fica mais bonito, mais elegante e diferente. mas gostei muito de como ficou o sisal com o barbante mais grossinho. esse mais fino deixa as superfícies trançadas da corda muito a mostra, o que me incomodou um pouco. 

outro detalhe que me incomodou é que essa corda de 15mm, que eu comprei porque era a única espessura que se encaixa perfeitamente ao acabamento de cobre, é muito grossa. dificulta muito na hora de começar a cesta, então a parte central não fica lá essas coisas. hoje irei testar começar com o tampão de cobre e ver como fica. e as próximas vezes, irei testar usar cordas mais finas para fazer cestas menores, que eu possa usar outro tipo de acabamento.

e uma coisa que eu ganhei foi um belo calo no dedo indicador. para o acabamento ficar de fato bom, é preciso puxar bem a lã ou o barbante para segurar uma corda na outra e cobrir bem a superfície de sisal. nisso, o dedo é quem sofre. não usei esparadrapo dessa fez e bom, agora meu dedo se adaptou, está com uma superfície dura e que não me machuca mais. 

só sei que o resultado foi esse. uma cesta com duas das minhas cores favoritas e que de quebra, ainda combinou com a minha caneca nova. :)

bloco do barbante

quem acompanha a Simplee pelo Instagram sabe que eu estou na fase das cestas. eu não consigo fazer outra coisa (quando não tenho um monte de pendências, como é o caso nesse exato momento). eu tenho várias coisas da Simplee que precisam andar mas as cestas me pegaram de jeito e quando eu começo é difícil parar. e foi assim que eu passei o feriado lindo e prolongado de carnaval: em meio a familiares e barbantes. 

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no feriado do carnaval eu sabia que iria para a casa dos meus pais então levei numa sacola minhas agulhas, um bordado que preciso terminar (e que não mexi devido às cestas haha) e dois rolos de barbante que tenho aqui pra usar em um pedaço de corda que tinha deixado lá uns meses atrás, que era resto da minha primeira cesta de sisal. 

a cesta de sisal ficou assim, firme e forte, literalmente. finalizei ela ainda durante um churrasco de família - sim, eu tava fazendo cesta durante o churrasco, eu disse que era viciante! - e depois de fazer um calo no meu dedo indicador direito, resolvi descansar um pouco. 

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e foi só na madrugada seguinte que fiz e terminei a mini cesta de cordão de algodão. que não fica firme e forte e que o acabamento fica ruim. como o cordão é mole, não dá pra puxar e apertar o fio para ficar bem assentadinho, como eu faço com o sisal, então o cestinho ficou essa coisa meio mole, meio boba, mas eu não estava nem aí, só queria terminar o cesto e testar a troca de cores entre uma linha e outra. 

já valeu pela prática! e no fim, até que ele é bonitinho. ótimo pra colocar chaves ou coisas miúdas, né?

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cesta pronta com lã e mais cobre

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mais uma cesta pronta! 

já fazia um tempo que queria testar se dava certo inserir luvas de cobre na confecção da cesta de sisal e lã e bom, parece que deu! 

dessa vez comprei uma corda mais grossa para encaixar certo a luva e o cap de cobre que já tinha comprado e foi dito e feito, ficaram bem justinhos!

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foi quase o novelo todo de lã e se não fosse o fato de as luvas terem quase acabado, talvez teria deixado o cesto ainda mais alto. estava em duvida se faria um cesto mais largo e mais baixo ou um mais alto e menorzinho e acabei optando pela segunda opção. gostei bastante da proporção e de como ficou o acabamento. 

o que eu gosto dos cestos é que eles são utilitários que podem se inserir em qualquer contexto, podem ser fruteiras, porta-lápis, organizadores, cachepots ou apenas itens decorativos (acho que raramente são somente decoração porque é praticamente impossível ter uma cesta e não ir colocando coisas dentro. falo por experiência própria de pessoa que se deixar vai espalhando coisas pela casa. então mais um ponto positivo pra eles).

hoje para fotografar coloquei um dos vasinhos aqui do quarto dentro dele. só pra contextualizar mesmo, mas achei que ficou uma graça, olha só: 

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próxima missão: cesto tamanho família! o processo eu conto nos próximos posts. :)