experiências

experimento: sacolas de plástico

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Logo quando comecei a procurar vídeos sobre cestaria no Youtube, me deparei com alguns tutoriais que ensinavam a fazer cestas usando sacolas plásticas. E embora estivesse procurando soluções viáveis para começar a produzir levando em conta materiais que tivessem alguma contrapartida de interesse ambiental ou sustentável, não me senti muito atraída por este material e optei por começar o aprendizado através das cordas, primeiro de algodão e depois de sisal. 

Mas fiquei com vontade de dar uma chance para as sacolinhas, principalmente depois daquela semana em que aquela capa da National Geographic sobre plástico estava em todo lugar. Também pudera, né? São imagens bem terríveis como esta que fazem a gente levar um chacoalhão e repensar muitos dos nossos padrões de consumo, que já damos como certos, de tão enraizados que estão à nossa rotina. 

As sacolinhas de plástico são um belo exemplo desse tipo de coisa, que faz parte da nossa vida e a gente nem questiona o porquê. Eu mesma tenho muitas aqui em casa, de quando vou fazer compras e esqueço de levar ecobags. E por isso, resolvi testar o uso desse material na confecção de cestos.

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E deu certo! É claro que este foi um teste e que pude notar várias coisas que faria diferente em uma segunda oportunidade, mas acho que foi um teste bem-sucedido. Optei pela lã pois acho que o barbante é um material que não se comportaria tão bem com o plástico, que percebi depois ser mais escorregadio do que parece para trabalhar.

Uma questão que eu deveria pesquisar nos vídeos de tutorial disponíveis é a emenda de uma sacolinha na outra, pois mesmo quando se dobra a cesta igualmente, algumas partes têm menos volume de plástico que outras, o que resulta em uma diferença de espessura ao longo do "rolinho" que dá forma à cesta. Então o melhor a se fazer é emendar a parte com menos volume da sacola com a parte de maior volume, para tentar manter o "rolinho"uniforme. 

Outro aspecto que faz com que as espessuras ao longo da cesta variem é a força que se coloca ao apertar a lã em volta do "rolinho" de plástico. Ao contrário da corda de sisal, que é dura e se sustenta por si só, o plástico é bem maleável, o que resulta em uma variação grande de espessura caso você aperte demais ou de menos. 

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Questões à parte, tenho mais um experimento para compor a coleção de objetos-experimentos que vão ficando pela casa e gosto de como cada um deles me lembra uma fase da minha vida ou da Simplee. 

deixando de lado o "eu deveria"

 minha mesa, enquanto escrevia esse post nos 20 minutos que me restam antes de estar atrasada para pegar o ônibus.

minha mesa, enquanto escrevia esse post nos 20 minutos que me restam antes de estar atrasada para pegar o ônibus.

Às vezes sinto como se o tempo estivesse escorrendo pelos meus dedos. Tem semanas que os dias passam como uma manada por cima de mim e quando eu me dou conta, já é sexta outra vez. Esta última semana por exemplo, eu mal consegui tocar na cesta que comecei no final de semana passado. Esse tipo de coisa me deixa muito frustrada. 

Se você assim como eu precisa sair de casa todos os dias, perde umas 2h de deslocamento e faz uns malabarismos para continuar se dedicando aos projetos paralelos, além de fazer as coisas de casa (e quem tem filho então?), pode ser pegar repetindo para si mesma o "eu deveria".

Eu deveria conseguir me organizar para levar uma marmita saudável todos os dias, eu deveria ter tempo de tomar um banho de banheira, limpar a casa e ainda fazer um pouco dos meus trabalhos manuais, escrever no meu blog e responder emails. Eu deveria ter tempo de durante a semana ir ao cinema, ver um amigo ou assistir à uma palestra, sem contar conseguir ver a família nos finais de semana. O "eu deveria" fica ali martelando incessantemente.

Parece uma tarefa impossível fazer tudo isso e às vezes é de fato. Por isso eu tento pensar em coisas que fazem eu me sentir melhor quando bate o combo cansaço/frustração/não estou fazendo tudo que gostaria:

1. Mentalizar ou escrever uma lista das coisas que eu já fiz durante a semana. Seja o dia da semana que for, pensar em tudo que eu já fiz no trabalho, em casa, na vida pessoal e nos meus projetos paralelos me dá uma perspectiva muito boa de mim mesma. Esse exercício faz com que o "eu deveria ____" dê lugar ao "esta semana eu já ____". E pode apostar, é só completar a frase com as coisas que você já fez nos últimos dias para sentir um orgulho/bem-estar instantâneo. (Vou fazer essa lista da minha semana agora inclusive, estou precisando!) 

2. Fazer uma coisa de cada vez. Eu já me vangloriei por conseguir fazer muitas coisas ao mesmo tempo mas quem se acha o "multitask" sabe que a sensação de estar fazendo tudo e nada direito é bastante incômoda. Então o melhor é se concentrar e tentar terminar o que se começou. No trabalho eu tenho mais dificuldade com isso pois é tanta coisa que às vezes eu pulo de uma coisa pra outra sem terminar nenhuma. O que eu tenho tentado implementar pra mim mesma é fazer uma tarefa, concluir e me dar uma "mini-gratificação", como levantar para ir tomar café ou pegar uma água por exemplo. Até que tem funcionado. 
*PS: enquanto estava escrevendo isso agora parei para me arrumar, ajudar o companheiro que estava fazendo tudo sozinho e colocando a roupa de cama para lavar e ainda sequei o cabelo! Nem sempre a teoria se aplica. :(

3. Estar presente. Tão simples e tão difícil de se colocar em prática. Ficar presente parece óbvio e é o que não falta são artigos e pessoas falando sobre isso. Mindfulness, meditação, respiração, o poder do agora. A gente fala, fala mas se estivéssemos todos aplicando de fato o que lemos e vemos não estaríamos ansiosos, não estaríamos nos cobrando, enfim, não teríamos problemas e eu não estaria aqui escrevendo sobre a frustração que eu sinto quando parece que as coisas não andam. 
Pra mim, estar presente é prática. E é treinando um pouco por vez que consegui sentir alguma melhoria em mim mesma. Hoje em dia consigo me sentir presente em diversos momentos, consigo me observar e sentir que está tudo bem quando nada está acontecendo, quando eu só costumava prestar atenção em mim mesma quando algo ia mal ou quando as coisas estavam me incomodando. E é treino. Lembrar de respirar de vez em quando e estar bem e presente quando se está fazendo café ou no ônibus. Isso me ajuda bastante a abandonar o "eu deveria". 

4. Anotar os pensamentos. Anotar ideias, pensamentos, insights, mesmo que não dêem em nada, me dão um alívio enorme. Pensamentos perdidos me dão agonia e me deixam ansiosa. Colocar no papel ajuda a gente a sentir um pouco de que estamos dando um passo em direção à "concretude" de uma coisa. Então, em vez de achar que eu penso um monte de coisas, que tenho várias ideias e não estou concretizando nada, melhor anotar e deixar as coisas "marinarem" um pouco. Uma hora sai. 

5. Imperfeito é melhor que não feito. Fazer alguma coisa, seja ela uma tarefa de casa ou uma cesta, seja lá como for, é melhor do que não fazer coisa alguma. Não me importa se estou fazendo menos de 1 cesta por semana ou se algo não saiu como eu queria ou pensava, fazer é sempre melhor que não fazer. Já perdi muito tempo achando que não era capaz das coisas, esperando o melhor curso aparecer para então enfim aprender e saber algo, mas esse "eu" é passado.

Concluindo, o melhor é fazer. Fazer uma coisa de cada vez, estando presente e mentalizando tudo de bom que já fiz e estando grata pela possibilidade de fazer e pensar tudo isso.

o desafio de se usar o que tem (stash less)

 meu estoque lá em 2016. olha quanto barbante eu ainda tinha! as linhas estão todas aqui ainda, mas várias dessas coisas já se foram ou ganharam um novo uso. bom, né?

meu estoque lá em 2016. olha quanto barbante eu ainda tinha! as linhas estão todas aqui ainda, mas várias dessas coisas já se foram ou ganharam um novo uso. bom, né?

Muita gente não sabe mas em novembro de 2016, me lancei o desafio #usaoquetem (clica no link, que eu explico de onde veio essa ideia), em que eu me desafiava a usar majoritariamente matérias que eu já tinha em casa para produzir minhas coisas. 

A produção da Simplee até aqui se baseou neste princípio, de evitar comprar matérias primas e usar o que já tinha disponível. Com o passar do tempo, deixei de divulgar esta característica do meu trabalho, mas nunca deixei de praticar, continuo usando o mesmo barbante, as lãs que estavam estocadas na casa da minha sogra por anos e anos, os tecidos aos poucos vão ganhando novos usos.

O desafio #usaoquetem foi uma maneira que encontrei de ser mais consciente na minha produção além de evitar o acúmulo e pensar mais nas minhas escolhas, principalmente no que diz respeito à compra de materiais. 

Quando fui visitar meus amigos em BH no Carnaval, a Erica me mostrou o desafio #stash_less, do blog The Craft Sessions, que me fez lembrar e muito do meu #usaoquetem. Até a foto lembrava bastante a que eu usei! 

Ao ler o blog vi como eu fui negligente quanto ao propósito do meu desafio e que tem muita gente levando a sério uma questão que eu, por achar que ninguém estava ligando, deixei de falar sobre. Bobagem né? Foi bom que eu fiquei com isso mais claro para mim e tive mais clareza de que eu deveria sim, falar mais sobre isso por aqui e nos meus posts do Instagram. 

Sigo comprando quase nada de material, atualmente só a corda de sisal, que uso como base das cestas, e os fechos e couro utilizados para fazer os acabamentos dos colares. Os barbantes seguem quase os mesmos de 1 ano e meio atrás, as lãs também, que são os materiais que tenho usado mais. 

As linhas de bordado estão aqui, aguardando a febre do bordado voltar e os tecidos vão sendo usados aos poucos. Espero usar até o algodão mais simples para fazer alguns paninhos de copa e capinhas para os cestos. Agora em janeiro usei um tecido listrado (que aparece ali embaixo da pilha de tecidos na foto e que eu tenho há mais de 6 anos!) em uma encomenda muito fofa que fiz para uma colega de trabalho. 

Uma boa meta para 2018: divulgar mais meus propósitos e objetivos e compartilhar mais aqui no blog e em outras redes como eu tenho desenvolvido meu trabalho usando o que tenho.

os trinta

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Agora eu tenho 30! E escrevi sobre essa data em meio a uma retrospectiva de final de ano no meu recém-inaugurado Medium. Fico sempre um pouco confusa sobre onde e o que postar as coisas. Confundo o Instagram pessoal com o da Simplee (que é o mais ativo) e aqui no blog é a mesma coisa. Acabo tendo vontade de escrever sobre coisas que não tem a ver com o trabalho que desenvolvo na Simplee.

Já tive um blog meu, o mimetismo defensivo, que passou por inúmeras fases, mas esse eu parei mesmo de usar (inclusive fui olhar ele agora e tem coisa boa lá. lembrei porque não deletei ele ainda), então resolvi escrever sobre os 30 e os aprendizados do ano ali no Medium mesmo.

Acho que escrever sempre esteve presente em mim, então continuarei escrevendo em vários ou em um só lugar sobre tudo que der vontade. 

feira do último sábado ou lidando com as expectativas que criamos sobre nós mesmos

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Se passaram oito meses desde que participei da última fêra féra. Fiz a conta agora nos dedos e mal acreditei quando terminei de contar, afinal oito meses é bastante coisa! É mais que meio ano, é tempo pra caramba! 

Bom, muita coisa aconteceu nesse meio tempo: comecei a trabalhar fixo, mudei de casa, continuei a fazer cestas, recebi amigos em casa, assumi de vez que parei de fazer os concretos e fui prometendo para mim mesma que no final do ano participaria de uma feira. 

Na minha cabeça era um ótimo plano, pois até o final do ano eu teria produzido bastante, teria colocado em prática várias ideias e teria um monte de novidades para mostrar. Nem preciso terminar o parágrafo para ficar claro que nem tudo correu como eu esperava, né? 

O que eu consegui produzir, eu documentei no instagram da Simplee e não foi muito mesmo. As cestas levam bastante tempo para serem feitas e as faço durante a noite. Subtraindo o tempo de comer (e eu gosto muito de valorizar esse sagrado momentinho), conversar, encontrar amigos, fazer alguma coisa da Piscina e dormir, não sobram mais do que algumas horinhas por semana. 

Até aí tudo bem, acho que cada um tem seu ritmo e eu estou (aparentemente) bem com isso. Gosto de levar as coisas desse modo, com a produção sendo parte da minha vida e não o centro absoluto dela. Acho que a questão está no que eu esperava ter feito ou realizado até o final do ano. 

As ideias costumam marinar um pouco na minha cabeça até que eu consiga de fato colocá-las em prática e mesmo que demore, acho super importante conseguir realizar pelo menos uma parte do que eu estava pensando. Dá uma sensação boa, sabe? Então por mais que tome tempo, acho gratificante chegar a esse lugar em que o pensamento toma forma e você pode ver o que funciona e o que só funcionava mesmo no plano da teoria. 

E bom, na teoria eu teria produzido muitas coisas novas, teria muitas peças e seria ótimo. Foi chegando o final do ano e eu vi que não ia rolar e eu já tinha me conformado em deixar isso pra lá. "Paciência, participo no ano que vem".

Até que a Renata, que faz pães deliciosos e sempre era uma pessoa agradável de encontrar nas feiras, me perguntou se eu queria dividir um espaço na próxima fêra féra. Assim economizaríamos na taxa de participação, eu teria um espaço proporcional à minha produção e participaria da feira, o que é ótimo, pois ficar sumida por muito tempo não faz bem nem para as mais bem-sucedidas das marcas, né?

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Fiz algumas cestas (quatro, para ser mais precisa) com esse foco de feira. Vendi uma das maiores neste interim e fui deixando para produzir os colares de lã que eu tinha pensado mais pra frente, tão pra frente que eles quase não saíram. Porque né? Sempre tem algum compromisso, ou alguém vem visitar ou é viagem que aparece e as coisas vão se arrastando.

Não comprei sacolinhas, nem mandei imprimir mais cartões. Fui com o que eu já tinha de meses atrás e produzi alguns colares alguns dias antes e na madrugada anterior à feira. Nesta mesma noite, separei tudo que eu tinha, inclusive as produções antigas para levar. 

E eu fiquei feliz, sabe? Olhei tudo, achei tudo ótimo. Adorei meus colares novos e deixei tudo pronto para o dia seguinte, ou quase tudo. De manhã tomei meu habitual café demorado de sábado e fui finalizar algumas tags e precificar as peças. Nisso, me atrasei, sai correndo e cheguei quase 1h depois do horário devido. 

Me senti amadora e arrumei minha mesa às pressas. Que despreparo. Senti quase como se estivesse bancando a displicente perante aquelas pessoas que estavam ali, como se eu não estivesse levando tudo a sério como deveria, afinal "eu não vivo disso" e estou aqui como um plus.

Esta sensação, de que eu praticamente não merecia estar ali me deixou insegura. As minhas coisas ali organizadas às pressas na bancada não me pareciam tão boas como na noite anterior, parecia um trabalho inacabado. Meus colares novos não eram tão bons assim como eu pensava, "as pessoas preferem os de concreto que não faço mais" eu me dizia. 

Será que eu falaria ou pensaria algo assim de alguém? Por que eu tenho que ser tão cretina comigo mesma? Eu não sei. Que loucura é se deixar levar por estes pensamentos. Precisei de alguns dias de distanciamento para poder ver como eu estava me torturando dentro da minha cabeça, como eu estava desmerecendo tudo o que eu fiz e faço só porque esse não é meu "ganha  pão", só porque eu não faço "só isso". 

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Mas essa insegurança, esse sentimento de desmerecer algo me fez pensar sobre mim mesma, sobre a Simplee e sobre o que ela é afinal. Me senti quase no mesmo lugar que eu estava há 1 ano, quando eu durante o ano novo estava buscando o sentido da Simplee, pensando em como fazer dar certo, ansiosa pela nova comunicação visual que estava por vir. Essa ânsia de fazer algo, de buscar sentido, de querer chegar a algum lugar e "dar certo", seja lá o que isso signifique. 

É bom repensar o que você faz, é bom identificar os sentimentos e os pensamentos e não só levar a vida e produzir a toque de caixa. E eu estou nesse momento, de rever o propósito, o que me move, o que eu valorizo e o que eu quero ser e o que eu quero que a Simplee seja. 

E sabe? às vezes me vem alguns vislumbres do que é esse lugar para onde estou indo. É engraçado pensar que talvez estes vislumbres do que eu quero e do que seria meu "propósito" sempre estiveram presentes, de maneira tímida, escondida, tentando se encaixar em coisas que eu achava que deveria ser ou fazer, mas que estão aqui desde sempre. E o mais legal é que meus caminhos, experiências e processos só acrescentam a tudo isso.

Bom, vou marinar estes pensamentos e espero logo poder conectar tudo com um fio que faça sentido e que depois eu possa desenrolar por aqui através de palavras. 

 

pequenas ações

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são de pequenas ações e de pequenos passos que a Simplee tem vivido nesse ultimo mês. minha rotina mudou completamente e do inicio de maio pra cá pois como escrevi no post anterior, eu agora estou num trabalho full time, depois de quase dois anos só de freelas e outros trabalhos instáveis. 

eu gosto da rotina de trabalhar e estou gostando do meu trabalho, embora ele seja bem puxado e demande mais ou menos 12h do meu dia, entre horas trabalhadas e tempo de deslocamento. estive bem otimista ultimamente quanto a isso. penso que se demoro para me deslocar, por outro lado eu tenho tempo de ler, coisa que eu não conseguia integrar na minha rotina de freela ou de estar em casa, ou se por um lado o trabalho seja puxado, estou aprendendo muito e tenho bastante interesse no que estou fazendo. enfim, esse é o tipo de pensamento que eu tenho tido, o que é bom. 

porém, tudo isso acarreta muito menos tempo para pensar em novas coisas, novos rumos e experimentos. não tenho tido novas ideias e me pergunto: como as pessoas fazem? como várias meninas que eu conheço e que participam de feiras, produzem e tem um trabalho de mais de 8h ou freelas igualmente exaustivos dão conta de produzir tanto? como elas conseguem sacrificam o sono? que horas elas cozinham? como algumas delas tem filhos?hahaha 

e olha que eu reconheço todas as facilidades que eu tenho em casa. tenho alguém com quem posso contar, que me espera quase todo dia com comida pronta, que coloca comida pro gato e além de levar coisas no correio quando eu preciso faz mais um milhão de coisas. tenho consciência da vida confortável que eu levo. 

e mesmo assim, quando eu me comparo nem que seja o mínimo que for com essas meninas as quais eu admiro muito, me sinto completamente desleixada e mole. "não estou fazendo o bastante" e enquanto escrevo isso e sinto enquanto digito essas palavras percebo que aí é que reside todo o problema, nas comparações cruéis que fazemos entre nós mesmos e os outros. 

nos dias em que me sinto mais bem humorada e feliz comigo mesma, são os dias que eu estou despretensiosamente atravessando a rua, com um livro na mão e eu me sinto contente comigo mesma. nessas horas eu me lembro de como eu preciso me admirar mais, de como eu estou feliz com quem eu sou e por onde estou indo, de como eu sinto que os passos que eu dei até aqui fizeram sentido e que a minha caminhada é bonita. é tão necessário reconhecer isso!

a gente raramente tem pela gente o mesmo olhar benevolente e de admiração que temos pelos outros. raramente nos parabenizamos pelas nossas conquistas ou reconhecemos o quanto aprendemos e o quanto fazemos todos os dias. é preciso amplificar essa vozinha que fala dentro da nossa cabeça "você está indo bem, apenas continue" ou "como você está bonita hoje" ou ainda "você aprendeu tanto até aqui, deveria se orgulhar". 

apenas ouça tudo isso. e esteja feliz com quem você é.  

 

 

sábado, tricô e trabalho

Ontem foi um sábado produtivo. Fui na II Feira da Reforma Agrária, comprei várias coisinhas boas de comer de vários cantos do Brasil, voltei pra casa, almoçamos uma tapioca, fizemos um bolo com cenouras que compramos na feira, consegui descansar - dormir a tarde, que delícia -, terminei uma cesta que tinha começado no início da semana, comi pizza, e ainda de quebra, às quase 2h da manhã, comecei um tricô. 

O tricô é uma atividade que eu acho deliciosa e descompromissada e me faz lembrar da época do finalzinho da faculdade, em que eu aprendi a tricotar com amigas que me ensinavam os passos várias vezes porque eu sempre esquecia. Tinha esquecido ontem também, mas ainda bem que existe youtube nessa vida. haha

Outra coisa que esse sábado me fez pensar é sobre o fato de que talvez se eu tivesse tido todo tempo do mundo durante a semana, não teria tido tantos feitos. Mas acontece que essa semana comecei em um novo trabalho. Um trabalho full time e devo dizer que estou gostando bastante. Então tenho um longo caminho pela frente até me adaptar à nova rotina e conseguir encaixar os meus projetos - a Simplee, a Piscina e agora o Tempero M -  a ela.  

Sabe, a gente que está sempre vendo um monte de gente que faz coisas, que tem seus próprios negócios no Instagram, nas feiras e na vida, talvez ache difícil assumir essa faceta "não vivo disso" ou "esse não é meu full time job". Eu sou uma dessas pessoas, que se sente quase na obrigação de pedir desculpas por não "largar tudo e fazer o que ama."

Esse discurso me parece tão repetitivo e velho, que não tenho nem mais muita paciência de pensar sobre ele. Sabe, essa coisa de "fazer algo com as mãos" e ter um arzinho superior como se todo o resto do mundo que não faz ou trabalha em um escritório não é tão legal ou bom quanto você. Preguiça disso. E que coisa besta essa de achar que todo trabalho que não seja diferentão, sem chefe, sem horário é um trabalho chato! Todas as coisas do universo, TODAS, sem exceção tem qualidades e defeitos, coisas boas e ruins, inclusive trabalhos, seja ele um CLT ou um que você tenha inventado e que você seja seu próprio chefe. 

Eu amo fazer coisas manuais e eu faço elas na medida em que me fazem bem ou porque eu quero e posso fazê-las. Mas eu amo também me aventurar em mundos novos, conhecer pessoas e (por que não) trabalhar e ganhar dinheiro com outras coisas que não coloquem toda a carga da minha sobrevivência em cima do que eu tanto gosto de fazer. Esse não é meu objetivo, pelo menos por enquanto. 

É difícil "dar conta" de tudo? É. Mas, demorei para aprender que o peso das coisas na minha vida sou eu quem dou. Quero trabalhar para ter um respiro de alívio e conseguir ter uma casa e pagar meu aluguel e um pingo de estabilidade emocional? Sim. Quero levar a Simplee com leveza sem colocar nela todas as expectativas de me completar e sustentar? Sim. Estou feliz com isso? Sim. Então tá tudo bem. :) 

 

modos de produzir

Mais uma cestinha! E essa embora seja pequena, demorou muito mais tempo para ficar pronta. Confesso que depois de correr bastante, como foi o caso da semana da participação na feira, fico em um estado um pouco passivo, quase catatônico. Principalmente se os freelas momentaneamente dão uma folga, como foi o caso, eu fico um pouco perdida. Fui ver o mar, fiquei mais de 1 semana praticamente sem produzir nada e daí começa a inquietação.

Qual passo dar agora? O que fazer para impulsionar as coisas e seguir adiante? Essas são as típicas perguntas sem resposta que me deixam um pouco aflita. Percebi que eu sou péssima em me desligar das coisas e péssima em ter mais tempo livre para fazê-las. Eu preciso estar sempre em movimento, com foco em outras coisas para me motivar e fazer o que de fato gosto. E talvez isso não seja necessariamente um defeito, só que eu preciso aprender a me disciplinar um pouco para conseguir produzir de maneira mais constante.

Enfim, consegui terminar a cesta nesse feriado prolongado e fui fazendo ela daquele jeito bom, devagar e sempre, papeando com alguém ou vendo alguma série (que no caso agora é Cosmos). 

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E é uma delícia acordar no domingo ou sábado de manhã e tomar um café da manhã demorado, ficar na mesa conversando e encher a xícara de café mais algumas vezes e depois aproveitar a luz do dia e fotografar as coisas ali perto da janela. Hoje no caso, um dia cinza, maravilhoso para fazer isso que acabei de descrever. 

Gosto que o que eu produza faça parte e se confunda com a minha vida, gosto de tratar as coisas assim. Adoro fotografar o que eu faço sem demorar ou levar tanto a sério tudo e gosto do dinamismo desse processo. Parece que se eu demorar mais, arrumar mais e me preocupar mais, as coisas perdem um pouco da sinceridade inerente a elas e talvez eu não me sinta tão autêntica se fizer de outro jeito. Sei que poderia melhorar muito ainda nesse quesito de fotografar e tratar imagens, mas o lance é que hoje fico feliz de registrar as coisas desse modo.

E fico feliz em experimentar. Gostei muito do formato dessa cesta e preciso sem dúvida, começar a experimentar mais, seja com novas cores e padrões, seja com novos tamanhos e formatos. Quase que sem querer ainda estou seguindo, em boa parte do que eu tenho produzido, o desafio que me coloquei de usar coisas que tenho à mão, como é o caso dos barbantes coloridos. Mas até eles que pareciam infinitos, já estão dando sinais de que não durarão pra sempre, o que é ótimo. Então bora dar novos usos pra eles e para as lãs lindas que ainda tenho aqui. 

sorte

Como  o aniversário da Simplee se aproximava, fiz um sorteio no instagram para comemorar. Além da óbvia função de divulgar e agregar mais seguidores, acho que esse tipo de atividade serve principalmente para que a gente possa se conectar com outras pessoas através das coisas que fazemos.

Separei com carinho algumas peças que mantive guardadas, lá da primeira produção da Simplee, onde tudo começou. E só de tirar as peças de onde elas estavam, já passou um filme na minha cabeça de todos aqueles momentos de produção. Me vieram as sensações, o momento que eu estava vivendo, as músicas que eu ouvia enquanto fazia, os cheiros, enfim, lembranças de q eu estava ainda gestando o que viria a ser a Simplee. 

Na hora em que pensei em fazer esse sorteio eu pensei que queria contar um pouco disso tudo para quem ganhasse, assim as peças teriam alguma história, algo verdadeiro de mim mesma e foi isso que eu fiz.

Quem ganhou o sorteio foi a Rebeca de Moura e rapidamente antes determinar de embrulhar as peças e levá-las até o correio, me sentei para escrever essas coisas pra ela. Alguns dias depois , percebi que quem teve a sorte do sorteio fui eu. Recebi essas fotos lindas do Leandro e um post com uma mensagem linda da Rebeca. Tao linda que me deu ânimo e me fez voltar pra mim mesma justamente em um dia em que me sentia um pouco perdida.

Mais uma vez, eu que agradeço. <3

dia de fêra

Geralmente as semanas que antecedem uma participação em feira são bem intensas e corridas mas confesso que a semana que antecedeu a Fêra Féra X  foi uma das semanas em que me senti mais viva dos últimos tempos. 
E sincronicamente o freela que já vinha rolando desde janeiro, acabou na sexta anterior. Não é mágico isso? Eu tenho pra mim que é o universo me dizendo "vai!". Bom, eu fui. 

Dias antes terminei de produzir alguns itens, produzi outros novos, fiz aquele tour inesquecível na 25 de março (rolê esse que é praticamente inevitável e que sempre quando você tem que ir vem a memória de como foi a última vez, que te faz repensar todo o sentido da vida e você se pergunta por que raios você tem que ir de novo lá mas no fim você cria coragem e vale a pena pelos achados a preços módicos), montei colares, bordei e me organizei para ficar com tudo em ordem antes do prazo pra não rolar aquele desespero de última hora. 

Mas dessa vez teve um leve e maravilhoso agravante na história. E quando eu digo maravilhoso é maravilhoso mesmo, sem ironia: o Tempero M, empreitada que eu e meu irmão estamos há mais de ano querendo tirar do papel e voilà, conseguimos (com ajuda da Mama, claro)! O que implica um pouco mais de correria, daquele tipo bem doida mas que vale a pena no final. Aliás, visitem as páginas do tempero, espalhem para os amigos. Ele é maravilhoso!

Como ja falei uma vez aqui no blog, é muito gratificante participar da Fêra Féra. O clima é muito bom, os expositores são lindos e a gente se sente em casa. E eu tenho um carinho muito grande por ela, já que foi a primeira que me acolheu e acolheu a Simplee, um ano atrás. 

Participar da fêra em uma data tão simbólica pra mim, foi memorável. E eu fiquei muito orgulhosa de tudo que consegui evoluir até aqui. É um sentimento quase como de dever cumprido só que não porque tenho muito chão ainda pra caminhar. Mas né? Vamos valorizar cada passo, não é? 

*todas as fotos por Leonardo Sang.

o vício

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é viciante. e eu acho que sei porque. sou só eu e os materiais e lembro que foi isso que me fez começar a experimentar com linha pela primeira vez. tirando o meu tcc, fui buscar as linhas do bordado para conseguir liberar aquela energia de fazer algo. sem oficina, sem marcenaria, sem materiais, a linha e a agulha se tornaram meu escape. acho que a ideia é a mesma aqui. a independência no fazer das cestas me anima. não preciso de forno como no caso da cerâmica, não preciso de moldes e tempo de cura como no caso dos objetos de concreto e não preciso de serra e lixa como no caso da madeira. eu só faço. 

e é isso que tenho feito. mesmo durante uma semana corrida como foi essa que passou, consegui fazer um pouquinho da minha cesta de noite quando chegava em casa enquanto via chef’s table (ou masterchef ou abstract - são essas as únicas coisas que eu assisto hoje em dia haha).

e quase uma semana depois consegui. mais uma pronta. dessa vez aprendi algumas coisas. o barbante rosa que eu tenho aqui é de espessura diferente dos outros. é bem mais fino, o que de cara, percebi que tem um efeito um pouco ruim se comparada às outras.

o material que mais ‘cobre’ o sisal é a lã mesmo. fica mais bonito, mais elegante e diferente. mas gostei muito de como ficou o sisal com o barbante mais grossinho. esse mais fino deixa as superfícies trançadas da corda muito a mostra, o que me incomodou um pouco. 

outro detalhe que me incomodou é que essa corda de 15mm, que eu comprei porque era a única espessura que se encaixa perfeitamente ao acabamento de cobre, é muito grossa. dificulta muito na hora de começar a cesta, então a parte central não fica lá essas coisas. hoje irei testar começar com o tampão de cobre e ver como fica. e as próximas vezes, irei testar usar cordas mais finas para fazer cestas menores, que eu possa usar outro tipo de acabamento.

e uma coisa que eu ganhei foi um belo calo no dedo indicador. para o acabamento ficar de fato bom, é preciso puxar bem a lã ou o barbante para segurar uma corda na outra e cobrir bem a superfície de sisal. nisso, o dedo é quem sofre. não usei esparadrapo dessa fez e bom, agora meu dedo se adaptou, está com uma superfície dura e que não me machuca mais. 

só sei que o resultado foi esse. uma cesta com duas das minhas cores favoritas e que de quebra, ainda combinou com a minha caneca nova. :)

coisas chatas acontecem

é, elas acontecem. geralmente a gente quer cobrir, a gente quer fingir que elas não existiram, sentimos vergonha, sentimos dor, desespero, qualquer coisa, mas a gente quer evitar as coisas chatas que acontecem com a gente. 

e olha, elas vão acontecer se precisarem acontecer e não há nada que a gente possa fazer para evitá-las. resistir, fingir que não é com a gente e soterrar os sentimentos só vai fazer com que o sentimento, acontecimento, seja lá o que for, vire uma bola de neve e tome proporções ainda maiores. 

nos últimos anos, talvez até nos últimos 3 ou 4 anos andei tendo umas experiências bem chatas, pra não dizer ridiculamente chatas e insuportáveis. haha e nesse meio tempo, talvez mais no último ano, eu fui buscar leituras, vídeos, palestras, meditações guiadas e até hipnose online (sim, isso existe no youtube) e o que eu aprendi, além de ter a oportunidade de me conhecer como nunca, é: as experiências estão aí pra ensinar coisas que precisamos aprender e a gente precisa se responsabilizar pelas coisas que acontecem com a gente e parar de se colocar como vítima, enxergando o problema sempre fora e nunca dentro, contando histórias pra gente mesmo sobre como o mundo é terrivel e as pessoas piores ainda.

olha, vou te contar que a vida parece bem menos terrivel quando você percebe que erra, que tem escolha, enfim, que você é responsável. é bom se reconhecer nos erros, nas coisas ruins e poder andar pra frente com muito menos peso na mochila eterna que carregamos durante a vida.

outra coisa que percebi é que é um treinamento e um aprendizado diário se colocar na vida desse jeito, se colocar no agora, perceber as coisas e estar mais consciente. é no dia a dia que a gente consegue aplicar as coisas e é no dia a dia que a gente aprende, devagar e sempre. 

quando o vasinho novo rachou e quebrou, me fez pensar sobre isso. e me fez pensar no processo. quantas coisas deram errado no meu processo com a Simplee? quantas coisas deram errado na minha vida? muitas! e tudo bem! porque eu não estaria onde eu estou agora, não seria a pessoa que eu sou agora e não teria aprendido tanto. 

a rachadura no vaso é mais uma parte do processo. eu poderia fingir que isso não aconteceu e que eu só faço vasos lindos que dão sempre certo? poderia. posso até tentar juntar as partes, posso refazer o vaso, mas ele nunca mais vai ser o mesmo porque mesmo que eu faça tudo de novo, é um novo vaso, feito de uma nova perspectiva. e é isso, a gente ao longo da vida vai ganhando perspectiva. vamos aprendendo com os erros, vamos buscar melhorar e principalmente ser menos duros com a gente mesmo e com as nossas falhas e fracassos. está tudo bem, sério!