usa o que tem

experimento e algumas reflexões pessoais | tear circular

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Comecei o ano cheia de iniciativa e vontade de colocar coisas em prática. Talvez uma fuga, uma defesa das notícias terríveis sobre medidas do governo que mal começou e já causa tanto desânimo e desespero (bleh).

Pois bem, encomendei meu kit de tear circular decidida a tentar uma nova maneira de usar toda a lã que tenho além de fazer o que eu mais gosto, que é aprender algo novo. O kit chegou muito rápido! E na mesma hora já comecei a seguir um tutorial no youtube.

Mesmo parecendo fácil, fiz e desfiz o trabalho pelo menos umas 3 vezes, até que resolvi ir até o final pra ver no que dava. No tutorial que eu vi, os pontos eram intercalados, o que demandava um foco bem grande da minha parte, ou seja, nada de ficar pensando na vida enquanto fazia.

Acostumada a fazer coisas manuais quase como lazer, conversando, vendo filme, Master Chef ou ouvindo podcasts, manter a atenção e o foco não foi fácil. Eu me perdia nos pontos e em vez de intercalar, acabei fazendo o mesmo ponto nos mesmos pinos, o que resultou em algo completamente diferente do esperado e o do qual não gostei muito.

Outra coisa: percebi que a lã que eu tenho (e que não é pouca e que me propus a usar em sua totalidade em vez de comprar) é mais fina do que a do tutorial e os pinos do tear, um pouco mais afastados. O que não vai me impedir de continuar, é claro.

a primeira foto foi com o vaso da planta com folhas comidas pelos gatos. a segunda com um vaso do mesmo tamanho de um cacto, que de longe ficou muito feia, mas que no detalhe ficou boa. :)

a primeira foto foi com o vaso da planta com folhas comidas pelos gatos. a segunda com um vaso do mesmo tamanho de um cacto, que de longe ficou muito feia, mas que no detalhe ficou boa. :)

Mas o que mais me intrigou é que a medida que ia trabalhando, fui ficando ansiosa. E confrontei uma parte de mim a qual eu não gostaria muito que fosse verdade: a Paula sem paciência. Eu penso muito. Conjecturo muito e planejo muito até (ou principalmente) nas coisas que eu faço aqui na Simplee e que poderiam ser muito mais leves, como eu gosto de acreditar que são.

Sinto que em vez de curtir a coisa toda, do aprendizado, do momento, eu fico apegada ao que deveria ser e no que eu gostaria que fosse o resultado final. Quando me deparo com a mediocridade do primeiro trabalho, já considero um fracasso total e quero partir pra outra. Não dou tempo para a técnica e nem para eu mesma dominá-la. O que talvez explique a quantidade de coisas que já aprendi, que já fiz cursos, que comecei e não continuei, pelo simples fato de eu, de cara, não dominar a técnica e ser a melhor.

Diante de auto análises e reflexões como essas (mesmo que um pouco desconfortáveis), o quanto é prolífico fazer um trabalho manual e como qualquer coisa pode se tornar uma ferramenta de autoconhecimento. As lições que eu levo da experiência de ontem (e que tentarei aplicar daqui pra frente) são: não ser tão dura comigo mesma, não levar as coisas tão a sério, não criar expectativas, ter paciência e continuar fazendo, enquanto me trouxer alegria, é claro.

simplee receita | abóbora picante vegana | #usaoquetem

abóbora picante acompanhada de quinoa e bolinhos de arroz

abóbora picante acompanhada de quinoa e bolinhos de arroz

Comida é tudo (ou quase) para mim. E assim como muita gente, planejo minha rotina em torno das refeições. Seja para comemorar alguma coisa, reunir amigos ou dar um passeio, pode apostar que eu estou pensando em comida no meio de tudo isso.

Este ano resolvi assumir esse protagonismo que as refeições têm na minha rotina e incluir as comidas no conjunto de coisas que eu faço. Pois mesmo quando a vida está corrida e eu não estou produzindo cestos ou acessórios, eu não deixo de comer ou pensar em comida. E já que aqui na Simplee eu compartilho várias partes da minha vida e do que eu sou, nada mais natural do que falar (mais) explicitamente sobre comida também.

meu pratinho momentos antes de ser devorado

meu pratinho momentos antes de ser devorado

Como estou em recesso de final/início de ano, estou tendo o prazer de ficar mais tempo em casa e além de colocar leituras e pendências em dia, estou cozinhando (ou observando o meu companheiro, que cozinha mais do que eu, cozinhar).

Hoje, por exemplo, preparei o almoço no melhor estilo #usaoquetem. Olhei a geladeira e com umas inspirações vistas recentemente no instagram, fui pegando o que tinha e montando o cardápio na minha cabeça. O arroz integral que sobrou de ontem e queimou um pouco virou bolinho de arroz com cenoura e a abóbora cabotiá virou a minha abóbora picante, que vou compartilhar a receita aqui. Além disso, fiz um pouco de quinoa para acompanhar.

Mas vamos ao que interessa: a abóbora.

Ingredientes:

  • 1/4 de abóbora cabotiá descascada, sem sementes e cortada em cubos.

  • um pedacinho de gengibre ralado

  • 1/2 cebola picadinha

  • 1 dente de alho pequeno picado

  • 1 colher de sopa de azeite (aproximadamente) para dourar a cebola e o alho

  • 1 colher de sopa de páprica picante

  • 100g de extrato de tomate (aproximadamente)

  • 1/4 de uma garrafinha de leite de coco

  • sal a gosto

  • pimenta do reino a gosto

  • molho de pimenta a gosto (usei um a base de tomate e pimenta dedo de moça que a minha mãe faz)

  • cebolinha a gosto para finalizar

Modo de preparo:

Comece picando a abóbora e reservando-as em um pote. Cobrir os pedaços de abóbora com água e reserve. Em uma panela de ferro já aquecida, juntei o azeite, a cebola e o alho até dourar. Manter o fogo baixo e adicionar então o gengibre, o sal, a pimenta do reino (eu uso um moedor daqueles de madeira, então não sei especificar exatamente o quanto vai) e por último, a páprica picante. Mexer bem com uma colher de pau e depois adicionar o extrato de tomate.

lembrei de tirar foto somente nesta etapa, logo após acrescentar o leite de coco.

lembrei de tirar foto somente nesta etapa, logo após acrescentar o leite de coco.

Mexer até todos os ingredientes ficarem misturados. Junte a abóbora e pouco mais que a metade da água que estava no recipiente. Acrescente o molho de pimenta (opcional) e mexa para que a abóbora se misture com os demais ingredientes e depois acrescente o leite de coco. Mexa mais um pouco e tampe a panela mantendo o fogo baixo por cerca de 15 a 20 minutos ou até que a abóbora esteja macia. Cuide para que ela não passe do ponto e venha a desmanchar. Acrescente a cebolinha, tampe novamente e apague o forgo até a hora de servir.

sempre que compro cebolinha e/ou salsinha, eu lavo, corto tudo, coloco em um pote e congelo. Assim, vou usando os temperos aos poucos.

sempre que compro cebolinha e/ou salsinha, eu lavo, corto tudo, coloco em um pote e congelo. Assim, vou usando os temperos aos poucos.

Gosto de receitas e fotos assim: rápidas. Gosto de registrar mas sem que isso tome muito meu tempo e faça eu perder o momento ou o meu prato esfriar. E hoje eu fiquei tão feliz com o resultado tanto da comida como do registro, que logo passei as fotos para o computador e comecei a escrever.

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É bom que a gente atente para as coisas que nos colocam em movimento desta forma. É o que a comida e o compartilhar as coisas sempre fazem comigo. Espero que a simples ação de fazer o almoço hoje possa colocar outras pessoas em algum tipo de movimento também.

ano novo

Comemoro meu aniversário praticamente junto com o Ano Novo. A maratona de festas parece não ter fim: tem a véspera e o dia de Natal, esse ano teve uma reunião de família em um sítio no dia 27; tem meu aniversário no dia 30 e no dia 31 tem o sempre esperado Ano Novo!

Mesmo meio cansada sempre surge aquela força interior para comemorar mais uma volta ao sol. Geralmente, passo meus aniversários na casa dos meus pais ou em trânsito para algum lugar (nos últimos anos, indo pra Floripa ver amigos), mas dessa vez fiz uma comemoraçãozinha aqui em casa.

A exemplo da decoração de Natal, que falei esses dias no Instagram, eu sempre acabo me empolgando e antes que eu me dê conta, já comecei a preparar algum tipo de celebração.

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Logo que o recesso de fim de ano começou, resolvi desenterrar projetos antigos de costura. Consegui terminar dois. Um deles consistia em dar uso a esse pedaço de tecido de bolinhas comprado há mais de 5 anos e transforma-lo em uma toalha de mesa. Check.

O outro era finalizar essas bandeirinhas. No final de 2014 cortei esses triângulos de tecidos que tinha acumulado em casa. Estava de mudança de Florianópolis para São Paulo e queria comemorar meu aniversário/despedida no melhor estilo pinterest (aqui cairia bem um emoji de olhinhos virados pra cima). Lembro de não consegui costurar as bandeirinhas a tempo e pendurei os triângulos de tecido no improviso com uma linha.

Chamei todos os amigos que não tinham viajado para ir até um parque para um piquenique. Só que estava muito quente e as pessoas apareceram só na hora da chuva. Ficamos todos ensopados e fomos pra minha casa cheia de caixas de mudança se secar até a hora de sairmos para a “balada”. Haha

Tudo isso para dizer que foi significativo costurar finalmente essas bandeirinhas. Pra mim, tem algo bastante simbólico em finalizar um projeto inacabado. É bom colocar um ponto final nas coisas e nas histórias, pra gente poder seguir em frente.

No dia 29, costurei as bandeirinhas não do jeito que eu tinha planejado, com um viés, todo bonito (que até cheguei a comprar mas que molhou e estragou em uma chuva fortíssima na véspera de natal haha), mas sim com uma fita preta, dessas de presente, que estava parada desde 2012 nas minhas coisas.

Pensamos em um cardápio fácil e prático para receber alguns familiares e amigos, comprei o último bolo da loja de bolos, que por sorte era de um sabor que eu amo, de abacaxi com coco, e de noite fizemos as compras.

Deixamos algumas coisas encaminhadas na noite anterior mas acordamos às 9h para deixar tudo pronto até às 11h. Assim que terminamos e nos arrumamos, preparei duas taças de mimosa, aquele drink de espumante com suco de laranja.

Os convidados começaram a aparecer depois do meio dia e a festa seguiu até depois das 20h. Dos preparativos ao parabéns, foi um dia bom e agradável. Sem correria, sem stress, com presença, muitos abraços e risadas, que é como eu desejo passar meus 31 e os anos que virão a seguir.

experimento: cestas com sacolas plásticas

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Logo quando comecei a procurar vídeos sobre cestaria no Youtube, me deparei com alguns tutoriais que ensinavam a fazer cestas usando sacolas plásticas. E embora estivesse procurando soluções viáveis para começar a produzir levando em conta materiais que tivessem alguma contrapartida de interesse ambiental ou sustentável, não me senti muito atraída por este material e optei por começar o aprendizado através das cordas, primeiro de algodão e depois de sisal. 

Mas fiquei com vontade de dar uma chance para as sacolinhas, principalmente depois daquela semana em que aquela capa da National Geographic sobre plástico estava em todo lugar. Também pudera, né? São imagens bem terríveis como esta que fazem a gente levar um chacoalhão e repensar muitos dos nossos padrões de consumo, que já damos como certos, de tão enraizados que estão à nossa rotina. 

As sacolinhas de plástico são um belo exemplo desse tipo de coisa, que faz parte da nossa vida e a gente nem questiona o porquê. Eu mesma tenho muitas aqui em casa, de quando vou fazer compras e esqueço de levar ecobags. E por isso, resolvi testar o uso desse material na confecção de cestos.

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E deu certo! É claro que este foi um teste e que pude notar várias coisas que faria diferente em uma segunda oportunidade, mas acho que foi um teste bem-sucedido. Optei pela lã pois acho que o barbante é um material que não se comportaria tão bem com o plástico, que percebi depois ser mais escorregadio do que parece para trabalhar.

Uma questão que eu deveria pesquisar nos vídeos de tutorial disponíveis é a emenda de uma sacolinha na outra, pois mesmo quando se dobra a cesta igualmente, algumas partes têm menos volume de plástico que outras, o que resulta em uma diferença de espessura ao longo do "rolinho" que dá forma à cesta. Então o melhor a se fazer é emendar a parte com menos volume da sacola com a parte de maior volume, para tentar manter o "rolinho"uniforme. 

Outro aspecto que faz com que as espessuras ao longo da cesta variem é a força que se coloca ao apertar a lã em volta do "rolinho" de plástico. Ao contrário da corda de sisal, que é dura e se sustenta por si só, o plástico é bem maleável, o que resulta em uma variação grande de espessura caso você aperte demais ou de menos. 

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Questões à parte, tenho mais um experimento para compor a coleção de objetos-experimentos que vão ficando pela casa e gosto de como cada um deles me lembra uma fase da minha vida ou da Simplee. 

o desafio de se usar o que tem (stash less)

meu estoque lá em 2016. olha quanto barbante eu ainda tinha! as linhas estão todas aqui ainda, mas várias dessas coisas já se foram ou ganharam um novo uso. bom, né?

meu estoque lá em 2016. olha quanto barbante eu ainda tinha! as linhas estão todas aqui ainda, mas várias dessas coisas já se foram ou ganharam um novo uso. bom, né?

Muita gente não sabe mas em novembro de 2016, me lancei o desafio #usaoquetem (clica no link, que eu explico de onde veio essa ideia), em que eu me desafiava a usar majoritariamente matérias que eu já tinha em casa para produzir minhas coisas. 

A produção da Simplee até aqui se baseou neste princípio, de evitar comprar matérias primas e usar o que já tinha disponível. Com o passar do tempo, deixei de divulgar esta característica do meu trabalho, mas nunca deixei de praticar, continuo usando o mesmo barbante, as lãs que estavam estocadas na casa da minha sogra por anos e anos, os tecidos aos poucos vão ganhando novos usos.

O desafio #usaoquetem foi uma maneira que encontrei de ser mais consciente na minha produção além de evitar o acúmulo e pensar mais nas minhas escolhas, principalmente no que diz respeito à compra de materiais. 

Quando fui visitar meus amigos em BH no Carnaval, a Erica me mostrou o desafio #stash_less, do blog The Craft Sessions, que me fez lembrar e muito do meu #usaoquetem. Até a foto lembrava bastante a que eu usei! 

Ao ler o blog vi como eu fui negligente quanto ao propósito do meu desafio e que tem muita gente levando a sério uma questão que eu, por achar que ninguém estava ligando, deixei de falar sobre. Bobagem né? Foi bom que eu fiquei com isso mais claro para mim e tive mais clareza de que eu deveria sim, falar mais sobre isso por aqui e nos meus posts do Instagram. 

Sigo comprando quase nada de material, atualmente só a corda de sisal, que uso como base das cestas, e os fechos e couro utilizados para fazer os acabamentos dos colares. Os barbantes seguem quase os mesmos de 1 ano e meio atrás, as lãs também, que são os materiais que tenho usado mais. 

As linhas de bordado estão aqui, aguardando a febre do bordado voltar e os tecidos vão sendo usados aos poucos. Espero usar até o algodão mais simples para fazer alguns paninhos de copa e capinhas para os cestos. Agora em janeiro usei um tecido listrado (que aparece ali embaixo da pilha de tecidos na foto e que eu tenho há mais de 6 anos!) em uma encomenda muito fofa que fiz para uma colega de trabalho. 

Uma boa meta para 2018: divulgar mais meus propósitos e objetivos e compartilhar mais aqui no blog e em outras redes como eu tenho desenvolvido meu trabalho usando o que tenho.